Presidente avalia que impedir vitória de Tarcísio no primeiro turno pode evitar impulso eleitoral da direita na disputa presidencial.
247 – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva acompanha com atenção o cenário eleitoral em São Paulo e considera decisiva a construção de um palanque competitivo da esquerda no estado. A avaliação no Palácio do Planalto é de que o desempenho paulista terá reflexos diretos na corrida presidencial, especialmente se a disputa pelo governo estadual for definida já no primeiro turno. As informações são da CNN Brasil.
Segundo análise do presidente, uma eventual reeleição do governador Tarcísio de Freitas ainda na primeira etapa do pleito daria à direita uma vantagem estratégica no plano nacional.
A preocupação central de Lula é que, sem a necessidade de enfrentar um segundo turno estadual, Tarcísio teria mais tempo e capacidade de articulação política para atuar diretamente na eleição presidencial. Nesse cenário, o governador poderia mobilizar prefeitos e vereadores paulistas em favor do candidato da direita, ampliando o alcance da campanha nacional.
Por esse motivo, Lula tem defendido a escolha de um nome capaz de levar a disputa em São Paulo para o segundo turno, repetindo o cenário de 2022. O presidente tem insistido na possibilidade de o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, assumir a candidatura, lembrando que ele conseguiu estender a eleição estadual para a etapa final no último pleito.
Haddad, no entanto, demonstra resistência em deixar o cargo no governo federal para entrar novamente na disputa paulista, posição que vem gerando incômodo no presidente. Diante dessa dificuldade, Lula passou a trabalhar com alternativas dentro do próprio ministério.
Entre os nomes considerados como opção estão a ministra do Planejamento, Simone Tebet, e o ministro do Empreendedorismo, Márcio França. Durante uma viagem oficial ao Panamá, Lula conversou diretamente com Tebet sobre o cenário eleitoral, mas ainda não formalizou qualquer decisão.
A definição, segundo interlocutores do Planalto, ficará condicionada à análise de novas pesquisas eleitorais. O presidente aguarda os levantamentos para avaliar o potencial de cada nome antes de bater o martelo sobre a candidatura em São Paulo.
Mesmo entre dirigentes do Partido dos Trabalhadores, há ceticismo quanto à possibilidade de derrotar Tarcísio de Freitas no estado. A estratégia, portanto, não se concentra necessariamente na vitória, mas em evitar que a eleição paulista funcione como um fator de fortalecimento da direita no plano nacional.
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
FONTE: https://www.brasil247.com/regionais/sudeste/lula-ve-segundo-turno-em-sp-como-peca-chave-na-eleicao-presidencial