Dados da operação deflagrada nesta terça mostram que autoridades já sabiam das irregularidades do Master antes de Flávio buscar apoio do banqueiro.
247 – A cronologia dos fatos envolvendo o Banco Master e o banqueiro Daniel Vorcaro contradiz a versão apresentada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) sobre sua aproximação com o empresário. Segundo o jornalista Octávio Guedes, do G1, suspeitas de irregularidades envolvendo operações financeiras do grupo já eram conhecidas por autoridades do Rio de Janeiro meses antes de o parlamentar afirmar ter conhecido Vorcaro.
Flávio Bolsonaro sustenta que só teve contato com o banqueiro em dezembro de 2024, quando buscou apoio para financiar um filme sobre a trajetória de Jair Bolsonaro. No entanto, documentos e manifestações públicas indicam que, desde outubro daquele ano, órgãos de controle e integrantes da cúpula política fluminense já discutiam possíveis irregularidades relacionadas ao Banco Master.
Em 14 de outubro de 2024, a conselheira do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ), Mariana Montebello, comunicou oficialmente ao governador Cláudio Castro (PL) suspeitas envolvendo operações financeiras ligadas ao banco. Na mesma época, denúncias sobre os investimentos também eram feitas na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro pelo deputado estadual Luiz Paulo Corrêa da Rocha.
De acordo com o g1, embora a investigação não estabeleça relação direta entre os aportes públicos e o pedido de financiamento feito por Flávio Bolsonaro, a sequência dos acontecimentos enfraquece o argumento do senador de que desconhecia o envolvimento de recursos públicos nas operações investigadas.
A reportagem destaca ainda que o governo do Rio de Janeiro foi o ente federativo que mais direcionou recursos ao grupo de Vorcaro entre os casos analisados. Um dos episódios envolve um aporte de R$ 100 milhões no fundo Texas IFA, administrado pelo Banco Master.
O Tribunal de Contas do Estado classificou o investimento como um “volume preocupante e concentrado de recursos” em um único banco. O órgão também alertou para a elevada concentração da carteira, que tinha 96,12% dos ativos vinculados a uma única ação, da empresa Ambipar.
Segundo o TCE-RJ, a operação criava um cenário de “risco sistêmico” e de “dependência de um único grupo para a alocação de expressiva parcela de recursos previdenciários”.
Foto: Saulo Cruz/Agência Senado
FONTE: https://www.brasil247.com/brasil/operacao-da-pf-poe-em-xeque-versao-de-flavio-bolsonaro-sobre-relacao-com-vorcaro