Washington tenta transformar a derrota em uma armadilha contra Teerã.
Os Estados Unidos enfrentam um cenário de claro esgotamento em sua estratégia de guerra e pressão máxima contra o Irã, acuados por uma resistência persistente da República Islâmica Teerã que desestruturou as previsões iniciais de Washington.
Por José Reinaldo Carvalho
A derrota americana é amplificada pelo profundo isolamento internacional do país, já que antigos aliados hesitam em endossar medidas de força, e por uma opinião pública interna cada vez mais refratária a novas aventuras militares no Oriente Médio.
Diante do fracasso em vergar a economia e a postura geopolítica iraniana por vias convencionais, a diplomacia americana mudou de foco, buscando transformar a frustração de suas perdas em uma ofensiva de desgaste à margem do direito internacional.
Em vez de buscar um consenso genuíno, a meta atual de Washington é forçar o Irã a uma capitulação disfarçada, recorrendo a ameaças para arrancar concessões que não obteve pelas sanções e pela guerra. O plano consiste em empurrar Teerã contra a parede, exigindo o cumprimento de metas irreais sob a ameaça de reativação de punições ainda mais severas. Agora fala em medidas devastadoras contra a economia iraniana. Essa tática tenta camuflar a fraqueza da posição americana, transformando seu fracasso político e militar em uma cobrança unilateral e agressiva, que visa unicamente desarmar a soberania iraniana.
Para alcançar a rendição iraniana, objetivo inatingível, Trump e seus negociadores americanos decidiram explorar minuciosamente as ambiguidades e os pontos frágeis do memorando de entendimento existente. Ao se valer de brechas, cláusulas ambíguas e termos vagos sobre fiscalização e prazos, os Estados Unidos tentam criar uma armadilha jurídica que criminalize qualquer ação de defesa do Irã. O objetivo final é culpar Teerã pelo colapso do acordo, justificando novas retaliações e salvando as aparências de uma superpotência que não consegue ditar os rumos da região como outrora. É necessário destacar que o acordo faliu porque foi violado pelos próprios Estados Unidos.
O fracasso demonstra que cessar-fogo não se constrói apenas com declarações de intenção. Questões essenciais, como o controle da navegação pelo Estreito de Ormuz, a abrangência das sanções, o financiamento da reconstrução iraniana e a agressão de Israel no Líbano e em Gaza, permaneceram sem respostas objetivas.
A exclusão explícita de Israel das obrigações também comprometeu a promessa de cessar as operações em todas as frentes. O Irã foi firme aos rechaçar os ataques israelenses no Líbano, incompatíveis com o entendimento, enquanto Israel não se considerava submetido ao documento.
Depois que Washington violou o acordo com ações militares, o prazo de 60 dias tornou-se uma formalidade. “Devido à violação flagrante e generalizada do memorando pelos Estados Unidos apenas algumas semanas após sua assinatura, nenhuma negociação foi iniciada”, afirmou o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, Esmaeil Baghaei.
O memorando ainda poderá servir como referência para futuras conversas, mas qualquer nova negociação exigirá cláusulas precisas, garantias verificáveis e compromissos aplicáveis a todos os envolvidos.
Sem esses elementos, a diplomacia continuará funcionando apenas como intervalo entre sucessivas fases da guerra. E os Estados Unidos e Israel manterão sua postura agressiva e belicista, seu comportamento traiçoeiro de ignorar as negociações e o propósito de impor sua vontade pela força. Para seu desagrado têm diante de si um país decidido a ir às últimas consequências para defender a sua soberania.
FOTO: Prensa Latina
FONTE: https://www.brasil247.com/blog/os-eua-fracassaram-em-toda-a-linha-na-guerra-contra-o-ira/