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“O Irã triunfou na guerra e a China foi também a grande vencedora”, diz Mario Nawfal

Um dos analistas geopolíticos mais influentes do X destacou a extraordinária vitória iraniana contra Estados Unidos e Israel.

247 – O analista geopolítico Mario Nawfal avaliou, em publicação feita na noite de ontem, que o Irã venceu a guerra contra Estados Unidos e Israel, com impactos profundos no equilíbrio global de poder. Segundo ele, os termos do cessar-fogo indicam ganhos econômicos e estratégicos expressivos para Teerã, além de uma mudança estrutural no sistema internacional.Em sua análise, Nawfal foi categórico ao afirmar que “o Irã venceu a guerra”. Ele sustenta que o país teria conquistado controle sobre o Estreito de Ormuz, com a possibilidade de cobrar até US$ 2 milhões por navio, o que poderia gerar cerca de US$ 100 bilhões anuais — números que classificou como extraordinários.

Controle estratégico e fim das sanções

O analista também destacou que o acordo de cessar-fogo incluiria o levantamento de todas as sanções contra o Irã, encerrando um longo período de pressão econômica liderada pelos Estados Unidos. Segundo ele, pode-se dizer que o país vinha vivendo em estado de guerra há décadas devido às sanções severas impostas por Washington — cenário que agora estaria chegando ao fim.

Caso confirmadas, essas condições representariam uma virada histórica. O controle do Estreito de Ormuz — por onde passa uma parcela significativa do petróleo mundial — daria ao Irã uma capacidade inédita de influência sobre o comércio global de energia.

Trump e a decisão de recuar

Nawfal também comentou a atuação do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, elogiando sua decisão de evitar uma escalada militar. Segundo ele, Trump agiu corretamente ao recuar e não ceder às pressões de setores – especialmente de Israel – que defendiam a continuidade da guerra.

Para o analista, um líder eficaz sabe o momento de se retirar, avaliando que a decisão abriu espaço para a construção de um acordo.

Construção do acordo e narrativa política

O influenciador afirmou ainda que já esperava um desfecho negociado, pois, ao longo do dia, considerou que as manifestações públicas de Trump indicavam pressão sobre o Irã para obter concessões finais antes de aceitar uma saída diplomática.

Ele também avaliou que Trump deve apresentar o acordo como uma vitória política interna — o que, em sua visão, pode ter efeitos positivos. Isso porque reduziria a necessidade de buscar um “triunfo” por meio de ação militar.

Reconfiguração do Oriente Médio

Na leitura de Nawfal, o Oriente Médio passará por uma transformação profunda. Ele prevê uma normalização gradual das relações entre países do Golfo e o Irã, movimento que já teria começado após ataques israelenses ao Catar.

Segundo ele, o equilíbrio de poder deve se deslocar de forma significativa, com perda de influência de Israel e possíveis impactos relevantes em países como Líbano, Síria e até mesmo na questão palestina.

China como principal beneficiária

O analista destacou que a China seria a maior vencedora do novo cenário. Isso porque, ao fortalecer o controle iraniano sobre o Estreito de Ormuz, Pequim ampliaria indiretamente sua influência sobre uma das principais rotas energéticas do mundo.

Impactos para os Estados Unidos e o sistema financeiro

Nawfal avaliou que o novo arranjo representa uma perda estratégica geracional para os Estados Unidos, além de um risco à hegemonia do dólar. Segundo ele, o Irã poderia gradualmente enfraquecer o sistema do petrodólar.

Fortalecimento de aliados regionais

Por fim, o analista afirmou que grupos aliados do Irã, como o Hezbollah, tendem a sair fortalecidos desse processo, podendo atingir níveis de poder não vistos há décadas — a menos que o acordo inclua a dissolução dessas redes de influência.

FOTO: Tasnim News Agency

FONTE: https://www.brasil247.com/mundo/o-ira-triunfou-na-guerra-e-a-china-foi-tambem-a-grande-vencedora-diz-mario-nawfal