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Master era “máfia fantasiada de banco”, afirmam investigadores da PF

Investigadores apontam estrutura hierarquizada no Banco Master e dizem que provas já reunidas reduzem espaço para delação de Daniel Vorcaro.

247 – A Polícia Federal avalia que o esquema investigado no caso Banco Master funcionava como uma “máfia fantasiada de banco”, com estrutura hierarquizada, divisão de tarefas e atuação profissionalizada. Segundo investigadores, as provas reunidas até agora permitiram mapear diferentes frentes do grupo e reduziram o interesse em uma eventual delação premiada de Daniel Vorcaro, informa Andréia Sadi, no G1.

Os investigadores suspeitam que a organização ligada a Vorcaro não se limitava às irregularidades financeiras atribuídas ao Banco Master. As apurações também alcançam um possível núcleo voltado à intimidação de jornalistas, ao monitoramento de pessoas próximas a autoridades e à obtenção ilegal de dados protegidos por sigilo.

A expressão “máfia fantasiada de banco” passou a ser usada nos bastidores da investigação para descrever o grau de organização identificado no material recolhido pelas autoridades. A percepção é de que o grupo operava de maneira semelhante a uma grande empresa, com funções definidas, responsabilidades distribuídas e diferentes setores encarregados de executar ações específicas.

Os celulares apreendidos nas operações se tornaram uma das principais fontes de informação para os investigadores. O conteúdo dos aparelhos teria permitido reconstruir etapas do funcionamento do esquema, identificar os responsáveis por determinadas tarefas e localizar projetos que chegaram a ser planejados, mas não foram executados.

Integrantes da investigação passaram a tratar os dados extraídos dos dispositivos como um “mapa do crime”, diante da quantidade de informações sobre contatos, estratégias e iniciativas atribuídas ao grupo. A análise dos arquivos, mensagens e registros digitais ainda está em andamento e pode abrir novas linhas de apuração.

Propostas de delação foram rejeitadas

O avanço sobre o material apreendido ajuda a explicar por que duas propostas de colaboração premiada apresentadas por Daniel Vorcaro foram recusadas. Na avaliação dos investigadores ouvidos pelo blog, as informações oferecidas pelo empresário não traziam elementos relevantes que já não fossem conhecidos pelas autoridades.

Outro ponto considerado determinante foi a postura atribuída a Vorcaro durante as negociações. Segundo os responsáveis pela apuração, o empresário não teria assumido responsabilidade pelos fatos investigados nem reconhecido a existência dos crimes apontados no inquérito.

A delação premiada depende da capacidade do investigado de apresentar informações novas, comprovar ilícitos, indicar outros envolvidos e contribuir efetivamente para o avanço das investigações. No caso de Vorcaro, a avaliação predominante é de que o material entregue até agora não preencheria esses requisitos.

Investigadores comparam o atual estágio da apuração a outras operações de grande alcance realizadas no país, entre elas a Lava Jato. O argumento é que o volume e o nível de detalhamento das provas já obtidas permitem que as autoridades prossigam sem depender da colaboração do principal investigado.

Defesa tenta reabrir negociações

Apesar das duas recusas, a defesa de Daniel Vorcaro ainda busca alternativas para retomar as conversas sobre uma possível colaboração. Nos bastidores, porém, investigadores consideram que a possibilidade de um acordo está praticamente encerrada, ao menos nas condições apresentadas até agora.

Para que o cenário seja alterado, o empresário teria de entregar fatos desconhecidos, documentos ou informações capazes de ampliar significativamente o alcance da investigação. Sem uma contribuição considerada efetiva, a tendência é que a PF e os demais órgãos envolvidos mantenham o foco na análise das provas obtidas durante as operações.

A suspeita de existência de uma estrutura destinada a pressionar jornalistas e acessar informações sigilosas ampliou a dimensão do caso. Os investigadores apuram se integrantes do grupo utilizavam dados privados para constranger pessoas, produzir dossiês e acompanhar a rotina de alvos considerados estratégicos.

A organização do esquema, segundo a avaliação apresentada aos investigadores, não teria caráter improvisado. A existência de uma cadeia de comando e de pessoas designadas para diferentes tarefas reforça a hipótese de funcionamento contínuo e coordenado.

Com a perícia nos equipamentos eletrônicos ainda em curso, a expectativa é que novas informações sejam incorporadas ao inquérito. O conteúdo já analisado, no entanto, teria consolidado entre os investigadores a avaliação de que o caso Banco Master envolve uma organização complexa, com atuação que ultrapassava as atividades formais de uma instituição financeira.

FOTO: Reprodução

FONTE: https://www.brasil247.com/brasil/master-era-mafia-fantasiada-de-banco-afirmam-investigadores-da-pf/