Recuo dos Estados Unidos no Oriente Médio abre espaço para ascensão de China, Rússia e Irã e acelera rearranjo geopolítico global centrado no eixo dos BRICS.
Cara de pau!
O presidente Donald Trump, depois de jogar a toalha no Irã, porque não está podendo ir às últimas consequências na guerra, sob pena de jogar o mundo no precipício, especialmente os Estados Unidos, decidiu largar tudo para lá.
Inaugura o Reinado de Murici: cada um por si.
Como os Estados Unidos são autossuficientes em petróleo, não precisando, no curto e médio prazo, do petróleo do Oriente Médio, além de, agora, estarem no controle das reservas petrolíferas da Venezuela, as mais ricas do mundo, Trump larga todos os aliados à sua própria sorte.
O problema é o Estreito de Ormuz, por onde passam 20% do abastecimento mundial?
Cada país que negocie com o Irã se pode ou não passar pelo Estreito.
Os aliados dos Estados Unidos no Oriente Médio agora estão com suas bases de refino detonadas pelos supersônicos lançados pelo Irã?
Que se virem!
As monarquias reacionárias do Golfo Pérsico, que confiavam na força americana para protegê-las, ficaram órfãs.
Terão que ir a Teerã negociar com a poderosa Guarda Iraniana, a que realmente detém o poder no país.
As bases americanas, igualmente bombardeadas pelo governo iraniano, serão reconstruídas por Washington?
Por que Trump vai investir nelas, se perde a guerra, sendo obrigado, para reconstruí-las, a alocar bilhões, sobre os quais não tem certeza de que conseguirá administrá-las, no novo contexto, em que está sem segurança para tal empreitada?
Trump, simplesmente, com sua decisão, no novo Reinado de Murici, vai, certamente, cuidar do seu quintal — a América Latina — com mão de ferro, endurecendo a Doutrina Monroe, como já faz com a Venezuela.
O Oriente Médio, onde o petrodólar se afoga no Estreito de Ormuz, que se vire sozinho.
O que farão as oligarquias monarquistas da região, se não têm mais a ancoragem de Washington?
Nova Primavera Árabe
Diante dessa incerteza, terão que flexibilizar o poder diante das maiorias xiitas que as repudiam, certamente fazendo voto de apoio ao Irã e não mais a elas, sabendo que os monarcas subimperialistas agora estarão desguarnecidos.
Nova primavera árabe à vista no Oriente Médio!
Os oligarcas monarquistas reacionários recorrerão a Israel, pedindo apoio, se o governo israelense, diante da decisão de Trump de deixar cada um por si, não pode contar mais com Washington para apoiar ditadores no Golfo Pérsico?
Se o Irã consegue vencer a guerra, como parece, pois leva Trump a uma decisão, a partir de agora, de equidistância dos problemas da região que ele mesmo criou e para os quais não tem solução, abre-se novo quadro geopolítico no Oriente Médio.
Com o petrodólar na corda bamba e com países como a Arábia Saudita, que já negocia com a China em yuan o seu petróleo, muda o quadro econômico e político regional.
A nova moeda internacional passa a ser, provavelmente, o petro-yuan.
Sabendo que a Rússia, na guerra na qual Trump se atola, está ao lado do Irã, municiando-o de armas para enfrentar o inimigo, descortina-se outro cenário geopolítico.
Novo polo de poder
O tripé Irã-China-Rússia, em meio às monarquias do Golfo totalmente órfãs de Washington, pode passar a dar as cartas, configurando novo polo de poder?
Enfim, está pintando a nova ordem mundial, com quatro novos polos de poder:
- Estados Unidos, fora do Oriente Médio, sem o petrodólar, cuidam de preservar o petróleo da Venezuela e do Brasil para si, endurecendo a Doutrina Monroe;
- Rússia, maior beneficiada pelo fracasso trumpista no Golfo Pérsico, amplia, junto com a China, à qual está firmemente aliada “para sempre”, desde o início da guerra na Ucrânia, o domínio euroasiático, nova vanguarda do desenvolvimento global;
- China é a nova força internacional, com passagem livre pelo Estreito de Ormuz, aliada da Rússia e do Irã, cheio de petróleo, e no exercício da nova hegemonia comercial global, porque desbancou os Estados Unidos em matéria de competitividade e paridade de poder de compra em matéria de PIB per capita; e
- O Irã, no pós-guerra, da qual sai arrebentado, mas apoiado na China e na Rússia, igualmente vira novo polo de poder, porque, dispondo do petróleo e do Estreito de Ormuz, submete os países do Golfo Pérsico a uma nova ordem ditada pela Pérsia.
Nasce, dessa forma, dos escombros da guerra fracassada desatada pelo imperador Donald Trump, a nova ordem mundial.
Ela está com a cara dos BRICS, que já detêm 40% do PIB mundial, sob comando do petro-yuan, como nova moeda hegemônica de troca, ombreando com o dólar baleado pela fracassada guerra trumpista.
Estreito de Ormuz. Foto: Reprodução.
FONTE: https://www.brasil247.com/blog/nova-ordem-mundial-com-cara-dos-brics-enquanto-o-imperador-trump-decreta-reinado-de-murici-cada-um-por-si