No Pepe Café, analista geopolítico diz que Teerã mantém comando intacto e aposta no Estreito de Ormuz como eixo de pressão global.
247 – A nova análise do jornalista e analista geopolítico Pepe Escobar aponta para um cenário de agravamento da guerra, sem perspectiva imediata de cessar-fogo e com o Irã, segundo ele, preservando sua estrutura de comando político-militar mesmo sob forte pressão externa. Na leitura apresentada, o conflito já entrou em uma etapa decisiva, marcada por incertezas sobre nomes da cúpula iraniana, mas sem sinais de fragmentação do poder em Teerã.
As declarações foram dadas por Escobar em vídeo publicado no canal Pepe Café, no YouTube. Ao longo da transmissão, ele sustenta que a guerra atravessa uma fase crítica e que a liderança iraniana continua operando com capacidade de coordenação para sustentar uma confrontação prolongada.
Segundo Escobar, o ponto central não está apenas nas especulações em torno de mortes, exílio ou sucessão no topo do Estado iraniano, mas na permanência de um núcleo de poder capaz de administrar a resposta militar e política do país. Para ele, esse centro decisório permanece funcional e articulado mesmo após os ataques mais recentes.
Na avaliação do analista, uma eventual discussão sobre trégua ainda está distante. Em um dos trechos mais enfáticos, Escobar afirma: “não vai haver realmente cessar fogo”. Ele acrescenta que uma sondagem concreta sobre interrupção dos combates só ocorreria caso o círculo dirigente iraniano concluísse que a continuidade da guerra colocaria em risco a sobrevivência do próprio sistema de poder — hipótese que, segundo sua leitura, ainda está longe de se impor.
Escobar também argumenta que o Irã preserva parte importante de sua capacidade militar estratégica. Na análise apresentada no Pepe Café, áreas consideradas essenciais para a sustentação da guerra não teriam sido neutralizadas, o que manteria intacta a possibilidade de prolongamento do conflito. Essa leitura inclui desde estruturas subterrâneas de mísseis até recursos navais e posições geográficas decisivas no Golfo Pérsico e no entorno do Estreito de Ormuz.
Ao tratar da condução política da guerra, o jornalista sustenta que Mojtaba Khamenei aparece como figura central na coordenação do processo decisório iraniano, cercado por um grupo restrito de dirigentes e comandantes com experiência acumulada em conflitos assimétricos. Para Escobar, esse arranjo ajuda a explicar por que a cadeia de comando não teria sido quebrada. Em sua síntese, “o sistema iraniano como um todo não está fragmentado”.
Outro ponto central da análise é o peso crescente do Estreito de Ormuz na estratégia iraniana. Escobar defende que Teerã transformou a região no principal instrumento de pressão sobre a economia mundial, ao combinar posição geográfica, capacidade militar e influência sobre rotas energéticas vitais. Na formulação do comentarista, trata-se de um movimento pensado para deslocar parte do confronto do terreno estritamente militar para o da logística, dos seguros e do abastecimento global.
Segundo ele, o Irã atua com horizonte prolongado e sem expectativa de solução rápida. Em uma das passagens do vídeo, afirma que “o Irã está jogando um jogo muito, muito longo”, baseado em três pilares: história, tecnologia e geografia. Para Escobar, essa combinação amplia os custos para os adversários e dificulta uma saída negociada no curto prazo.
Na transmissão, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, é apresentado como personagem central da escalada militar. Escobar atribui a Washington uma leitura equivocada da capacidade de resistência iraniana e uma aposta excessiva na força bruta como instrumento de resolução do conflito. Em uma das declarações mais duras, ele diz: “a única coisa que os americanos sabem fazer é bombardear tudo que têm na frente, literalmente”.
A análise vai além do confronto direto e incorpora a possibilidade de ampliação regional da guerra. Escobar menciona o papel de atores aliados do Irã e descreve um ambiente em que qualquer novo movimento militar pode produzir efeitos em cadeia no oeste da Ásia. Nessa perspectiva, a disputa deixaria de ser apenas uma guerra localizada para se converter em crise de alcance mais amplo, com efeitos diretos sobre energia, comércio e alianças internacionais.
No plano econômico, o comentarista alerta para o risco de desorganização das cadeias de suprimento e para a pressão sobre os preços do petróleo caso a confrontação se intensifique. Sua avaliação é que o impacto sobre mercados, portos, seguros marítimos e rotas de exportação pode se aprofundar rapidamente, sobretudo se o impasse no Estreito de Ormuz se prolongar.
Escobar também sustenta que, se houver algum tipo de cessar-fogo no futuro, ele só seria aceitável para o Irã sob condições rigorosas, incluindo garantias internacionais de soberania, reparação por danos de guerra, redução ou fim de sanções e reconhecimento do direito do país a manter um programa nuclear pacífico. Na leitura dele, essas exigências tornam remota uma solução diplomática imediata.
Ao resumir a natureza do confronto, o jornalista afirma que o desfecho terá consequências muito além do campo de batalha. Em um dos trechos mais fortes da análise, ele declara: “essa vai ter que ser a última guerra contra o culto da morte no oeste da Ásia, contra o império”. Para Escobar, trata-se de uma disputa existencial, com efeitos potenciais sobre o Irã, seus aliados, o Sul Global e a própria estabilidade da economia internacional.
A leitura apresentada no Pepe Café conclui que a guerra entrou em uma fase em que o fator decisivo não é apenas a intensidade dos bombardeios, mas a capacidade de sustentar pressão econômica e geopolítica por tempo prolongado. Nesse quadro, Escobar vê no Estreito de Ormuz o centro nervoso da disputa e o principal instrumento de contenção estratégica mobilizado por Teerã.
Foto: Brasil247
FONTE: https://www.brasil247.com/entrevistas/pepe-escobar-ve-ira-coeso-e-guerra-sem-tregua-no-curto-prazo