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Nível de endividamento brasileiro chega ao maior índice histórico

O cenário financeiro do Brasil atingiu um ponto crítico no início de 2026. Segundo dados da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) e do Banco Central, o endividamento das famílias brasileiras igualou seu *recorde histórico, atingindo a marca de *79,5% em janeiro. Isso significa que, de cada 10 famílias, quase 8 possuem algum tipo de dívida (cartão de crédito, carnês, empréstimos ou financiamentos).

Por que chegamos a esse nível recorde?

Diferente de outros momentos da história, o recorde atual não é causado apenas pelo “consumismo”, mas por uma combinação de fatores estruturais:
  • Juros Elevados (Selic): Com a taxa Selic em patamares altos (em torno de 15% ao ano), o custo do crédito disparou. O que era uma dívida pequena vira uma “bola de neve” rapidamente.
  • O “Vilão” Cartão de Crédito: Ele continua sendo a principal forma de dívida, presente em 85,4% das famílias endividadas. Muitas pessoas o utilizam como complemento de renda para despesas básicas (supermercado, farmácia).
  • Comprometimento de Renda: Em média, o brasileiro gasta cerca de 29,7% do que ganha apenas pagando parcelas e juros, sobrando menos para girar a economia.
  • Custo de Vida: Apesar da inflação estar sob relativo controle, o preço de itens essenciais acumulado nos últimos anos pressiona o orçamento das famílias de baixa renda.

O Raio-X da Dívida em 2026

Para entender a gravidade, veja como o problema se distribui:
Indicador Situação Atual (Jan/2026)
Famílias Endividadas 79,5% (Recorde Histórico)
Famílias Inadimplentes (contas em atraso) 29,4%
Sem condições de pagar 12,7% das famílias
Principal modalidade Cartão de Crédito (85,4%)

Consequências para a Economia

Este endividamento recorde gera um efeito cascata que trava o crescimento do país:
  1. Consumo Travado: Com quase 30% da renda “presa” em boletos, as pessoas param de comprar eletrodomésticos, roupas e serviços, o que desestimula o comércio e a indústria.
  2. Risco de Crédito: Os bancos tornam-se mais seletivos e aumentam ainda mais os juros para compensar o risco de calote, dificultando novos empréstimos.
  3. Dívida Pública: Não são só as famílias; a Dívida Pública Federal também bateu recordes, superando os R$ 8,6 trilhões, o que limita a capacidade do governo de investir em programas sociais ou infraestrutura.
Nota de Alerta: O dado mais preocupante de 2026 é o tempo médio de atraso, que subiu para quase 65 dias. Isso indica que as famílias estão levando mais tempo para conseguir “limpar o nome”, sinalizando um esgotamento financeiro.
FOTO: Joédson Alves/Agência Brasil FONTE: Agência de Notícias ABJ – Associação Brasileira dos Jornalistas ( Reprodução autorizada mediante citação da fonte: Agência de Notícias ABJ – Associação Brasileira dos Jornalistas )