Esquema teria movimentado R$ 86,6 bilhões. Pedro Antônio Pereira Thiago é visto como alinhado ao bolsonarismo.
247 – Um auditor-fiscal da Receita Federal apontado como um dos líderes de um esquema investigado no Porto do Rio de Janeiro ocupou o cargo de chefe da alfândega durante o governo de Jair Bolsonaro (PL), em um caso que envolve a movimentação de R$ 86,6 bilhões em mercadorias e suspeitas de pagamento de propinas milionárias, informa Lauro Jardim, do jornal O Globo.
Pedro Antônio Pereira Thiago está entre os 17 auditores afastados na Operação Mare Liberum, conduzida pela Corregedoria da Receita Federal em parceria com a Polícia Federal e o Ministério Público Federal.
Investigação e atuação no Porto do Rio
Pedro Thiago foi nomeado delegado da Alfândega da Receita Federal no Porto do Rio em dezembro de 2020, durante a gestão Bolsonaro, permanecendo no cargo até novembro de 2023, quando foi substituído já no governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT). As investigações o apontam como um dos principais responsáveis pela articulação do esquema.
O caso começou a ser apurado em 2022, a partir de mecanismos internos de controle da própria Receita e de denúncias recebidas. Segundo os dados reunidos pelos investigadores, o esquema operou entre julho de 2021 e março de 2026, envolvendo valores expressivos em mercadorias e o pagamento de dezenas de milhões de reais em propinas.
Pressões internas e trajetória
Internamente, a substituição do auditor teria sido alvo de resistência, com relatos de pressões para mantê-lo ou nomeá-lo para outros cargos de relevância dentro da Receita. Ele também é descrito por colegas como alinhado ao bolsonarismo, mantendo proximidade com integrantes do clã Bolsonaro nas redes sociais.
No início de abril, Pedro Thiago obteve aposentadoria voluntária com proventos integrais. A concessão do benefício foi oficializada por meio de portaria publicada no Diário Oficial da União no dia 8.
Foto: Divulgação/Porto de Santos
FONTE: https://www.brasil247.com/regionais/sudeste/peca-central-de-esquema-bilionario-no-rio-virou-chefe-da-alfandega-no-governo-bolsonaro