Em pleno 4 de julho, dia em que os Estados Unidos celebram sua independência, seu presidente, Donald Trump, apresenta-se ao mundo como um novo imperador. Com discursos inflamados, gestos militares de força bruta, interferências em países soberanos ao arrepio das leis internacionais, surtos de imperialismo, chegando ao cúmulo da insensatez, com a ameaça de “dizimar uma civilização inteira”, Trump encarna as pretensões de um faraó que alarga seu império, trucidando quem contraria seus caprichos, em pleno século XXI. Mas, como na fábula, basta olhar com atenção: o rei está nu. E os sinais do declínio estadunidense se multiplicam, mesmo sob o manto da arrogância trumpista.
Hoje, justamente hoje, o Papa Leão XIV, o primeiro pontífice estadunidense da história, escolheu pisar em Lampedusa como antes fizera seu antecessor, o papa Francisco. A ilha italiana é símbolo da tragédia migratória no Mediterrâneo. Ao celebrar missa pelos náufragos e abraçar refugiados, Leão XIV lança um gesto diametralmente oposto à política de Trump. Enquanto a Casa Branca fecha fronteiras, constrói muros, separa famílias e criminaliza migrantes, o papa estadunidense ergue a bandeira da acolhida. Constrói pontes. É o líder moral mais visível dos EUA dizendo, com gestos enfáticos, que a América de Trump não representa o mundo e os ideais do cristianismo. Quando Roma e Washington se contradizem, fica evidente a fratura no próprio império.
Também hoje, no Irã, outro sinal escancara a arrogância dos EUA. Milhares de pessoas, talvez milhões, tomam as ruas de Teerã para o funeral do “líder supremo” Ali Khamenei, assassinado em ataque conjunto estadunidense e israelense. Estão lá representantes de mais de 100 países. A multidão e as representações internacionais não choram apenas por um homem. Reverenciam uma causa. O funeral se transforma em ato político global. Mostra a força da comunidade islâmica, a solidariedade do mundo árabe e o fracasso da estratégia de Trump de isolar e aniquilar Teerã. Um império que precisa assassinar para se impor já perdeu a disputa moral. E quando o “inimigo” reúne centenas de representantes de nações em praça pública, sinaliza que o agressor não é imbatível, temível, unânime.
Nem mesmo o espetáculo mais vigiado do planeta consegue calar os gestos de insubmissão. Na Copa do Mundo, apesar de toda truculência dos EUA contra delegações e povos inteiros – vistos negados, ameaças diplomáticas, chantagem econômica –, a bandeira da Palestina segue tremulando nas arquibancadas. Ontem, foi o técnico do Egito que a ergueu após a vitória de seu país. Antes dele, jogadores, torcedores, jornalistas. O futebol, que Trump quer usar como palco de propaganda imperial, vira espaço de denúncia. A mensagem é simples: vocês não mandam no símbolo, não mandam na torcida, não mandam no mundo.
Trump se apresenta como imperador, mas governa na base do berro, da violência e da transgressão às regras internacionais mais elementares. Sanções, muros, assassinatos seletivos e discursos de 4 de julho não escondem o óbvio: a hegemonia estadunidense racha por dentro e por fora. Por dentro, quando o papa, um estadunidense, escolhe Lampedusa em vez de se juntar à Casa Branca. Por fora, quando Teerã reúne parte significativa do mundo para um desagravo ao líder assassinado pela coalizão EUA/Israel e, simbolicamente, quando a causa Palestina vence nas arquibancadas da copa.
O rei está nu. E quanto mais grita que é o dono do mundo, mais setores do mundo multipolar e democrático respondem que não. Os sinais estão aí. Basta ter coragem de ver.
FOTO: Brasil 247 / Dall-E
FONTE: https://www.brasil247.com/blog/o-rei-esta-nu-vejam-os-sinais/