Ministra defende aumento real de salários e aposentadorias e afirma que reduzir juros é essencial para equilibrar as contas públicas com justiça social.
247 – A ministra da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, afirmou que o principal entrave para o equilíbrio das contas públicas brasileiras está no patamar elevado dos juros, atualmente em 15%, que, segundo ela, pressiona o crescimento da dívida e limita o desenvolvimento econômico do país. Para a ministra, o debate fiscal precisa ir além de cortes de gastos sociais e enfrentar o custo financeiro imposto ao Estado.
Ao abordar a relação entre política fiscal e justiça social, a ministra destacou a importância de proteger o poder de compra da população. Segundo ela, “garantir o aumento real dos salários e da renda, inclusive dos aposentados, é essencial para promover o crescimento do país com um mínimo de justiça social”. Na mesma linha, reforçou que “garantir a concessão dos benefícios, dentro das regras estabelecidas, também é um direito das pessoas”.
Gleisi argumentou que o foco excessivo em metas de superávit não resolve o problema estrutural das contas públicas. Em sua avaliação, “o problema central das contas públicas são os juros estratosféricos que impactam no crescimento da dívida”. Para a ministra, insistir apenas em ajustes fiscais tradicionais ignora o papel decisivo da política monetária. “Não tem superávit fiscal que resolva isso”, afirmou.
Na sequência, a ministra foi enfática ao rejeitar qualquer proposta que transfira o custo do ajuste para a população mais vulnerável. “É cortando os juros, e não a renda e as aposentadorias, que vamos cuidar da saúde das contas públicas”, declarou. Ela também defendeu maior liberdade para investimentos públicos como motor do crescimento econômico.
Segundo Gleisi, o desenvolvimento sustentado do país depende da superação de limites fiscais que, em sua visão, engessam a economia. “O desenvolvimento sustentado virá com a retirada dos investimentos de qualquer trava, arcabouço, limite fiscal. Essa é uma discussão imperativa para um projeto de país”, escreveu.
A ministra citou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, destacando sua trajetória na condução da política econômica. Para Gleisi Hoffmann, “o presidente Lula provou, mais uma vez, que sempre tratou as contas públicas com responsabilidade, priorizando o controle da inflação”, reforçando que é possível conciliar responsabilidade fiscal com crescimento e inclusão social.
Em relação à política monetária, o mercado continua projetando a Selic em 12,25% ao final deste ano, 10,5% no ano que vem e 10% em 2028. No setor externo, o cenário segue com déficit em conta corrente em torno de US$ 65 bilhões. A avaliação é que, apesar de não ser um quadro ideal, trata-se de um ambiente considerado administrável e compatível com estabilidade macroeconômica nos próximos anos.
A expectativa de corte de juros já a partir de março segue firme, mas o debate se concentra no ritmo da redução: 0,25 ou 0,50 ponto percentual. A hipótese de um corte de 0,50 ponto começa a ganhar força no mercado. Estimativas apontam que cada ponto percentual de redução da Selic pode representar cerca de R$ 50 bilhões a menos em despesas com juros por ano.
Caso a taxa básica seja reduzida para algo próximo de 10% nos próximos dois anos, a economia anual pode chegar a aproximadamente R$ 250 bilhões. Em uma janela de três anos, esse alívio pode alcançar algo em torno de R$ 750 bilhões, reduzindo significativamente a pressão sobre o endividamento público e sobre o déficit nominal.
Atualmente, o déficit nominal é explicado quase integralmente pelo custo dos juros, que somam cerca de R$ 1 trilhão, equivalente a aproximadamente 10% do PIB. Já o déficit primário do ano passado ficou em torno de R$ 50 bilhões, evidenciando que a dinâmica dos juros é central para qualquer estratégia de ajuste fiscal no país.
Foto: Flickr/SRI
FONTE: https://www.brasil247.com/brasil/o-problema-central-das-contas-publicas-sao-os-juros-estratosfericos-critica-gleisi