Ao partirem para a luta no intuito de derrotar Lula e as forças políticas a ele associadas, sempre trazem de volta à cena a história do personagem “Lulinha e suas andanças”.
Nos dias atuais, o PIG (Partido da Imprensa Golpista) continua mais ativo do que nunca. Esta expressão, cunhada pelo então deputado Fernando Ferro e popularizada pelo falecido jornalista Paulo Henrique Amorim, refere-se a uma associação política prática composta pela Rede Globo, a Folha de S. Paulo, O Estado de S. Paulo, Rede Bandeirantes, Record, Jovem Pan e o conjunto da mídia corporativa de nosso país.
A razão de ser do PIG é desempenhar a função de guardião-mor dos privilégios das oligarquias brasileiras e zelar pelos interesses de seus sócios e mentores dos centros imperialistas. Em consonância com tais objetivos, uma de suas principais tarefas tem sido a de impedir a toda custa que forças políticas ligadas ao campo popular possam vir a pôr em xeque o domínio absoluto que nossas classes dominantes sempre exerceram sobre nossa nação e suas riquezas.
Agora, ao se aproximar o momento da realização do próximo pleito eleitoral que definirá a composição dos poderes do Estado, uma vez mais, estamos tendo a oportunidade de constatar a tradicional forma de atuar dessa organização político-midiática a serviço dos capitalistas de grande porte.
Como vem ocorrendo desde 2003, quando um certo torneiro mecânico ousou acreditar que tinha condições de concorrer e derrotar a grande burguesia na disputa pela Presidência da República, os diretores dos veículos do PIG decidiram dar renda solta a sua engenhosidade, fundada em sua tradição de eméritos discípulos da escola goebbeliana de comunicação, e criaram um personagem para ajudá-los a evitar comparações que lhes eram desagradáveis e reorientar os debates para o viés de sua conveniência.
Conforme o aprendizado que assimilaram em sua escola de formação, a verdade é algo inteiramente relativo. Tão enraizada está neles essa concepção goebbeliana que tornaram-se adeptos fervorosos daquela máxima que reza: “Uma mentira repetida mil vezes torna-se uma verdade”. E, imbuídos deste espírito, não hesitam em pôr em ação, em toda situação em que lhes pareça oportuno, um personagem por eles criado e as aventuras para ele imaginadas.
E é assim que, invariavelmente, ao partirem para a luta no intuito de derrotar Lula e as forças políticas a ele associadas, sempre trazem de volta à cena a história do personagem “Lulinha e suas andanças”.
Sabendo que os integrantes do PIG, via de regra, estão completamente interlaçados com os praticantes das mais estrondosas falcatruas já ocorridas em nosso país (Escândalo Banco Master, Golpe das Americanas, só para citar as mais recentes), em que centenas de bilhões de reais de recursos públicos foram desviados para arcas privadas, o que poderia justificar a persistência de colocar o personagem Lulinha no centro do debate público?
Neste caso, o propósito que norteia o PIG é impedir que o debate a ser travada às vésperas da contenda eleitoral se dê em torno dos logros econômicos alcançados pela atual administração do Presidente Lula. É que, após haver herdado um país destroçado pelas gestões do usurpador Michel Temer e do bolsonarismo, o atual governante conseguiu recuperar muito do que havia sido destruído e está gerando índices muito mais favoráveis para o conjunto da população.
É evidente que as carências ainda permanecem enormes e há muitíssimo por fazer. Mas, em comparação com o que havia sob os governos comandados sob a ótica do neoliberalismo que se estabeleceram depois do golpe que depôs Dilma Rousseff, pode-se dizer que, com a volta de Lula, houve um significativo salto adiante. Bastaria mencionar a nova retirada do Brasil do mapa da fome (ao qual havia retornado com Bolsonaro) e a diminuição do nível de desemprego.
Porém, como este tipo de discussão sobre a questão dos ganhos econômicos não convém às camadas detentoras da maior parte das riquezas, estas trabalham para circunscrever os debates em relação a temas de moralidade. Quem diria que os paladinos da imoralidade e da depravação iriam querer posar de defensores absolutos da honestidade?
Entretanto, não podemos albergar dúvidas. Mais do que ninguém, as classes dominantes sabem muito bem que é o fator econômico o que define a linha mestra da evolução de uma sociedade. Se estão constantemente tratando de forçar que os demais grupos sociais tenham percepções não condizentes com a sua, isto se deve justamente a sua consciência de que o resultado não lhes seria benéfico se os outros compartilhassem de seu entendimento.
Propulsada pela ilusão difundida para consumo externo pelos grupos hegemônicos, tende a ganhar força a argumentação daqueles que alegam que as principais motivações que influem nos seres humanos em suas atividades sociais nada, ou muito pouco, têm a ver com questões de caráter econômico. Segundo os que assim pensam, para corroborar isto, basta observar a enorme dificuldade que Lula está encontrando para disparar na liderança isolada das sondagens eleitorais.
Em outras palavras, uma prova contundente de que não seriam os fatores econômicos os que determinam nossos rumos é que, não obstante o governo Lula estar produzindo resultados incomparavelmente muito mais positivos para a imensa maioria de nossa população, sua dianteira em relação ao representante do bolsonarismo não se eleva como seria de esperar, limitando-se a apenas alguns poucos pontos percentuais.
Então, parece haver uma gritante incoerência lógica perante este panorama em que muita gente que obteve melhorias efetivas em seu nível de vida material com a gestão governamental de Lula se proponha a sufragar por aquele candidato que encarna as forças que tanto mal lhe causaram há pouco menos de quatro anos. Por isso, frente a esta aparentemente flagrante contradição, cabe a pergunta: como persistir com a convicção de que é realmente a economia o fator determinante em última instância?
Para que nos seja possível responder a esta indagação, é de suma relevância ter em conta que, nas sociedades compostas por classes com interesses conflitantes, em condições normais, apenas as classes dominantes têm plena clareza de quais são seus interesses estratégicos, aqueles que devem ser defendidos e preservados à toda custa. E, como possuem e controlam o aparato de formação ideológica, sua preocupação é sempre utilizá-lo para impedir, ou dificultar, que os grupos sociais que lhes estão submetidos possam alcançar semelhante nível de compreensão a respeito desta questão.
No intuito de garantir que seus privilégios sejam mantidos, os setores mais ricos não podem admitir que a administração do aparelho de Estado esteja voltada prioritariamente para o atendimento das carências populares. No entanto, em sistemas regidos pelas normas da democracia liberal, o fato de constituírem numericamente tão somente uma fração irrisória da população total as coloca diante da terrível necessidade de angariar apoio para suas posições no âmbito dos setores que não integram suas fileiras.
E é isto o que explica e dá sentido à linha política de comunicação que o já citado PIG se esmera em praticar. Com sua esmagadora hegemonia na posse e controle dos meios de comunicação (tanto os tradicionais como os digitais) nossas oligarquias pró-imperialistas, através de seus instrumentos de manipulação (PIG), vão persistir sendo fieis aos postulados goebbelianos que lhes são tão caros. Em vista disto, devemos estar preparados, pois vamos ter de nos defrontar com as andanças do personagem Lulinha a todo momento.
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FONTE: https://www.brasil247.com/blog/para-que-o-pig-criou-o-personagem-lulinha/