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“O sistema financeiro nunca ganhou tanto dinheiro como ganha no nosso governo”, diz Lula

Presidente presta contas sobre os avanços econômicos de seu governo e afirma que o “dólar fica oscilando porque depende do humor do Trump”.

247 – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta segunda-feira (9) que o sistema financeiro tem registrado lucros recordes durante sua atual gestão. A declaração foi feita durante discurso no Instituto Butantan, em São Paulo, em um momento em que o governo busca reforçar a narrativa de recuperação econômica e contestar previsões pessimistas divulgadas no início do mandato.

Ao apresentar um balanço dos indicadores econômicos e sociais, Lula também associou a volatilidade do dólar ao cenário político internacional e mencionou diretamente o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Segundo o presidente, a cotação da moeda norte-americana “fica oscilando porque depende do humor do Trump”, e não da seriedade da economia brasileira.

No evento, Lula lembrou que, quando tomou posse, setores do país projetavam um cenário de colapso econômico, com alta descontrolada da inflação, explosão do dólar e déficit fiscal crescente. “Quando tomamos posse, as previsões negacionistas que tinham nesse país… O dólar ia estourar, a inflação estava fora de controle, iríamos ter um déficit fiscal incontrolável. O Brasil não ia dar certo”, afirmou.

Em seguida, o presidente citou uma série de resultados que, segundo ele, contrariam essas previsões. “O que aconteceu no final do terceiro ano de mandato? Temos e vamos ter a menor inflação acumulada em quatro anos da história do país, a maior população economicamente ativa da história do país, vamos ter o menor desemprego desse país, vamos ter a maior massa salarial da história do país”, declarou.

Lula também mencionou avanços em áreas como educação e comércio exterior. “Os maiores Enem e Sisu da história, o maior fluxo de exportação comercial da história do país”, listou. Sobre o câmbio, voltou a comparar as projeções feitas no início do mandato com a situação atual. “E o dólar, que ia para R$ 7, está em R$ 5,22”, disse.

O presidente afirmou que os resultados obtidos na economia se refletem também no sistema público de saúde. “O SUS chegou a 14,7 milhões de cirurgias eletivas. Recorde dos recordes. Onde está a razão para alguém desacreditar nesse país?”, questionou.

Ao abordar o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), Lula disse que o Brasil voltou a superar a marca de 3% ao ano apenas após seu retorno ao Palácio do Planalto. “Nós só voltamos a crescer acima de 3% depois que eu voltei à Presidência. De 2011 a 2022 a gente não crescia mais que 1% ou 1,5%”, afirmou, atribuindo o desempenho à formação de equipe e à tomada de decisões políticas. “Isso é ‘sorte’ de saber montar uma equipe, saber tomar decisão”, completou.

“O sistema financeiro nunca ganhou tanto dinheiro”

Em um trecho do discurso voltado à crítica de estigmas sociais, Lula rebateu declarações que, segundo ele, reduzem as políticas públicas de seu governo ao atendimento de grupos vulneráveis. “Esses dias eu vi um cidadão dizer que o ‘Brasil só saber cuidar de índio, de negro, de quilombola, só sabe cuidar de Bolsa Família’. Não, nós sabemos cuidar de muita coisa”, afirmou.

Foi nesse contexto que o presidente ressaltou o desempenho do setor econômico sob sua gestão. “O sistema financeiro nunca ganhou tanto dinheiro como ganha no nosso governo. Os empresários nunca ganharam tanto dinheiro como ganham no nosso governo”, declarou.

Lula citou ainda a retomada da indústria automobilística como exemplo do avanço produtivo. Segundo ele, o setor registrava 3,6 milhões de carros produzidos em 2011, mas havia caído para 1,6 milhão quando ele voltou ao governo. “E agora já está voltando a produzir quase 2,6 milhões”, afirmou.

O presidente concluiu que os números são consequência de decisões políticas planejadas e não de fatores aleatórios. “Tudo isso é ‘sorte’ de políticas bem corretas, feitas coletivamente, para provar que esse país pode dar certo”, disse.

Críticas ao unilateralismo e defesa do multilateralismo

Em outro trecho do discurso, Lula comentou o ambiente internacional e a postura do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. O presidente brasileiro afirmou que não pretende estimular confronto direto com o líder norte-americano e ironizou a retórica militar. “Trump sabe que a briga do Brasil com ele, não adianta ficar falando na televisão: ‘eu tenho a maior nave de guerra, tenho o maior submarino do mundo’. Eu não quero briga com ele, não sou doido’. Vai que eu brigo e ganho? O que vou fazer?”, declarou.

Segundo Lula, o principal embate do Brasil com o governo norte-americano não seria militar, mas político e simbólico. “A briga do Brasil é a briga da construção da narrativa”, afirmou. Para ele, o país deve defender a cooperação internacional e a manutenção de regras multilaterais. “Queremos mostrar que o mundo não pode prescindir do multilateralismo”, disse.

O presidente também argumentou que a estabilidade global depende desse modelo de articulação entre países. “Precisamos provar no debate que foi o multilateralismo que criou uma harmonia entre os Estados e que permitiu que a gente vivesse em paz até agora”, afirmou.

Lula criticou ainda a lógica de imposição do mais forte e declarou que não busca supremacia regional, mas também não aceita submissão internacional. “O unilateralismo imposto pela teoria de que o mais forte pode tudo não me interessa. Não quero ter supremacia sobre o Uruguai, sobre a Bolívia. Mas também não quero ser menor que os Estados Unidos ou a China”, concluiu.

Foto: Ricardo Stuckert / PR

FONTE: https://www.brasil247.com/brasil/o-sistema-financeiro-nunca-ganhou-tanto-dinheiro-como-ganha-no-nosso-governo-diz-lula