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Paz representa derrota humilhante e histórica para Netanyahu, o vilão da guerra

Líder oposicionista israelense afirma que acordo entre EUA e Irã apaga conquistas militares de Israel e expõe o isolamento do primeiro-ministro.

247 – O acordo entre Estados Unidos e Irã para encerrar a guerra e reabrir o Estreito de Ormuz representa uma derrota política humilhante para o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu, apontado por seus críticos como o grande vilão da escalada militar no Oriente Médio.

A avaliação ganhou força após a reação de Yair Golan, líder do partido Democratas, de centro-esquerda, em Israel. Em publicação nas redes sociais, o oposicionista afirmou que o acordo “apaga” as conquistas militares israelenses e deixa Netanyahu em uma posição de fraqueza, isolamento e impotência diante dos novos termos da diplomacia regional.

Oposição israelense vê fracasso histórico de Netanyahu

Golan criticou duramente o pacto entre Washington e Teerã. Para ele, a assinatura do acordo representa o desfecho de anos de erros estratégicos acumulados pelo governo Netanyahu.

“Em uma única assinatura, imensas conquistas militares asseguradas com a coragem de nossos pilotos e o sangue de nossos combatentes foram apagadas, enquanto Netanyahu ficou à margem – fraco, doente, isolado e impotente”, afirmou o líder oposicionista.

A frase expõe a dimensão da crise política aberta em Israel pelo acordo. Ao aceitar uma solução negociada com o Irã, os Estados Unidos deixaram Netanyahu sem controle sobre o desfecho da guerra, apesar de Israel ter sido um dos principais protagonistas da escalada militar na região.

Acordo enfraquece a narrativa de vitória israelense

O entendimento entre Estados Unidos e Irã prevê o fim das operações militares, a suspensão de bloqueios no Estreito de Ormuz e a abertura de negociações posteriores sobre o programa nuclear iraniano. Para Netanyahu, que apostou na pressão militar como instrumento de isolamento e enfraquecimento de Teerã, o acordo altera profundamente o cenário político.

A reabertura de Ormuz e a retomada da diplomacia recolocam o Irã como ator central nas negociações regionais. Ao mesmo tempo, esvaziam a narrativa de que a força militar israelense seria capaz de impor sozinha uma nova correlação de forças no Oriente Médio.

Golan classificou o acordo como “a culminação de muitos anos de fracasso”. Segundo ele, Netanyahu termina seu período no poder com os inimigos de Israel mais fortes, o país mais fraco e a capacidade de dissuasão israelense em erosão.

“Netanyahu está encerrando seu mandato com os inimigos de Israel mais fortes, Israel mais fraco, e a dissuasão construída com o sangue de nossos combatentes se deteriorando diante de nossos olhos”, afirmou.

Netanyahu fica à margem do processo diplomático

A fala do líder oposicionista reforça a percepção de que Netanyahu foi deixado à margem das decisões centrais que definiram o acordo. Enquanto Donald Trump celebrou o entendimento com Teerã e autorizou a remoção do bloqueio naval dos Estados Unidos, Israel viu sua margem de manobra se reduzir.

O primeiro-ministro israelense, que tentou sustentar a guerra como demonstração de força e fator de pressão sobre o Irã, aparece agora isolado diante de uma solução negociada que não entrega os resultados máximos defendidos por seus aliados mais radicais.

A crítica de Golan é especialmente dura porque parte de dentro da política israelense. Ela não acusa apenas uma derrota militar ou diplomática pontual, mas aponta uma falência estratégica mais ampla: a incapacidade de Netanyahu de converter a guerra em segurança, estabilidade ou maior poder de dissuasão para Israel.

A guerra fortaleceu Teerã na mesa de negociação

Do ponto de vista iraniano, o acordo tem sido apresentado como resultado de diplomacia, resistência e capacidade de dissuasão. Teerã afirma que não foi forçado a aceitar os termos do pacto e sustenta que sua soberania permaneceu como linha vermelha durante todo o conflito.

Esse enquadramento torna ainda mais delicada a posição de Netanyahu. Se o Irã consegue apresentar o fim da guerra como vitória diplomática e militar, Israel passa a enfrentar uma dupla derrota: não conseguiu impor a rendição de Teerã e tampouco impediu que os Estados Unidos aceitassem negociar diretamente uma saída para o conflito.

A avaliação de Golan traduz essa percepção ao afirmar que a dissuasão israelense, construída com o sacrifício de combatentes, estaria se desgastando diante dos olhos da sociedade israelense.

O vilão da guerra diante de um acordo de paz

Netanyahu sai enfraquecido porque apostou na escalada e viu a diplomacia prevalecer. A paz, nesse contexto, torna-se uma derrota histórica para o primeiro-ministro israelense, que tentou se apresentar como líder indispensável à segurança de Israel, mas acabou retratado por seus próprios adversários internos como um dirigente isolado e impotente.

A crítica da oposição também revela o custo político da guerra dentro de Israel. Para Golan, o acordo não apenas reduz os ganhos militares obtidos no campo de batalha, mas simboliza a deterioração da posição estratégica do país após anos de governo Netanyahu.

O resultado é uma inversão profunda da narrativa construída pelo primeiro-ministro. O líder que buscou projetar força termina associado ao fracasso diplomático, ao isolamento político e à erosão da segurança israelense.

Paz redesenha o tabuleiro do Oriente Médio

O acordo entre Estados Unidos e Irã não encerra todas as tensões regionais. Ainda há incertezas sobre sua implementação, sobre as negociações nucleares, sobre o papel de Israel e sobre a situação no Líbano. Mas o pacto já produziu um efeito imediato: expôs a fragilidade da estratégia de Netanyahu.

Ao reabrir o caminho da diplomacia, Washington e Teerã deslocam Israel do centro da decisão e reduzem o espaço político de uma liderança que apostou na guerra como forma de sobrevivência.

Para a oposição israelense, a paz não é apenas um cessar de hostilidades. É o retrato de uma derrota humilhante e histórica para Netanyahu, o vilão da guerra.

FOTO: AGENCIA LUSA

FONTE: https://www.brasil247.com/mundo/paz-representa-derrota-humilhante-e-historica-para-netanyahu-o-vilao-da-guerra