Associação Brasileira dos Jornalistas

Seja um associado da ABJ. Há 16 anos lutando pelos jornalistas

Milhões saem às ruas contra Trump num dos maiores protestos da história dos Estados Unidos

Estima-se que até 9 milhões de pessoas tenham ido às ruas contra a destruição da democracia, a guerra contra o Irã e a estupidez da extrema-direita.

247 – Milhões de pessoas tomaram as ruas dos Estados Unidos e de diversos países neste sábado (28) em uma das maiores jornadas de protesto da história recente contra o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Sob o lema “No Kings” (“Sem reis”), as manifestações denunciaram o avanço autoritário da Casa Branca, a escalada militar contra o Irã, a repressão a imigrantes e o ambiente de deterioração democrática impulsionado pela extrema-direita. As informações são da CBS News e da Associated Press. Estima-se que os protestos tenham reunido 9 milhões em vários estados.

Os atos ocorreram nos 50 estados norte-americanos, com mais de 3.100 eventos registrados, além de mobilizações em mais de uma dezena de países. Organizadores estimaram que até 9 milhões de pessoas participaram das manifestações, evidenciando a amplitude da rejeição ao trumpismo e às suas políticas consideradas agressivas e antidemocráticas.

Minnesota se torna símbolo da resistência

O principal foco dos protestos foi St. Paul, em Minnesota, estado que se tornou um centro de resistência após a morte de Renee Good e Alex Pretti, atingidos por agentes federais durante ações ligadas à política migratória do governo Trump. O episódio desencadeou revolta popular e mobilizações contínuas.

Milhares de pessoas ocuparam o entorno do Capitólio estadual, formando uma multidão que se estendia por ruas e áreas públicas. Muitos manifestantes carregavam bandeiras dos Estados Unidos invertidas, um símbolo histórico de alerta e angústia nacional.

O músico Bruce Springsteen foi a principal atração do ato e apresentou a canção “Streets of Minneapolis”, composta em resposta às mortes. Antes da apresentação, ele afirmou: “A força de vocês e o compromisso de vocês nos mostraram que isto ainda é a América” e acrescentou: “E este pesadelo reacionário, e essas invasões de cidades americanas, não vão prevalecer.”

O evento também contou com a presença de Joan Baez, Jane Fonda e do senador Bernie Sanders, além de ativistas e lideranças políticas. Segundo os organizadores, mais de 200 mil pessoas participaram do ato em St. Paul, superando os números da Marcha das Mulheres de 2017.

Protestos se espalham por todo o país

As manifestações ocorreram em grandes cidades como Nova York, Chicago, Filadélfia e Washington, mas também em pequenas localidades de estados conservadores, demonstrando que a oposição ao governo Trump se espalha por diferentes regiões do país.

Em Filadélfia, milhares de pessoas ocuparam o centro da cidade e interromperam o trânsito. Em Chicago, organizações civis lideraram grandes atos. Em San Diego, cerca de 40 mil pessoas participaram de uma marcha, segundo autoridades locais.

Na capital Washington, manifestantes caminharam do Lincoln Memorial até o National Mall com cartazes como “Abaixe a coroa, palhaço” e “A mudança de regime começa em casa”, entoando palavras de ordem contra o autoritarismo.

Críticas à política de Trump e reação oficial

Entre as principais reivindicações estavam o fim da guerra no Irã, a reversão de políticas migratórias consideradas agressivas e a defesa de direitos civis, incluindo os da população transgênero.

A diretora executiva da New York Civil Liberties Union, Donna Lieberman, afirmou durante coletiva: “Eles querem que tenhamos medo, que acreditemos que não há nada que possamos fazer para detê-los” e completou: “Mas sabem de uma coisa? Eles estão errados — completamente errados.”

A Casa Branca reagiu minimizando os protestos. A porta-voz Abigail Jackson declarou: “As únicas pessoas que se importam com essas sessões de terapia contra Trump são os repórteres pagos para cobri-las.”

Ironia e criatividade contra o autoritarismo

Os atos também foram marcados por ações criativas. Em Washington, um grupo fantasiado de insetos usava coletes com a sigla “LICE”, em referência ao ICE (Serviço de Imigração e Alfândega), em tom de sátira.

O participante Bill Jarcho explicou: “O que oferecemos é zombaria ao rei” e acrescentou: “Trata-se de pegar o autoritarismo e ridicularizá-lo, algo que eles detestam.”

Segundo os organizadores, dois terços dos participantes vieram de regiões fora dos grandes centros urbanos, incluindo estados tradicionalmente conservadores, o que indica uma ampliação da base de oposição ao governo Trump.

Mobilização global contra Trump e a guerra

Os protestos também ocorreram em diversos países. Em Roma, milhares marcharam contra políticas conservadoras e em defesa da democracia. Em Paris, centenas de pessoas — incluindo norte-americanos residentes na França — se reuniram na Bastilha.

A organizadora Ada Shen declarou: “Eu protesto contra todas as guerras intermináveis de Trump, ilegais, imorais, imprudentes e irresponsáveis.”

Em Londres, manifestantes exibiram cartazes como “Parem a extrema-direita” e “Levantem-se contra o racismo”, associando a guerra no Irã ao avanço de forças ultrarreacionárias.

Um movimento de massa contra a extrema-direita

A dimensão dos protestos revela um cenário de forte contestação ao governo Trump. Para milhões de pessoas, suas políticas representam uma ameaça direta à democracia, aos direitos civis e à estabilidade global.

A mobilização “No Kings” se consolida, assim, como um dos maiores movimentos de contestação popular da atualidade, reunindo multidões contra a guerra, o autoritarismo e o avanço da extrema-direita nos Estados Unidos e no mundo.

FOTO: Victor Grigas

FONTE: https://www.brasil247.com/mundo/milhoes-saem-as-ruas-contra-trump-num-dos-maiores-protestos-da-historia-dos-estados-unidos