CEOs dos EUA foram a Pequim buscar acordos com Xi Jinping em meio ao avanço econômico e tecnológico da China.
247 – O jornalista e analista geopolítico Pepe Escobar afirmou que a visita de Donald Trump à China expõe uma mudança na relação de forças entre Washington e Pequim, com grandes empresários norte-americanos buscando manter acesso ao mercado chinês em meio à deterioração das relações políticas entre os dois países. Segundo ele, o principal eixo da cúpula não foi diplomático, mas econômico.
Diretamente de Xangai, Escobar disse que a presença dos principais executivos das maiores corporações dos Estados Unidos revelou o fracasso da estratégia de desacoplamento econômico entre as duas potências. “Toda aquela narrativa de isolar a China, de desacoplamento, de romper com a economia chinesa, é uma palhaçada”, afirmou.
Na avaliação do analista, o gesto mais significativo da visita foi a movimentação dos CEOs de empresas como Apple, Nvidia, Tesla e BlackRock em direção à China. “Eles pegaram o Air Force One e foram para a China basicamente implorar negócios a Xi Jinping e às classes de business chinesas”, declarou.
Escobar afirmou que o peso econômico da delegação empresarial norte-americana demonstrou o grau de dependência das corporações dos Estados Unidos em relação à estrutura industrial e tecnológica chinesa. “Esses caras, cuja capitalização de mercado acumulada passa de 10 trilhões de dólares, vieram prestar tributo ao verdadeiro imperador”, disse.
Segundo ele, a China passou a ocupar a posição central da economia global enquanto os Estados Unidos tentam preservar influência por meio de sanções e confrontação comercial. “O verdadeiro imperador não é o imperador da barbárie. O verdadeiro imperador é Xi Jinping”, afirmou.
O analista destacou que a China mantém controle rigoroso sobre os setores em que empresas estrangeiras podem operar. Ele citou o caso da Tesla, cuja principal fábrica está instalada em Xangai, e da Apple, que concentra parte de sua produção no território chinês. “As indústrias onde eles podem investir e participar são estritamente delimitadas pelos chineses”, afirmou.
Sobre Elon Musk, Escobar disse que o empresário busca preservar as margens de lucro da Tesla diante das tarifas comerciais defendidas por Trump. “O que Musk quer é continuar fazendo Teslas na China sem uma tarifa de 100% imposta pelo seu amigo Donald Trump”, declarou.
No caso da Nvidia, Escobar afirmou que a empresa perdeu espaço diante do avanço tecnológico chinês. “A China não precisa mais da Nvidia. Eles desenvolveram seus próprios semicondutores”, disse. Segundo ele, Pequim já trabalha para atingir a produção de chips de três nanômetros sem depender de fornecedores estrangeiros.
Escobar também mencionou o interesse da BlackRock em acessar o mercado financeiro chinês, mas afirmou que Pequim continuará restringindo a participação estrangeira em áreas estratégicas. “Eles podem abrir um pequeno nicho, mas não vão interferir na China como um todo”, afirmou.
O jornalista disse que Pequim poderá fazer concessões pontuais aos Estados Unidos, como a compra de aviões da Boeing e de mais soja norte-americana, mas ressaltou que isso não altera o projeto estratégico chinês. “Isso não vai mais fundo”, declarou.
Segundo Escobar, o centro da estratégia chinesa está no novo plano quinquenal, que prevê a integração da inteligência artificial à maior parte da economia do país nos próximos cinco anos. “O objetivo é chegar daqui a cinco anos com 70% da economia chinesa diretamente coordenada e estruturada por inteligência artificial”, afirmou.
Para o analista, a visita da delegação norte-americana simbolizou o reconhecimento da posição econômica chinesa em um momento de desgaste da capacidade de liderança dos Estados Unidos. “Foi o império da barbárie prestando tributo ao verdadeiro imperador da geoeconomia global”, declarou.
Foto: Brasil247
FONTE: https://www.brasil247.com/entrevistas/pepe-escobar-os-ceos-americanos-foram-a-china-prestar-tributo-ao-verdadeiro-imperador-da-economia-global