A nota interna que ninguém queria que você visse.
J.P. Morgan Chase & Co. (é a maior instituição financeira dos Estados Unidos e uma das mais influentes do mundo) vazou um memo interno chamado “Simple math” (Matemática simples) e a conta não fecha.
O mundo perdeu 14 milhões de barris por dia depois do bloqueio do Estreito de Ormuz. A capacidade ociosa da Arábia Saudita e dos Emirados ficou trancada atrás do bloqueio. Shale americano demora três a seis meses pra entregar de 0,3 a 0,7 mbd, segundo o próprio JPM. Rússia também está em apuros, infraestrutura comprometida.
Sem capacidade ociosa, o sistema queimou estoque. JPM estima saque de 4,0 mbd em março e 7,1 mbd em abril. Sete milhões de barris saindo do tanque do mundo todo dia. E o banco admite que o número real pode ser maior, porque visibilidade de produto é ruim.
A demanda global caiu 4,3 mbd em abril. Na crise de 2009 caiu 2,5 mbd. JPM foi cirúrgico no diagnóstico: “escassez física está limitando consumo real, então o que parece destruição de demanda é perda de oferta aparecendo no lado da demanda”. 87% dessa perda forçada caiu em emergentes. Índia viu gás de cozinha cair 13%. Plantas petroquímicas asiáticas pararam.
Faltam 2 mbd de ajuste para a conta fechar. Emergentes já sangraram tudo. Esses 2 mbd vêm do Ocidente. E o Ocidente só cede consumo com Brent bem acima de cem dólares.
No Brasil, o choque está represado. Itaú BBA cravou em meados de abril que a gasolina da Petrobras está 41% abaixo da paridade. Abicom foi mais longe e mediu 48%, R$ 1,70 por litro. Último reajuste de gasolina foi em janeiro. A estatal absorve o choque no caixa, e quem segura a conta no fim é acionista, Tesouro ou consumidor brasileiro. Não sumiu, foi diferido.
Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil
FONTE: Agência de Notícias ABJ – Associação Brasileira dos Jornalistas
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