Fundador do WikiLeaks destaca atuação do presidente brasileiro em defesa de sua liberdade e acusa Jair e Flávio Bolsonaro de omissão.
247 – O jornalista e fundador do WikiLeaks, Julian Assange, manifestou apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e fez duras críticas a Jair e Flávio Bolsonaro, ao estabelecer um contraste entre a atuação do petista em defesa de sua liberdade e a postura dos integrantes da família Bolsonaro. Em publicação na rede social X, Assange também denunciou a interferência dos Estados Unidos e de Israel na política de outros países e defendeu a soberania nacional como condição para a formulação de políticas públicas independentes.
Na mensagem, publicada sob o título “Lula contra Bolsonaro”, Assange relembrou os 1.901 dias em que permaneceu em isolamento na prisão e atribuiu sua perseguição à divulgação de informações sobre operações militares e atividades de espionagem do governo estadunidense, inclusive contra o Brasil e setores de sua economia.
“Fiquei em confinamento solitário por 1.901 dias por revelar a verdade sobre os assassinatos e a espionagem do governo dos Estados Unidos, inclusive contra o Brasil e suas indústrias”, afirmou.
O jornalista destacou que Lula se posicionou em sua defesa tanto quando estava fora do governo quanto depois de retornar à Presidência da República. Segundo Assange, o brasileiro chegou a discutir sua situação com o papa Francisco, que posteriormente decidiu receber seus familiares e oferecer ajuda.
“Fora do poder, Lula lutou pela minha liberdade. No poder, Lula discutiu minha perseguição com o papa Francisco, que decidiu se encontrar com minha família e oferecer ajuda”, escreveu.
Assange destaca solidariedade de Lula e critica omissão dos Bolsonaro
O fundador do WikiLeaks também recordou um encontro com Lula em Roma, realizado depois de sua libertação, quando ambos lamentaram a morte do papa Francisco, falecido em abril de 2025.
Assange ressaltou especialmente a maneira como o presidente brasileiro tratou seus filhos durante a ocasião, apresentando o episódio como uma demonstração de solidariedade pessoal.
“Depois da minha libertação, Lula e eu nos encontramos em Roma para lamentar a morte do Santo Padre. Lula foi gentil com meus filhos e não pediu nada em troca”, relatou.
Em seguida, o jornalista estabeleceu uma comparação direta com Jair Bolsonaro e seu filho Flávio Bolsonaro, candidato à Presidência da República nas eleições de 2026.
“Em contraste, Jair e Flávio Bolsonaro não fizeram nada e não disseram nada”, declarou.
A manifestação ocorre em meio à disputa presidencial brasileira e associa o posicionamento de Lula no caso WikiLeaks a uma visão mais ampla sobre independência política e resistência às pressões internacionais.
Críticas à submissão a Washington e Tel Aviv
Além de reconhecer a atuação de Lula, Assange apresentou uma crítica contundente à influência dos Estados Unidos e de Israel sobre governos estrangeiros.
Na avaliação do jornalista, a capacidade de contrariar os interesses de Washington e Tel Aviv é indispensável para que um país tenha autonomia na condução de suas políticas internas.
“No entanto, sem a capacidade de dizer não a Washington e Tel Aviv, não pode haver política interna, apenas instruções estrangeiras”, afirmou.
Assange também acusou essas potências de promover interesses econômicos e geopolíticos em prejuízo de outras populações, recorrendo a uma formulação especialmente dura para descrever o que considera a lógica dessas relações de poder.
“Essas ordens são sempre as mesmas: ‘Ampliem nosso roubo de recursos e salários e mantenham a boca fechada sobre o fato de estarmos assassinando crianças’”, escreveu.
Ao encerrar sua manifestação, o jornalista criticou dirigentes políticos que, em sua avaliação, aceitam subordinar os interesses nacionais a potências estrangeiras em troca de benefícios particulares.
“Os vendidos entregarão tudo em troca de uma parte, até mesmo suas próprias línguas”, concluiu.
Perseguição ao WikiLeaks e denúncias de espionagem
Julian Assange tornou-se internacionalmente conhecido pela divulgação, por meio do WikiLeaks, de documentos sigilosos relacionados a operações militares estadunidenses, à diplomacia internacional e a atividades de inteligência.
Entre as revelações associadas à plataforma estão registros sobre as guerras do Iraque e do Afeganistão e documentos que expuseram práticas de vigilância e espionagem.
O Brasil também apareceu em revelações sobre operações de inteligência dos Estados Unidos, incluindo a vigilância de autoridades e interesses econômicos estratégicos brasileiros.
Assange passou anos privado de liberdade no Reino Unido, incluindo o período de encarceramento na prisão de segurança máxima de Belmarsh. Em junho de 2024, deixou a prisão após um acordo judicial com autoridades estadunidenses, encerrando uma longa disputa envolvendo acusações relacionadas à divulgação de documentos secretos.
Durante esse período, Lula manifestou publicamente preocupação com o tratamento dispensado ao jornalista e defendeu sua libertação.
A nova declaração de Assange recupera esse histórico para estabelecer uma distinção entre Lula e os Bolsonaro. Ao mesmo tempo, insere o debate sobre a eleição presidencial brasileira em uma discussão internacional sobre soberania, liberdade de informação e capacidade dos governos de resistir às pressões de grandes potências.
FOTO: Reprodução/X
FONTE: https://www.brasil247.com/midia/julian-assange-declara-apoio-a-lula-e-critica-submissao-dos-bolsonaros-a-eua-e-israel/