A COP30 acontece diante do maior empecilho à guerra de rapina trumpista contra a América do Sul: a mobilização política popular de venezuelanos.
O presidente Lula, na Colômbia, na sexta-feira, em reunião com os presidentes dos países sul-americanos que compõem o universo da Amazônia, politizou internacionalmente a COP30, programada para novembro; o objetivo fundamental é a união da América Latina contra a guerra comercial e militar que o ditador Trump detonou contra ela. Nesse momento, o Planalto chama os BRICS para participar do evento, fortalecendo-o como fator geopolítico do sul global; por sua vez, os BRICS soltam nota conjunta para apoiar a COP30, liderada pelo presidente Lula.
Brasil, Venezuela, Colômbia e o México, vizinho do gigante incômodo, são os mais afetados pela guerra de rapina organizada por Trump contra a América do Sul; o presidente decidiu atacar: os navios de guerra americanos já estão nas águas do Caribe, fortemente armados, para intensificar a provocação terrorista imperialista contra o governo Maduro e desestabilizar, simultaneamente, o poder amazônico continental.
Acendeu-se o alerta vermelho; Lula acelerou contatos com o governo Maduro, contra o qual nutre desavenças historicamente recentes; o ataque trumpista, no entanto, une Lula e Maduro novamente; afinal, o que acontecer na Venezuela terá reflexos diretos no Brasil, vice-versa e em todo o continente sul-americano.
GUERRA SUL-AMERICANA
Trump está abrindo guerra contra a América do Sul, por meio de escapismos e mentiras para enganar seu eleitorado, ao qual prometeu não se meter em guerras, como fizera seu antecessor, Joe Biden; porém, faz o contrário: as palavras de campanha vão com o vento diante dos fatos contingentes. A guerra é necessária para movimentar a economia capitalista americana, que depende do dinamismo econômico bélico e espacial como combustível geopolítico essencial. Trump abre nova guerra; precisa aliviar pressões internas provenientes dos aumentos de preços produzidos pelas importações mais caras decorrentes do tarifaço, que está saindo pela culatra; desvia para a guerra sul-americana a atenção dos preços das importações que estão subindo e pressionando a inflação nos Estados Unidos.
ADEUS BC INDEPENDENTE
Trump pressionou o presidente do BC americano, Jerome Powell, para que reduza a taxa de juros. Juros mais baixos diminuem a pressão inflacionária, favorecem a criação de empregos, investimentos e lucros, além de valorizar ações de empresas das quais Trump é cotista. Segundo informações de mercado, ele teria lucrado 100 milhões de dólares com investimentos especulativos. O presidente mobiliza as corporações que financiam o fascismo trumpista para ampliar a oligopolização e a concentração de capital, expandindo privatizações em todo o mundo em favor do capital americano. Ao mesmo tempo, mobiliza essas corporações para derrubar Maduro e Lula e tomar o petróleo venezuelano. É a nova guerra sul-americana, destinada a aliviar as pressões internas. Trump precisa vencer as eleições de meio de mandato no próximo ano para continuar sendo o “rei do mundo” e tentar outro mandato. A periferia capitalista paga a conta dessa megalomania imperialista.
MOBILIZAÇÃO SOCIALISTA POPULAR X TRUMPISMO
A COP30, presidida por Lula, acontece diante do maior empecilho à guerra de rapina trumpista contra a América do Sul: a mobilização política popular de 4,5 milhões de venezuelanos para defender a pátria agredida por Trump. O continente sul-americano entrará em ebulição política. A arma de Maduro é o socialismo chavista, que aceleraria transformações revolucionárias pelo continente, promovendo mudanças. Haveria alteração de regime com apoio popular, ideologicamente mobilizado pelo bolivarianismo nacionalista. Trump tenta cooptar a direita e a ultradireita venezuelanas, distribuindo dinheiro para derrubar Maduro. Alimenta rebeliões internas terroristas para alcançar esse objetivo; afinal, pelo voto, Maduro não cai. Recentemente, o PSUV – Partido Socialista – venceu na maioria dos distritos venezuelanos, em eleições democráticas regionais. O chavismo deu um banho. A força do presidente bolivariano está nas ruas, com o povo armado para uma eventual guerra. Portanto, diante da agressividade trumpista, a América do Sul vira um barril de pólvora.
BRICS: NOVA GOVERNANÇA E SEGURANÇA MILITAR CONTINENTAL
A COP30 irrita Trump porque, sob a presidência de Lula, integrante dos BRICS, evidencia-se que a China ganha cada vez mais espaço por meio de seu aliado lulista. Washington não quer ampliar o prestígio de Lula, empenhado na defesa do meio ambiente, tema irrelevante para Trump. Chegou, portanto, a hora da diplomacia mais ousada: a aliança dos BRICS com a COP30, cujos objetivos são compatíveis em política ambiental, em contraposição a Trump, que quer carbonizar o mundo. O BRICS dentro da COP30 reforça a defesa da América Latina contra a guerra comercial e militar declarada por Trump ao continente sul-americano. É o preço do aumento da espoliação, por meio de ditaduras fascistas comandadas pela ultradireita, como a bolsonarista, de caráter antinacional e antipatriótico. É o que se vê na farsa da anistia ao ex-presidente para justificar a tentativa de golpe por meio de legislação americana. Trump lê a COP30 pela lente da ultradireita: é o nacionalismo lulista apoiado por Pequim para dominar a América Latina e remover a Doutrina Monroe.
GUERRA NEOCOLONIAL
Lula, na COP30, estará no centro da guerra neocolonial que Trump move contra a Venezuela, o Brasil e a Colômbia. Esse foi o tema central do encontro entre Lula e Noboa, do Equador, na semana passada. Embora ideologicamente adversários, os dois países têm a Amazônia como seu principal patrimônio.
O presidente brasileiro defende uma solução econômica de viés social-democrata para a utilização das florestas, pregando a criação de um fundo financeiro cujos principais cotistas seriam os investidores da Amazônia. Certamente, fundos internacionais já demonstram interesse em monetizar as riquezas do solo e subsolo amazônicos.
Haveria consenso em torno dessa proposta entre os oito países que formam a Organização do Tratado de Cooperação Amazônica (OTCA)? Maduro e Petro, da Colômbia, ambos de esquerda socialista, teriam objeções a Lula, que se posiciona no campo de centro-esquerda, próximo dos liberais democratas americanos, adversários de Trump?
SEGURANÇA CÍVICO-MILITAR
A agressividade imperialista trumpista cria um momento histórico em que os países sul-americanos amazônicos precisam urgentemente se unir em torno de uma política de segurança continental.
Até agora, estiveram – e ainda estão – sob o guarda-chuva de Washington em matéria de segurança estratégica continental, garantida pelo dólar. As Forças Armadas latino-americanas, em geral, monitoradas pelo Comando Militar do Sul dos Estados Unidos, seguem, desde o fim da Segunda Guerra Mundial, a doutrina de desarmamento estratégico imposta pelo império.
Diante de Trump, essa doutrina imperialista se torna armadilha de destruição. A independência nacional na América do Sul está em risco de colapso.
Atualmente, três navios de guerra americanos estão estacionados no mar do Caribe para assaltar a Venezuela sob falsos pretextos. O verdadeiro objetivo é dominar o petróleo; a aparência é acusar Maduro de terrorismo e envolvimento com o narcotráfico. Trump ignora deliberadamente que a Venezuela, segundo a Cepal, é campeã no combate ao tráfico de drogas.
CONTINENTE DESARMADO REQUER POLÍTICA NACIONAL DE DEFESA
A América Latina, desarmada, salvo a Venezuela, torna-se presa fácil para os Estados Unidos. Maduro resiste com o poder bolivariano chavista, sustentado pelo PSUV, que arma a população.
Trump pressiona Lula a decidir por uma Política Nacional de Defesa, colocando-a em prática. Institucionalmente, ela já existe e foi aprovada pelo Congresso.
Em 2005, o Legislativo aprovou a Política Nacional de Defesa (PND), após ampla discussão com militares, sindicatos, empresários, trabalhadores e parlamentares. Em 2007, foi a vez da Doutrina Militar de Defesa (DMD). Em 2012, os congressistas aprovaram o Livro Branco de Defesa Nacional.
A esquerda, portanto, tem um Programa Nacional de Defesa aprovado pelo Congresso nos governos Lula e Dilma. Falta debatê-lo e implementá-lo. O objetivo central da PND é alavancar a industrialização nacional puxada pela indústria de defesa, dinamizando a inovação tecnológica em sintonia com a vanguarda científica mundial.
O império americano é o verdadeiro empecilho à expansão da indústria de defesa nacional. Geisel rompeu acordo militar com os Estados Unidos quando Washington vetou o Acordo Nuclear Brasil-Alemanha. Ou seja, já existe antecedente histórico de rompimento entre Brasil e EUA. O essencial é Lula comandar o diálogo com as Forças Armadas à luz das novas circunstâncias, em que os EUA se transformam em agressores abertos da América do Sul. Recentemente, a Casa Branca suspendeu uma conferência de segurança com militares brasileiros. Qual alternativa?
ALIANÇA ALTERNATIVA
Maduro já se alia à Rússia e à China, saindo da órbita americana. Lula seguiria esse rumo diante de Trump disposto a derrubá-lo com base na imperialista Lei Magnitsky?
O histórico de resistência militar brasileira pesa neste momento de alta temperatura política. As situações encontram seus próprios limites nas circunstâncias emergentes.
Trump força Lula, no contexto da COP30, a buscar emergencialmente uma Política Nacional de Segurança. Afinal, a doutrina ideológica do desarmamento vendida por Washington à periferia capitalista caducou.
Debater a segurança continental sob a ótica da Unasul torna-se um imperativo categórico para enfrentar a agressão imperialista trumpista.
FOTO: Ricardo Stuckert/PR // Wikimedia Commons
FONTE: https://www.brasil247.com/blog/lula-poe-brics-na-cop30-para-fortalecer-america-do-sul-contra-trump