Presidente criticou a venda de ativos estratégicos e apontou a necessidade de regulação estatal para conter os preços dos combustíveis.
247 – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a criticar duramente o processo de privatização da BR Distribuidora e adiantou a intenção do governo federal de reaquistas de controle e instrumentos de intervenção no setor de combustíveis e gás de cozinha, segundo declarações dadas durante entrevista concedida a um pool de comunicadores alternativos nesta quarta-feira (30). Na avaliação do chefe do Executivo, a entrega do patrimônio público comprometeu os mecanismos estatais de fiscalização e regulação de preços para a população.
Durante a conversa com os veículos alternativos, Lula argumentou que a ingerência geopolítica e conflitos internacionais têm impacto direto sobre o custo de vida dos brasileiros, afetando itens básicos da cesta básica. “A inflação dos alimentos tem que cair cada vez mais. E temos um problema hoje extra-Brasil, que é a guerra na Ucrânia e o Estreito de Ormuz”, apontou o presidente, responsabilizando intervenções militares externas por oscilações no mercado energético global.
Ao mencionar as decisões geopolíticas tomadas pelos Estados Unidos, o mandatário brasileiro criticou a condução das tensões no Oriente Médio. “Trump foi se meter a matar o Khamenei e disse ‘acabou a guerra’. Não, a guerra começou. Ele não tinha noção do Estreito de Ormuz, que o preço do combustível ia subir”, afirmou Lula.
Para evitar o repasse integral dessas altas internacionais ao consumidor final, o presidente destacou o esforço financeiro empreendido pela União para amortecer os impactos sobre os preços domésticos. “Estamos pagando aqui no Brasil R$ 47 bilhões de subsídio para não deixar o preço da gasolina e do diesel chegar no seu bolso, no preço do feijão”, explicou o chefe do Executivo.
Apesar dos subsídios governamentais, o mandatário ressaltou que a perda de estatais estratégicas reduziu a capacidade de fiscalizar e coibir eventuais abusos de margem no mercado distribuidor. “Mas ficou mais difícil fiscalizar, porque eles privatizaram a BR. E aí não tem como fiscalizar. Na semana passada fizemos reunião com todos os órgãos de fiscalização”, revelou o presidente.
Frente a esse diagnóstico, Lula anunciou a intenção de retomar a atuação direta do Estado no segmento de distribuição e regulação de preços. “Eu vou comprar uma distribuidora. Vou comprar outra vez. Eu tinha comprado uma de gás e eles venderam. Era para regular. O gás até outro dia saía da Petrobras a R$ 35 e chegava a qualquer estado a R$ 150. O governo tem que cuidar disso”, garantiu.
Ao questionar a utilidade e os beneficiários do processo de desestatização da distribuidora de combustíveis, o presidente apontou os prejuízos de imagem e financeiros gerados ao setor público. “Por que venderam a BR? Quem ganhou com a privatização da BR? Foi vendida e eles ainda usam o nome [da Petrobras]. Quando aumenta o preço, o povo pensa que é o governo que está aumentando”, desabafou.
Por fim, o chefe do Governo Federal assegurou que sua gestão atuará para reestabelecer o papel estratégico do Estado na garantia de preços acessíveis e serviços essenciais. “Nós vamos reconquistar nosso direito de controlar essas coisas que são obrigação do Estado garantir que chegue ao povo com um preço justo”, concluiu Lula.
FOTO: Ricardo Stuckert/PR
FONTE: https://www.brasil247.com/brasil/lula-questiona-privatizacao-da-br-e-promete-comprar-uma-distribuidora/