O ouro, ativo procurado em situações de incertezas e conflitos globais, subiu mais de 70% desde que Donald Trump assumiu a presidência dos Estados Unidos em seu segundo mandato, marcado pela política externa hostil em relação tanto a aliados como a oponentes históricos.
O que aconteceu
Ouro sobe novamente e renova recorde de cotação. O contrato futuro do metal negociado na Bolsas ICE Intercontinental Exchange sobe mais de 3% hoje, superando o patamar de US$ 4.700 e renovando recordes de preço batidos semana passada.
Desde janeiro de 2025, quando Trump voltou à Casa Branca, ouro subiu 70%. Com a variação apurada nos 12 meses encerrados ontem, o metal saltou de US$ 2.700 para US$ 4.700. No mesmo período, o dólar caiu 10% ante uma cesta de moedas, segundo o índice DXY, enquanto o Ibovespa, principal índice de ações no Brasil, subiu 35%.
Mercado reage à nova ação agressiva da política externa de Donald Trump. Depois de chantagear quase todas as economias do mundo com elevação unilateral de tarifas de importação, de invadir território venezuelano para sequestrar o presidente Nicolás Maduro e mudar a liderança na Venezuela, dona da maior reserva de petróleo, de atacar e ameaçar intervir no Irã, quinto maior fornecedor de óleo no mundo, agora o presidente estadunidense volta as baterias contra a Europa, com intenção de tomar a Groenlândia da Dinamarca, novamente, usando sanções comerciais como instrumento de coação.
Guerra comercial volta ao radar. A Europa rebateu as ameaças de Trump com a possibilidade de lançar mão de instrumentos de retaliação também comerciais. Segundo analistas, esse ambiente gera incertezas que levam investidores, empresas e até governos a buscarem proteção em ativos considerados mais seguros, como ouro.
O ouro desempenha um papel estratégico na diversificação internacional de portfólios, podendo funcionar como um ativo de resiliência diante de cenários incertos. Em um ambiente global cada vez mais fragmentado, marcado por choques geopolíticos, mudanças nas relações comerciais e desafios fiscais, a inclusão do ouro ao lado de outros ativos internacionais, como moedas, ações, commodities e títulos de diferentes países, fortalece a capacidade de proteção e gestão de riscos.
Luis Ferreira, diretor de investimentos do EFG Private Wealth Management
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FONTE: https://economia.uol.com.br/noticias/redacao/2026/01/20/ouro-sobe-mais-de-70-no-1-ano-do-segundo-governo-trump.htm