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“Lula derrotou a Globo e o PIG”, diz Genoino

Ex-presidente do PT afirma que Lula reverteu a pressão da sabatina e expôs atuação política da mídia corporativa.

247 – O ex-presidente do PT José Genoino afirmou, em entrevista ao Bom Dia 247, que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva saiu vitorioso do confronto com a Globo durante a sabatina promovida pela emissora. Para ele, Lula conseguiu transformar uma entrevista marcada por questionamentos sucessivos sobre investigações e denúncias em um embate sobre o próprio papel da mídia corporativa no processo político brasileiro.

“Lula derrotou o projeto, o partido da imprensa golpista. Ele derrotou seus inquisidores, foi firme, contundente, preciso e demonstrou uma combatividade que vai influenciar muito na campanha nesse mês que falta”, declarou Genoino.

Na avaliação do ex-dirigente petista, a postura adotada pelos entrevistadores mostrou que a Globo atua para além de uma empresa jornalística e assume posições vinculadas a interesses econômicos e políticos. Genoino relacionou esse comportamento à defesa de políticas de austeridade, da financeirização da economia e de uma agenda associada ao mercado financeiro.

“A Globo é a ponta, a vanguarda da mídia golpista que defende o sistema, defende o neoliberalismo, a financeirização, o agronegócio. E eles não aceitam que o Lula seja vitorioso com muito voto, porque ele vai ter força para realizar as mudanças”, afirmou.

Segundo Genoino, Lula conseguiu modificar a dinâmica da entrevista quando passou a questionar diretamente a cobertura feita pela emissora em episódios políticos dos últimos anos. O ex-presidente do PT citou a Operação Lava Jato, o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff e a projeção concedida pela imprensa a personagens como Sergio Moro, Deltan Dallagnol e Eduardo Cunha.

Para ele, esses episódios formam parte de uma relação histórica entre grandes veículos de comunicação e disputas de poder no Brasil.

“Será que a Globo vai esperar 50 anos para pedir desculpa? Ela esperou 50 anos para pedir desculpa do golpe de 64 que ela apoiou. Ela vai esperar 50 anos para pedir desculpa da manipulação que fez com mensalão, com Lava Jato, com impeachment da Dilma e esses monstros que ela alimentou?”, questionou.

Genoino disse considerar que a sabatina perdeu o caráter de entrevista jornalística em determinados momentos e adquiriu, segundo sua interpretação, uma dinâmica semelhante à de um interrogatório.

Ele observou que parte considerável do tempo foi dedicada a assuntos relacionados a investigações e casos policiais, enquanto outros temas ligados à gestão do governo e ao cenário econômico receberam espaço menor.

“Eles que cobram programa, eles que cobram debate de programa, eles que cobram as propostas para o futuro, aí gastam 20 minutos para discutir uma questão que é da área policial”, disse.

Para Genoino, a reação de Lula foi decisiva para alterar o rumo da conversa. O presidente, segundo ele, respondeu às perguntas, apresentou sua posição sobre as investigações e passou a confrontar os pressupostos apresentados pelos entrevistadores.

O ex-presidente do PT destacou particularmente a defesa feita por Lula da presunção de inocência e da necessidade de investigação de eventuais irregularidades.

“Primeiro, não tem ninguém acima da lei. Segundo, ele defende a presunção da inocência. Terceiro, ele defende que os erros cometidos sejam apurados”, resumiu.

Genoino também comparou o comportamento da Globo ao de outros veículos e entrevistadores. Para ele, perguntas duras fazem parte da atividade jornalística, mas existe uma diferença entre uma entrevista baseada no contraditório e aquilo que classificou como uma tentativa de enquadramento político do entrevistado.

“Eles não se comportaram como jornalistas”, afirmou. “A Globo é um partido.”

Na análise de Genoino, a atuação da emissora precisa ser compreendida dentro de um sistema de comunicação concentrado em grandes grupos empresariais, com capacidade para interferir no debate público e na formação da agenda política.

“A mídia corporativa hereditária e monopolista é o partido da ordem. Ela defende os princípios da ordem neoliberal, financeirização, hegemonia dos Estados Unidos e austeridade fiscal”, declarou.

O ex-presidente do PT sustentou que a entrevista também evidenciou divergências sobre quais temas deveriam ocupar o centro da campanha eleitoral. Segundo ele, enquanto Lula tentava apresentar realizações e propostas, a sabatina insistia em assuntos capazes de colocá-lo na defensiva.

Genoino citou como exemplo o debate sobre os gastos públicos. Na visão dele, os entrevistadores buscaram pressionar Lula em torno de limites para despesas sociais sem aprofundar questões como o peso dos juros da dívida pública ou o funcionamento das emendas parlamentares.

“Eles queriam fazer uma inquisição ao presidente Lula”, afirmou.

Para Genoino, porém, o efeito político terminou sendo contrário ao pretendido. Ao resistir à pressão e confrontar os entrevistadores, Lula teria reforçado uma característica que o ex-dirigente petista considera fundamental para a reta final da campanha: a combatividade.

“Primeiro, a capacidade política do Lula, a agilidade com que ele foi entrevistado de maneira inquisitorial. Segundo, ele respondeu a todas as questões. Terceiro, ele foi combativo”, enumerou.

Segundo Genoino, essa postura pode produzir efeitos para além da audiência imediata da sabatina, já que trechos da entrevista circulam nas redes sociais e passam a integrar a disputa política desenvolvida simultaneamente na televisão, na internet e nas ruas.

“Essa combatividade que ele revelou nas entrevistas e que revelou ontem é a questão-chave para a gente ganhar essa eleição”, afirmou.

O ex-presidente do PT também contestou o tratamento dado a Lula durante a entrevista. Para ele, embora esteja concorrendo à reeleição, Lula continua ocupando a Presidência da República e deveria ter sido tratado dessa forma.

“Você poderia republicanamente dizer ‘presidente Lula, candidato à reeleição’. É a verdade”, declarou.

Genoino interpreta esse tipo de escolha como parte de uma disputa simbólica destinada a reduzir o peso político do presidente. Para ele, setores econômicos que se opõem a mudanças procuram limitar a margem de ação de Lula caso seja eleito novamente.

“O sistema quer diminuir a força do Lula para tentar forçar o Lula a negociar a ponto do seu programa”, afirmou.

Ao analisar a repercussão da entrevista, Genoino destacou que até comentaristas da própria GloboNews fizeram avaliações acima da média sobre o desempenho do presidente. Para ele, isso demonstraria que Lula conseguiu superar o formato inicialmente adverso da sabatina.

Mais do que um episódio isolado, Genoino considera que o confronto recoloca no debate o papel desempenhado pelos grandes grupos de comunicação na democracia brasileira.

“Nós temos que aprender democraticamente que nós não temos uma mídia democrática, neutra, independente. Não tem”, afirmou.

Na avaliação do ex-presidente do PT, a entrevista mostrou que Lula conseguiu inverter a posição de quem estava sob pressão e transformar a sabatina em um questionamento sobre a própria conduta da emissora.

“Eu acho que foi uma lição de política a entrevista dele diante do PIG”, concluiu.

FONTE: https://www.brasil247.com/entrevistas/lula-derrotou-a-globo-e-o-pig-diz-genoino/