Em ligação de 1h20, presidente Lula contesta sanções comerciais, apresenta dados de segurança e defende saídas diplomáticas para conflitos mundiais.
247 – O presidente Lula (PT) manteve, na manhã desta sexta-feira (21), uma conversa por telefone de uma hora e vinte minutos com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na qual trataram de temas centrais da pauta bilateral e da conjuntura geopolítica global, em um diálogo que transcorreu em tom amistoso e cordial, informa a Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom).
Durante o telefonema, o presidente Lula abordou a recente decisão do governo norte-americano de impor novas tarifas comerciais ao Brasil, decorrente de investigações conduzidas pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos. Lula enfatizou que as alegações que embasaram as medidas restritivas — as quais incluem acusações relativas a desmatamento, acordos preferenciais, propriedade intelectual, combate à corrupção, o sistema de pagamentos Pix, mercado de etanol e supostas importações de produtos fabricados com trabalho forçado — são inteiramente infundadas.
O chefe do Executivo brasileiro ressaltou que a imposição de tarifas gera prejuízos econômicos para ambos os lados e defendeu que a permanência na mesa de negociações constitui a melhor opção para as duas nações. Lula reiterou a importância do trabalho conjunto para assegurar que os Estados Unidos permaneçam entre os principais parceiros comerciais do Brasil. Em resposta, Donald Trump concordou com a relevância de preservar laços comerciais sólidos e propôs que as equipes técnicas dos dois países voltem a se reunir o mais brevemente possível para dar prosseguimento ao diálogo.
No âmbito da segurança pública e do combate às redes criminosas, Lula reiterou o interesse do Brasil em fortalecer a cooperação bilateral com os Estados Unidos. O presidente explicou que as organizações criminosas exercem um terror cotidiano sobre as populações mais carentes, mas ponderou que tais grupos não se confundem com organizações terroristas propriamente ditas. Afirmou também que o Estado brasileiro dispõe de instrumentos legais e institucionais próprios para enfrentar essa criminalidade, prescindindo de classificações ou designações especiais.
Para exemplificar a atuação do país, Lula detalhou a estratégia brasileira de asfixia financeira do crime organizado, que já alcançou a marca de cerca de R$ 17 bilhões em bens e valores apreendidos, além de citar o plano governamental de transformar 138 unidades prisionais em presídios de segurança máxima. O presidente destacou ainda a recente aprovação da Lei Antifacção, mecanismo que confere maior celeridade à apreensão de bens e passaportes de integrantes de facções, e mencionou a proposta de emenda à Constituição que visa ampliar o papel do governo federal na coordenação da segurança pública em articulação com os estados. Na dimensão regional, citou o funcionamento do Centro de Cooperação Policial Internacional da Amazônia, instalado em Manaus, que reúne representantes das forças policiais de todos os países da Bacia Amazônica.
Diante das explanações, Trump demonstrou disposição para intensificar a cooperação bilateral na área de segurança e garantiu que mobilizará autoridades de alto escalão da administração norte-americana para dar seguimento aos entendimentos firmados.
Ao abordarem a agenda internacional, os dois líderes trocaram impressões sobre os principais conflitos em curso no mundo, com destaque para os confrontos na Ucrânia e no Oriente Médio. Ambos convergiram quanto à urgência de construir uma solução negociada para a guerra entre Rússia e Ucrânia, que já se estende por quase cinco anos. Trump apresentou suas considerações a respeito das perspectivas de resolução das tensões envolvendo o Irã.
Lula, por sua vez, lamentou a inoperância do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) e propôs a convocação de uma reunião extraordinária do órgão para buscar saídas diplomáticas para as crises atuais, no mesmo sentido das propostas que já havia apresentado anteriormente aos presidentes da China, Xi Jinping, e da Rússia, Vladimir Putin. O presidente brasileiro encerrou a reflexão assinalando que os grandes líderes internacionais não são aqueles que deflagram guerras, mas sim aqueles capazes de pôr fim aos conflitos.
Foto: Ricardo Stuckert
FONTE: https://www.brasil247.com/brasil-soberano/lula-e-trump-falam-ao-telefone-e-restabelecem-negociacao/