O dia que a balança brasileira virou.
A balança comercial brasileira de abril teve o maior superávit desta data desde 1989: US$10,5 bilhões. E ninguém quer falar do motivo real.
China comprou 32,5% mais que em abril de 2025. EUA caíram 11,3% nas exportações e 18,1% nas importações. União Europeia recuou 1,7%. O eixo da balança comercial brasileira virou – sem manchete, sem cerimonia.
A causa e mecanica, não retorica.
Em agosto de 2025, Trump elevou a tarifa sobre produtos brasileiros de 10% para 50%. Cafe, laranja, carne bovina, pescado: barreira no porto americano. Quem precisa comprar soja, minério, petróleo? China. Capacidade real, não retorica diplomática.
Em abril, soja brasileira para China bateu US$6,96 bilhões (+18,8%). Petróleo: volume caiu 10,6% mas preço subiu 17,2% por causa de Hormuz, e a receita brasileira ganhou US$459 milhões só no mes. Mineração chinesa no Brasil triplicou em 2025:
US$1,76 bilhão (+216%). Níquel, cobre, ouro.
Mas o que ninguém disse foi onde o capital chines está indo.
US$6,1 bilhões em 2025, maior nivel desde 2017, segundo o CEBC. Setor eletrico levou 29,5%. Mineração, 29%. Automotivo, 15,8%. GWM e BYD compraram fábricas que eram da Mercedes e da Ford. Vivo Mobile lançou marca Jovi pra disputar smartphone aqui. Não e só comércio. E montagem de cadeia produtiva dentro do Brasil.
Quem tem ativo exportavel – agro, mineração, alimentos, energia – opera hoje com dois mercados de saida com valuation distinto. Janela China subiu: family office em Pequim olha sua empresa como peca da cadeia global de descarbonização. Atlântico Norte travou: fundo americano ve o mesmo ativo punido por tarifa.
Em 2023, quem decidia o valor do seu ativo era o mercado americano. Em 2026, e o cargueiro saindo de Santos para Shanghai. Quem segue benchmark MSCI Latam ou ETF DXY perdeu o mapa real do proprio patrimônio.
Trump fechou a porta. Pequim agradeceu. E o seu portfolio precisa decidir de que lado dessa porta está.
Foto: Ricardo Stuckert
FONTE: https://www.instagram.com/p/DYFYwE-jo3h/?img_index=1