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Marco Fernandes: “Dilma resgatou o banco dos BRICS”

Jornalista afirma que gestão de Dilma Rousseff recolocou o NDB no centro do debate global e retomou capacidade de financiamento.

247 – O jornalista Marco Fernandes, correspondente do Brasil de Fato em Moscou, em entrevista ao Bom Dia 247 afirmou que a ex-presidenta Dilma Rousseff teve papel decisivo na recuperação do Novo Banco de Desenvolvimento (NDB), conhecido como banco dos BRICS, desde que assumiu a presidência da instituição, em 2023.

Segundo ele, Dilma encontrou um banco paralisado e conseguiu recolocá-lo no centro das discussões internacionais sobre financiamento e desenvolvimento do Sul Global.

“O banco estava praticamente parado. Quando a Dilma chegou, em março de 2023, o NDB não captava recursos havia catorze meses. Um banco de desenvolvimento sem captar recursos está fechado”, declarou.

Fernandes acompanhou em Moscou a reunião anual do conselho de governadores do NDB e afirmou que a presença de Dilma elevou o peso político da instituição no cenário internacional.

“O banco nunca esteve tão presente na esfera pública e no debate internacional quanto agora. E isso tem relação direta com a presença da presidenta Dilma, que é uma liderança global”, afirmou. “Ela fala diretamente com Xi Jinping, Putin, Lula. Isso deu outra dimensão ao banco.”

O jornalista destacou que, além de retomar operações financeiras, a gestão Dilma ampliou o alcance político do NDB dentro da estratégia dos BRICS. Segundo ele, uma das principais decisões da reunião deste ano foi incorporar formalmente a soberania tecnológica entre as missões do banco.

“Até então, o banco estava muito focado em sustentabilidade e transição energética. Agora, pela primeira vez, a soberania tecnológica entrou oficialmente como missão do NDB”, explicou. “Isso significa que o banco passa a discutir inteligência artificial, tecnologia e financiamento estratégico.”

Fernandes também afirmou que o processo de expansão da instituição segue em andamento. Segundo ele, Colômbia, Indonésia e Uzbequistão devem ingressar no banco nos próximos meses, enquanto o Irã tenta obter consenso político para entrar na instituição.

Apesar dos avanços, o jornalista avaliou que o NDB ainda enfrenta limitações estruturais. “O banco avançou muito, mas continua pequeno diante do tamanho das economias que representa”, afirmou.

Segundo ele, o NDB projeta captar cerca de US$ 35 bilhões nos próximos cinco anos, valor considerado insuficiente diante da dimensão econômica do grupo.

“Estamos falando de um banco que reúne quatro das oito maiores economias do mundo em paridade de poder de compra. Mesmo assim, projeta captar cerca de sete bilhões de dólares por ano. O Banco Mundial capta mais de cem bilhões anuais”, comparou.

Marco Fernandes também apontou que o banco continua subordinado às regras do sistema financeiro internacional dominado por Wall Street. Ele citou críticas feitas durante a reunião pelo vice-primeiro-ministro russo Alexei Overchuk sobre a dependência das agências de rating dos Estados Unidos.

“O próprio governo russo levantou a pergunta: por que os BRICS ainda não criaram sua própria agência de classificação de risco?”, relatou.

Segundo Fernandes, Dilma tem consciência desses limites e sabe que mudanças mais profundas dependem dos chefes de Estado dos países-membros.

“Ela sabe que há coisas que precisam avançar, mas que não dependem apenas dela. Dependem de decisões políticas dos governos dos BRICS”, afirmou.

Ainda assim, o jornalista avaliou que a atuação da ex-presidenta brasileira foi determinante para impedir o esvaziamento do banco. “O esforço dela para recuperar o NDB foi gigantesco. O banco voltou a existir politicamente.”

Foto: (Divulgação)

FONTE: https://www.brasil247.com/entrevistas/marco-fernandes-dilma-resgatou-o-banco-dos-brics