Durante décadas, o dólar foi tratado como a moeda quase obrigatória para o comércio internacional. Quem queria comprar petróleo, negociar grandes contratos ou manter reservas internacionais acabava recorrendo à moeda norte-americana. Mas esse cenário começou a mudar. Cada vez mais países estão fechando acordos para negociar em moedas locais, ampliando o uso do yuan chinês, do rublo russo, da rupia indiana e de outras moedas em transações bilaterais.
Isso não significa que o dólar deixou de ser a principal moeda internacional. Ele ainda é a moeda dominante nas reservas dos bancos centrais, nos mercados financeiros e em grande parte do comércio global. O que está acontecendo é uma redução gradual de sua exclusividade em algumas áreas, impulsionada por iniciativas de países como China, Rússia e outros membros dos BRICS para diversificar os meios de pagamento internacionais.
Essa mudança tem forte componente geopolítico. Sanções financeiras, disputas comerciais e a busca por maior autonomia incentivaram diversos governos a reduzir sua dependência do sistema financeiro baseado no dólar. Quanto mais acordos forem fechados fora da moeda norte-americana, maior será a diversidade do sistema monetário internacional.
O resultado é que o mundo caminha para um ambiente em que o dólar continua muito importante, mas divide espaço com outras moedas em determinadas regiões e setores. A disputa agora não é apenas por comércio ou tecnologia. É também por quem terá influência sobre as finanças internacionais nas próximas décadas. Isso pode ser uma das transformações econômicas mais importantes deste século.
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