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Luciana Bauer: “EUA e Israel são especialistas em planos de fuga e podem ter ajudado Flávio”

Ex-juíza levanta hipótese de participação estrangeira na saída de Flávio Bolsonaro do Brasil e aponta interesses políticos de Washington.

247 – A ex-juíza Luciana Bauer levantou a hipótese de que a saída de Flávio Bolsonaro do Brasil, após sua derrota para Luiz Inácio Lula da Silva nas eleições presidenciais, tenha contado com a participação de agentes ligados aos Estados Unidos e a Israel. Em entrevista à TV 247, Bauer afirmou que as circunstâncias do deslocamento do ex-candidato à Presidência precisam ser investigadas e apontou o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, como possível articulador da operação. A entrevistada, no entanto, não apresentou provas documentais da participação de autoridades estrangeiras.

Para Bauer, a questão central não está apenas no destino escolhido por Flávio Bolsonaro, mas na possibilidade de uma operação destinada a retirá-lo do alcance das autoridades brasileiras e permitir que ele construa, em território norte-americano, uma narrativa de perseguição política.

“Os Estados Unidos são especialistas, junto com Israel, em evadir pessoas”, declarou. Segundo ela, a hipótese de participação estrangeira ganha relevância diante das informações sobre o trajeto que Flávio teria percorrido antes de deixar o país.

A ex-juíza mencionou relatos de que o ex-candidato teria atravessado a fronteira brasileira com a Argentina pela região de Puerto Iguazú. Conforme as informações discutidas durante a entrevista, uma aeronave teria partido de Buenos Aires em direção à cidade argentina, mas não havia confirmação sobre as etapas seguintes do deslocamento.

Bauer chamou atenção para o fato de Flávio Bolsonaro ter recebido proteção da Polícia Federal durante a campanha presidencial. Segundo sua avaliação, o acompanhamento de segurança de candidatos à Presidência não necessariamente termina imediatamente após a eleição, o que tornaria necessário esclarecer como teria ocorrido a saída do país.

“Ele tem um acompanhamento constante de policiais federais que são destacados porque ele foi candidato à Presidência da República”, afirmou. A entrevistada sustentou que a existência desse acompanhamento suscita perguntas sobre os meios utilizados para realizar o deslocamento sem que houvesse uma intervenção das autoridades.

A hipótese apresentada por Bauer envolve diretamente o governo de Donald Trump. Na avaliação da ex-juíza, Marco Rubio teria interesse em garantir a presença de Flávio Bolsonaro nos Estados Unidos, sobretudo diante das possíveis consequências políticas das eleições legislativas norte-americanas, marcadas para 3 de novembro.

“O Rubio é o idealizador de toda essa fuga”, declarou. A afirmação foi apresentada como uma interpretação da entrevistada, sem comprovação independente na transcrição.

Bauer argumentou que uma eventual vitória dos democratas no Congresso poderia ampliar o escrutínio sobre a atuação internacional do governo Trump, inclusive sobre possíveis interferências no processo eleitoral brasileiro. Nesse cenário, Flávio Bolsonaro poderia desempenhar um papel na defesa política das ações da administração norte-americana.

“É essencial que ele esteja nos Estados Unidos para fazer toda a lenga-lenga de que ele é perseguido, que o Brasil é uma ditadura, uma ditadura que está perseguindo pessoas”, afirmou.

De acordo com essa interpretação, a presença do ex-candidato em território norte-americano permitiria apresentar investigações conduzidas pela Justiça brasileira como manifestações de perseguição política. Essa narrativa poderia ser utilizada para justificar o apoio prestado por integrantes do governo Trump ao bolsonarismo.

Bauer também associou a hipótese de articulação estrangeira à possibilidade de Flávio Bolsonaro solicitar proteção migratória nos Estados Unidos. Durante a entrevista, discutiu as condições para a concessão de asilo político e questionou a existência de fundamentos que justificassem esse tipo de proteção no caso do ex-candidato.

A ex-juíza diferenciou a situação de pessoas efetivamente ameaçadas por perseguição política daquela de indivíduos submetidos a investigações criminais. Para ela, a existência de procedimentos judiciais não constitui, por si só, prova de perseguição, sendo necessário demonstrar que o Estado utiliza seus instrumentos de maneira arbitrária.

“Isso é uma narrativa, porque o Flávio, mais seguro que o Flávio, gente…”, declarou, ao contestar a possibilidade de o ex-candidato sustentar que estaria desprotegido no Brasil.

Outro ponto destacado por Bauer foi a discussão sobre as medidas cautelares que poderiam ter sido adotadas pelas autoridades brasileiras diante de um eventual risco de evasão. A ex-juíza mencionou dispositivos do Código de Processo Penal relacionados à prisão preventiva, especialmente a necessidade de assegurar a aplicação da lei penal.

Na sua avaliação, a possibilidade de deslocamento para o exterior deveria ser considerada pelas autoridades responsáveis pelos procedimentos envolvendo Flávio Bolsonaro. Bauer afirmou que medidas como a apreensão de passaportes e o monitoramento do investigado poderiam ser analisadas judicialmente, desde que observados os requisitos legais.

A entrevistada também relacionou a saída de Flávio Bolsonaro ao impacto da derrota eleitoral sobre sua situação jurídica. Segundo sua interpretação, a conquista da Presidência poderia ter alterado as condições de responsabilização do então candidato, enquanto a derrota manteve a possibilidade de continuidade das investigações.

“O Flávio está fugindo da cadeia porque cometeu crimes graves e a Presidência era a única forma dele interromper essa investigação”, afirmou Bauer. Trata-se de uma acusação feita pela entrevistada, que não equivale a uma conclusão judicial sobre a prática de crimes ou sobre a motivação da viagem.

Ao analisar as consequências internacionais do episódio, a ex-juíza afirmou que a eventual permanência de Flávio Bolsonaro nos Estados Unidos poderia transformar sua situação judicial em instrumento de pressão diplomática sobre o governo Lula.

Nesse contexto, Bauer considerou que a hipótese de colaboração norte-americana não poderia ser examinada isoladamente. Para ela, seria necessário investigar tanto o percurso utilizado pelo ex-candidato quanto possíveis contatos com autoridades estrangeiras e as condições em que ocorreu sua entrada nos Estados Unidos.

A ex-juíza sustentou que o esclarecimento dessas circunstâncias é fundamental para determinar se a saída do Brasil resultou de uma decisão individual ou se houve participação de agentes externos. Sua análise aponta para a possibilidade de utilização política do episódio pelo governo Trump, mas a entrevista não apresentou elementos que permitam confirmar a existência de uma operação coordenada pelos Estados Unidos ou por Israel.

A avaliação de Bauer coloca no centro do debate a relação entre a atuação das instituições brasileiras, a proteção de sua jurisdição e os interesses políticos de governos estrangeiros. Para a ex-juíza, a questão ultrapassa a situação pessoal de Flávio Bolsonaro e envolve a possibilidade de que procedimentos judiciais brasileiros sejam utilizados como argumento em disputas políticas internacionais.

IMAGEM: CNN BRASIL

FONTE: https://www.brasil247.com/entrevistas/luciana-bauer-eua-e-israel-sao-especialistas-em-planos-de-fuga-e-podem-ter-ajudado-flavio/