Neoliberalismo como projeto político de dominação: guerra econômica, fragmentação social e perda de soberania a serviço do imperialismo global.
Segue o texto com correção ortográfica e gramatical, fazendo apenas as alterações estritamente necessárias, sem reescrita estilística ou editorial:
O Neoliberalismo é uma arma do Imperialismo
Acredito que muitos leitores já estão convencidos de que o neoliberalismo é uma arma letal do imperialismo, um “artefato de destruição em massa” que mata aos poucos e tem quase o mesmo efeito, a longo prazo, das bombas que liquidam milhares de famílias mundo afora em nome da “democracia e da liberdade”. Mas permitam-me fazer uma reflexão sobre este tema que, segundo o eminente geógrafo David Harvey, não se trata de um sistema econômico, mas de um projeto político.
Como muitos sabemos, esta “arma letal” surgiu das mentes inescrupulosas de Margaret Thatcher e Ronald Reagan, inspiradas em arautos da economia como Milton Friedman, Friedrich Hayek e Ludwig von Mises, oriundos da tão “notória” Escola Austríaca que “apedeutas profissionais” da atualidade, seja em solo nacional ou no estrangeiro, ainda insistem em clamar como prova de “conhecimento, inteligência e cultura”.
Em seu livro Neoliberalismo como gestão do sofrimento psíquico, Vladimir Safatle — este sim um grande intelectual nacional — descreve o sofrimento cotidiano na sociedade, assim como o calvário pelo qual passam os excluídos de um sistema econômico injusto e cruel que, apesar dos estragos feitos mundo afora, ainda possui propagandistas na academia e nos meios de comunicação. Um sistema econômico que somente reproduz a disparidade social pela qual vivem os países do Sul Global — e agora, também os do Norte — fragmentando sociedades e destruindo nações sem a necessidade de invasões militares — ou mesmo preparando-as para isso — e, por isso mesmo, semelhante a uma arma de guerra.
Carl von Clausewitz dizia que a guerra é a “continuação da política por outros meios”. Com base neste princípio, parece-me justo determinar que os políticos que defendem o neoliberalismo em solo pátrio são agentes e traidores pertencentes a uma “internacional neoliberal” que pretende destruir as nações com a finalidade de espoliar seus recursos naturais. Sendo assim, aqueles políticos que saúdam a bandeira nacional e se autoproclamam zelosos “vigilantes da sociedade” e “defensores da educação”, mas que defendem medidas neoliberais que beneficiam interesses alienígenas e os bancos privados, pertencem a uma força estrangeira para destruir o Brasil e os países do Sul Global, independentemente da sigla e da ideologia que “dizem” pertencer. Aqueles que usam do cargo público para defender o sistema financeiro em detrimento da população são traidores, ponto final.
O neoliberalismo insiste em permanecer nos Estados nacionais, por mais que seja combatido. Como bem descreveu Naomi Klein em sua obra de referência — A Doutrina do Choque —, o sistema neoliberal, muitas vezes, é implantado como “solução” de crises políticas em tempos de “terra arrasada”. Tal qual uma “bomba silenciosa”, destrói famílias e provoca suicídios, pauperização e, finalmente, violência social mundo afora. A “solução”? Repressão policial. E assim cria-se a reação em cadeia de um ciclo vicioso no qual a pobreza e a violência se reproduzem, sociedades são destruídas, e as potências imperialistas e o sistema financeiro ficam livres para exercer a espoliação e o saque. O objetivo final deste “método do caos” é transformar todos os países, inclusive o Brasil, em um “El Salvador”, que se tornou um “exemplo” de administração estatal para aqueles que, em suas vidas medíocres, perderam a esperança de um mundo melhor.
Não é uma coincidência que a agressividade europeia e anglo-saxã se volte para as nações que não adotaram o neoliberalismo como “religião”, tal qual insistem diuturnamente os profetas da mídia corporativa. Pouco importa se os “bárbaros” das estepes russas, os “confucianos marxistas” ou os aiatolás herdeiros dos sassânidas não adotem a fé da democracia liberal. A questão não é a “autocracia eslava”, a suposta opressão sofrida pelos uigures de Xinjiang ou a obrigatoriedade do “hijab”: não se trata disso. Nem as diversas matizes do amplo espectro ideológico importam aqui: um dos grupos terroristas que levaram recentemente o caos às ruas de Teerã eram marxistas curdos, junto com fundamentalistas islâmicos que cortavam cabeças pelas ruas das cidades do Irã, enquanto a mídia internacional os chamava de “manifestantes pacíficos”. Pretensos marxistas e “cortadores de cabeça” de uma seita radical agindo como um aríete de uma invasão internacional, aterrorizando a população e lutando juntos, financiados e treinados pelo imperialismo “turbo capitalista”. Às vezes parece que, de fato, o mundo enlouqueceu. O espectro ideológico não faz a menor diferença na modernidade líquida de Bauman, no ultra-neoliberalismo do turbo capitalismo selvagem que agora perdeu toda a vergonha na figura do Sr. Donald Trump.
Como disse certa vez a grande intelectual Marilena Chauí, é preciso destruir o neoliberalismo para construir algo novo… nem que, para isso, tenhamos que ressuscitar John Maynard Keynes. Karl Polanyi, em sua obra A Grande Transformação, pregava que o socialismo deve ser exercido de forma pontual para combater a miséria deixada pelo sistema capitalista mundial em suas periferias. Eu iria mais longe: o “socialismo” — ou mesmo o “keynesianismo” — deve ser usado como um instrumento de combate ideológico. Estamos todos em um conflito mundial, às vezes nem sempre “silencioso”, que atualmente se transformou em um combate sem trégua pelos recursos naturais do planeta… nem a Groenlândia está a salvo.
Já está mais do que evidente que o destino dos países que adotam o neoliberalismo é perder sua soberania e seus recursos energéticos, afundados no caos social e dominados pelo narcotráfico, tal qual ocorre hoje em um país “andino”, anteriormente pacífico, como o Equador. Uma sociedade desunida e fragmentada é facilmente dominada. Como exemplo maior de resistência, vemos as ruas de Caracas que, mesmo tendo seu presidente sequestrado, foram invadidas por uma multidão clamando o seu retorno: pode-se sequestrar um “rei”, mas não a consciência de seus “súditos” ou de uma nação unida. O mesmo ocorreu em Teerã, onde milhões de iranianos saíram às ruas em defesa da nação de forma espontânea — por mais que a imprensa internacional tente ocultar ou desqualificar este fato. A atomização, resultante da “luta de todos contra todos”, tem como resultado apenas o enfraquecimento das nações, presas fáceis para a “internacional neoliberal”. Já as tradições, a cultura e o conhecimento histórico são os meios pelos quais as sociedades se defendem, muitas vezes de forma inconsciente, deste grande mal.
As palavras de ordem utilizadas pelo neoliberalismo são “liberdade”, “direitos humanos” etc. Mas quantas liberdades e direitos foram usurpados, e quantas vidas foram destruídas, entre os mais de 6 milhões de mortos e refugiados resultantes das “guerras eternas” — como sempre faz questão de lembrar o analista geopolítico Pepe Escobar — que se iniciaram na Primeira Guerra do Golfo Pérsico, no início da década de 1990? Às vezes me questiono: caso os países da América do Sul finalmente resolvessem resistir à “internacional neoliberal”, seguindo o exemplo de Cuba, em quanto tempo as “guerras eternas” não chegariam aqui? E como reagiriam esses países? Hoje vemos, nos protestos das ruas de Minneapolis, as nefastas consequências deste sistema ultra-neoliberal opressor nas entranhas de sua matriz ideológica e material. Tão nefasta e cruel, essa “arma de destruição em massa” foge ao controle e se volta agora até contra seus criadores, como o monstro de Frankenstein. Enquanto isso, o “caso Jeffrey Epstein” e sua “Ilha do Doutor Moreau” no mar do Caribe, visitada por políticos, milionários e “celebridades” em busca de “fantasias” macabras e sexuais, explodem as entranhas da elite neoliberal tal qual o “Alien” do diretor Ridley Scott, implodindo “o sangue e as vísceras” de uma elite atavicamente corrupta que segue em franco declínio moral, material e espiritual. Tudo isso em um período em que esta mesma “elite” global escatológica tenta provocar uma Terceira Guerra Mundial em nome de uma pretensa “superioridade” moral e de uma hegemonia em decomposição.
Como disse certa vez um dos grandes intelectuais de Terra Brasilis, o professor José Luís Fiori, as duas ideologias europeias falharam em sua busca da felicidade do homem: o marxismo, pela busca da igualdade, e o liberalismo, pela busca da prosperidade. O futuro, como diz o eminente professor, é um “futuro ético”, mas a busca desse futuro exigirá grande coragem em um mundo imoral. E não estou falando de qualquer moralidade religiosa ou pequeno-burguesa, mas de uma “moralidade espiritual”. A procura da ética é o primeiro passo do combate à violência neoliberal e imperial. Talvez, quem sabe, a “reencarnação” da busca incessante e sem trégua do “homem novo”, como dizia antigamente um notório revolucionário, seja o caminho: um homem que não luta apenas para obter vantagem pessoal, por sua segurança material ou pela celebridade social. Uma luta inexorável e sem rendição em nome de dois conceitos frequentemente perseguidos, vilipendiados, esquecidos e ignorados: justiça e liberdade.
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FONTE: https://www.brasil247.com/blog/o-neoliberalismo-e-uma-arma-do-imperialismo