Presidente aposta na votação do fim da escala 6×1 e da PEC da Segurança Pública antes do segundo turno e critica adversário e Justiça Eleitoral.
247 – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou neste domingo (11) que a próxima semana será decisiva para sua tentativa de reeleição e destacou a votação do fim da escala de trabalho 6×1 no Senado, prevista para quarta-feira (14), como um dos principais acontecimentos políticos antes do segundo turno. Durante manifestação de apoiadores na Avenida Paulista, em São Paulo, Lula também defendeu o avanço da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública, criticou o plano de cortes de gastos de seu adversário, o senador Flávio Bolsonaro (PL), e questionou decisões recentes da Justiça Eleitoral.
O presidente conversou com jornalistas antes de discursar no ato convocado pelo Partido dos Trabalhadores (PT), que teve início às 11h, em frente ao Museu de Arte de São Paulo (Masp). Lula chegou por volta das 12h30 e demonstrou confiança no resultado da disputa presidencial, marcada para 25 de outubro.
“A primeira é que nós vamos definir a nossa vitória nessa próxima semana”, declarou Lula, ao relacionar o calendário legislativo às perspectivas eleitorais de sua candidatura.
O presidente afirmou que a votação da proposta de redução da jornada de trabalho permitirá verificar a posição do PL e dos parlamentares ligados a Flávio Bolsonaro sobre a ampliação do descanso semanal dos trabalhadores.
“A segunda é que vai votar na quarta-feira o fim da escala 6×1, que é uma coisa extremamente importante para se provar como é que o partido do meu adversário vai votar. Se ele vai querer manter os trabalhadores trabalhando seis dias, descansando um, ou ele vai votar para que os trabalhadores tenham dois dias de descanso”, disse.
Lula também reagiu às informações de que integrantes da oposição estariam tentando convencer o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), a adiar a votação para depois do segundo turno.
Questionado sobre a possibilidade de conversar com Alcolumbre para garantir a deliberação, o presidente afirmou que o calendário já havia sido acertado.
“Já está conversado com o Alcolumbre, já está marcada a data da votação, portanto, a única coisa que a oposição pode fazer é demonstrar que eles vão ter coragem de votar contra ou a favor”, afirmou.
O petista acusou seus adversários de tentar evitar uma definição pública sobre a proposta antes da eleição presidencial.
“O que eles não podem é tentar protelar para enganar o povo depois das eleições. É agora. Agora é a hora da verdade. O PL tem que dizer se ele é favorável aos trabalhadores descansarem mais ou quer que os trabalhadores continuem trabalhando mais”, declarou.
A proposta em discussão no Senado prevê a redução gradual da jornada semanal de 44 para 40 horas, com duas folgas por semana e sem diminuição dos salários. O texto estabelece uma etapa intermediária de 42 horas semanais, antes de alcançar o limite de 40 horas.
A votação está prevista para quarta-feira (14), mas a aprovação definitiva da emenda constitucional depende de dois turnos no Senado, com apoio de pelo menos 49 dos 81 parlamentares. A base governista trabalha para acelerar a tramitação e concluir a análise antes da votação presidencial.
Lula defende PEC da Segurança Pública
Outro tema destacado pelo presidente foi a PEC da Segurança Pública, considerada prioritária pelo governo federal. Lula afirmou que a proposta deve avançar na Comissão de Constituição e Justiça, com uma deliberação prevista para quarta-feira, às 9h.
A iniciativa busca ampliar a capacidade de coordenação da União na segurança pública e estabelecer mecanismos de atuação conjunta entre o governo federal, os estados e os municípios.
Segundo Lula, a mudança constitucional permitirá fortalecer o enfrentamento ao crime organizado e ampliar a proteção oferecida às comunidades.
“Para o povo trabalhador, para a comunidade, para o território, proteção. Para os bandidos, prisão”, afirmou.
O presidente também defendeu uma definição mais clara das responsabilidades de cada esfera administrativa no combate à criminalidade.
“Então nós vamos definir o nosso papel, o papel do Estado, o papel do município, da segurança pública, para não permitir que o crime organizado tome conta do território”, declarou.
Lula relacionou a aprovação da proposta à criação de um Ministério da Segurança Pública, defendida por seu governo. A eventual criação da pasta, contudo, depende das medidas institucionais e legislativas necessárias, não decorrendo automaticamente da aprovação da PEC.
Presidente critica plano de cortes de Flávio Bolsonaro
Lula também voltou a questionar o ajuste fiscal defendido por Flávio Bolsonaro, a quem atribuiu a intenção de promover cortes capazes de atingir direitos sociais e benefícios destinados à população de menor renda.
O presidente utilizou a expressão “tesouraço” para caracterizar o programa econômico de seu adversário e associou os possíveis efeitos da proposta às políticas de austeridade adotadas pelo presidente argentino, Javier Milei.
“E a outra coisa importante que nós vamos poder provar é o seguinte: eu vou continuar questionando o meu adversário qual é o tesouraço que ele vai fazer, porque o tesouraço deles possivelmente seja o mesmo tesouraço do Milei na Argentina”, afirmou.
Na avaliação do petista, medidas dessa natureza poderiam comprometer a renda de aposentados, trabalhadores e famílias mais pobres. Lula não apresentou, nessa declaração, medidas específicas do programa do adversário que comprovassem os efeitos mencionados.
O presidente afirmou que pretende manter a discussão econômica no centro da campanha, cobrando esclarecimentos sobre quais despesas seriam reduzidas para viabilizar o ajuste fiscal proposto pela oposição.
Lula questiona decisão do TSE sobre canal “Exército do Lula”
O presidente também criticou a atuação do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), especialmente a decisão do ministro Kassio Nunes Marques, presidente da Corte, que determinou a suspensão do canal “Exército do Lula”, utilizado por apoiadores de sua candidatura.
Lula afirmou considerar a medida inadequada e informou que seus advogados devem buscar esclarecimentos na Justiça Eleitoral.
“Eu acho um absurdo, acho um absurdo”, declarou.
O petista manifestou desconfiança em relação ao tratamento dispensado às duas candidaturas durante a campanha e alegou perceber decisões desfavoráveis aos seus apoiadores.
“Já há alguns dias eu estou percebendo que há muitas decisões tendenciosas contra a nossa candidatura”, afirmou.
As críticas constituem a avaliação do presidente e não demonstram, por si só, a existência de parcialidade nas decisões judiciais. A suspensão do canal foi determinada no âmbito da atuação da Justiça Eleitoral sobre conteúdos divulgados durante a campanha.
Ao ser questionado sobre o desempenho das candidaturas nas plataformas digitais, Lula afirmou acreditar que sua campanha está em vantagem na mobilização de apoiadores.
“Eu vejo que nas redes sociais nós estamos ganhando o jogo. Eu sei que o nosso povo está muito ativo, está trabalhando demais, está apostando muita coisa”, disse.
O presidente declarou ainda que o PT pretende recorrer à Justiça para questionar medidas que considera prejudiciais à sua campanha.
“Não vamos aceitar intromissão indevida da Justiça Eleitoral na eleição”, afirmou.
A manifestação na Avenida Paulista integra a mobilização da campanha petista para o segundo turno. Lula busca ampliar o engajamento de seus apoiadores e concentrar o debate eleitoral em propostas relacionadas aos direitos trabalhistas, à segurança pública e à política econômica.
FOTO: Reprodução/Youtube
FONTE: https://www.brasil247.com/brasil/lula-afirma-que-semana-sera-decisiva-para-definir-a-vitoria-nas-eleilcos-e-cita-votacao-da-escala-6×1-no-senado/