Economista afirma que alta do petróleo fortalece exportações brasileiras e aumenta arrecadação da Petrobras.
247 – Em entrevista à TV 247, o economista Paulo Nogueira Batista Jr. afirmou que o Brasil está entre os poucos países do mundo que podem se beneficiar economicamente da escalada da guerra envolvendo Irã, Israel e Estados Unidos. Segundo ele, o atual choque internacional do petróleo favorece exportadores líquidos como o Brasil, especialmente após décadas de expansão da Petrobras e do pré-sal.
“O Brasil é um dos países que ganham com esse choque do petróleo”, declarou. “Hoje somos um dos maiores exportadores líquidos de petróleo bruto do mundo.”
Ao analisar os impactos econômicos da crise no Oriente Médio, Paulo explicou que o cenário internacional afeta os países de forma desigual. Para ele, os maiores beneficiados são aqueles que exportam petróleo e não dependem do estreito de Ormuz para escoar sua produção.
“O impacto da guerra é muito assimétrico”, afirmou. “Ganham os países exportadores líquidos de petróleo que não dependem dos estreitos de Ormuz para passar sua produção.”
Segundo o economista, o Brasil passou por uma transformação estrutural desde os choques do petróleo dos anos 1970, quando dependia fortemente das importações de combustíveis.
“Nos anos 70 o Brasil importava cerca de 80% do petróleo que consumia”, lembrou. “Depois de décadas de progresso da Petrobras e do pré-sal, a situação mudou completamente.”
Ele explicou que a alta internacional do petróleo beneficia o país de duas formas: pelo aumento do preço das exportações e pela ampliação das vendas externas, já que produtores afetados diretamente pela guerra podem perder capacidade de abastecimento.
“O Brasil ganha porque exporta mais e exporta mais caro”, resumiu.
Paulo Nogueira também destacou os efeitos positivos sobre as contas públicas brasileiras. Segundo ele, a arrecadação federal tende a crescer com o aumento dos royalties, participações especiais e dividendos pagos pela Petrobras.
“Tudo isso melhora o resultado fiscal do país”, afirmou.
Apesar do cenário favorável, o economista alertou que o Brasil ainda possui vulnerabilidades importantes. Entre elas, a dependência da importação de diesel e fertilizantes.
“Só não estamos numa posição ainda melhor porque acumulamos dependência de diesel importado e fertilizantes”, disse.
Ele atribuiu parte desse problema às políticas implementadas após a Operação Lava Jato e aos governos Michel Temer e Jair Bolsonaro. Na avaliação de Paulo, houve um retrocesso na cadeia produtiva nacional do petróleo e abandono de setores estratégicos.
“Nós retrocedemos em refino e fertilizantes”, criticou. “O país ficou excessivamente dependente do exterior.”
O economista elogiou os recentes anúncios do governo Lula de retomada de investimentos da Petrobras em fertilizantes e ampliação da capacidade de refino nacional. Para ele, a guerra reforça a importância da soberania energética e industrial.
“O mundo está mostrando que os países não podem depender do exterior para insumos críticos”, afirmou.
Durante a entrevista, Paulo Nogueira também comentou os efeitos geopolíticos da guerra e avaliou que a Rússia tende a ser uma das maiores beneficiadas economicamente pelo atual cenário internacional, devido ao peso de suas exportações energéticas.
Além disso, destacou que países como Arábia Saudita, Kuwait, Iraque e Emirados Árabes enfrentam maiores riscos por dependerem diretamente das rotas marítimas próximas ao conflito.
Na avaliação do economista, o Brasil pode aproveitar o momento internacional para fortalecer sua estratégia energética e industrial, reduzindo vulnerabilidades e ampliando investimentos em setores considerados essenciais.
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FONTE: https://www.brasil247.com/entrevistas/o-brasil-e-um-dos-poucos-paises-que-ganham-com-a-guerra-no-ira-diz-paulo-nogueira-batista