Encerramento do prazo de troca de partidos altera composição da Câmara. PL e PT lideram as maiores bancadas. União Brasil encolheu.
247 – A janela partidária se encerra nesta sexta-feira (3) após um período de 30 dias que permitiu a deputados federais mudarem de partido sem risco de perda de mandato, provocando uma reconfiguração significativa das forças políticas na Câmara dos Deputados, com impacto direto nas estratégias eleitorais e no equilíbrio entre as bancadas, relata a CNN Brasil.
De acordo com levantamento baseado em dados da própria Câmara, anúncios públicos e informes partidários, mais de 70 parlamentares trocaram de legenda durante o período. O número final ainda depende da oficialização das mudanças, mas o movimento já indica alterações relevantes no cenário político, especialmente com o fortalecimento de algumas siglas e o enfraquecimento de outras.
O PL foi o principal beneficiado pela janela. A legenda não apenas recompôs sua bancada em relação ao número de eleitos em 2022, como ampliou sua presença. Antes da abertura do prazo, o partido contava com 87 deputados, mesmo tendo eleito 99. Ao longo das últimas semanas, recebeu ao menos 17 novos parlamentares e registrou quatro saídas, consolidando-se como a maior força da Casa.
O PT permanece como a segunda maior bancada, com 66 deputados, apesar da saída da deputada Luizianne Lins (CE), que deixou a sigla após 37 anos para se filiar à Rede Sustentabilidade. Já o União Brasil perdeu espaço e deixou de ocupar a terceira posição isolada, agora disputada com Republicanos, PP e PSD, que apresentam números semelhantes até o momento.
Na tentativa de reverter perdas, o União Brasil aposta na federação com o PP, aprovada recentemente pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Enquanto isso, partidos que vinham enfraquecidos conseguiram recuperar parte de sua força, como o PSDB, que registrou nove novas filiações e três saídas durante a janela.
Além da reorganização partidária, o período também impactou o funcionamento do Congresso. As atividades legislativas foram reduzidas nas últimas semanas, com a suspensão de votações no plenário da Câmara. O esvaziamento se intensificou na reta final, impulsionado tanto pelas negociações políticas quanto pela proximidade do feriado de Páscoa, levando parlamentares a priorizarem agendas em suas bases eleitorais.
Com o fim da janela partidária, o foco agora se volta para as convenções partidárias, etapa em que serão definidos os candidatos para as eleições de 2026, cujo primeiro turno está marcado para 4 de outubro.
A legislação eleitoral prevê a janela como mecanismo exclusivo para cargos proporcionais, como deputados e vereadores, permitindo a troca de legenda sem punição apenas em anos eleitorais e seis meses antes do pleito. O princípio da fidelidade partidária estabelece que o mandato pertence ao partido, e não ao parlamentar. Já cargos majoritários, como presidente, governadores e senadores, não estão sujeitos a essa regra, desde que respeitado o prazo mínimo de filiação antes da eleição.
As movimentações também alcançaram o Senado, impulsionadas por disputas eleitorais. O senador Rodrigo Pacheco deixou o PSD para se filiar ao PSB, de olho no governo de Minas Gerais. Sergio Moro migrou do União Brasil para o PL com objetivo semelhante no Paraná. Já a senadora Eliziane Gama anunciou a saída do PSD para ingressar no PT, com a intenção de fortalecer a campanha de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Outro caso relevante é o do senador Carlos Viana, que deixou o Podemos para retornar ao PSD, partido do qual já havia feito parte entre 2019 e 2021, visando viabilizar sua permanência no Senado.
Foto: Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados
FONTE: https://www.brasil247.com/regionais/brasilia/janela-partidaria-termina-e-redesenha-forcas-na-camara-dos-deputados