Estatal estuda ampliar plantas em Sergipe, Bahia e Mato Grosso do Sul para alcançar até 75% da demanda brasileira no quinquênio.
247 – A Petrobras prevê dobrar a produção nacional de fertilizantes nitrogenados e estuda ampliar plantas em Sergipe, Bahia e Mato Grosso do Sul para alcançar até 75% da demanda brasileira no quinquênio. As informações são do discurso da presidente da Petrobras, Magda Chambriard, durante evento em Sergipe para o anúncio de investimentos de R$ 72,5 bilhões no estado.
No discurso, Magda Chambriard afirmou que a estatal busca ampliar a produção de gás natural, petróleo e fertilizantes no país, com foco na retomada de unidades industriais e no fortalecimento da cadeia produtiva nacional. “Temos boas notícias”, disse a presidente da Petrobras.
A executiva afirmou que a Petrobras vive um ciclo de expansão e destacou o papel estratégico da companhia para o Brasil. “A Petrobras é um orgulho nacional, a maior empresa da América Latina, e é brasileira”, declarou.
Segundo Magda, a estatal registrou crescimento de 16% na produção de petróleo no primeiro trimestre de 2026, em comparação com o mesmo período de 2025. “Temos trabalhado muito para aumentar a produção de petróleo no Brasil. Nesse primeiro trimestre de 2026 crescemos 16% [em comparação com o mesmo período de 2025]. Nosso histórico tem sido de crescimento, crescimento real, importante e contínuo”, afirmou.
Petrobras prevê R$ 60 bilhões em exploração e produção em Sergipe
A presidente da Petrobras disse que o plano de negócios da companhia prevê investimentos de US$ 109 bilhões no quinquênio. Em Sergipe, os aportes em exploração e produção devem chegar a R$ 60 bilhões nos próximos cinco anos.
“Temos um plano de negócios que prevê investir no quinquênio US$ 109 bilhões, e temos aqui para Sergipe um investimento, em exploração e produção, da ordem de R$ 60 bilhões para o próximo quinquênio”, afirmou Magda.
O programa de investimentos anunciado para Sergipe inclui duas plataformas em águas profundas, cada uma com capacidade para produzir 120 mil barris por dia. Juntas, as unidades devem alcançar 240 mil barris de petróleo por dia e 22 milhões de metros cúbicos de gás natural por dia.
“O que estamos anunciando aqui para vocês? Um programa de investimentos em Sergipe, de águas profundas, que vão constar de duas plataformas com capacidade, cada uma, de 120 mil barris por dia. E a produção de gás das duas juntas de 22 milhões de metros cúbicos por dia. 240 mil barris por dia e 22 milhões de metros cúbicos por dia”, disse.
De acordo com Magda, esse projeto deve transformar Sergipe no maior estado produtor do Nordeste e gerar 25 mil empregos diretos e indiretos ligados à produção. Ela também afirmou que o investimento inclui um gasoduto para levar o gás produzido no mar até o território sergipano.
“Isso transforma Sergipe no maior estado produtor do Nordeste. Isso gera 25 mil empregos entre diretos e indiretos apenas relacionados a esta produção. Isso põe gás em terra em Sergipe porque, junto com esses projetos, vem aqui um gasoduto para trazer gás do alto mar para a terra”, afirmou.
Plataformas terão processamento de gás natural em alto mar
Magda Chambriard destacou que as duas plataformas previstas para Sergipe também representam um avanço tecnológico para o sistema Petrobras. Segundo ela, cada unidade terá uma estrutura própria de processamento de gás natural.
“Essas duas plataformas são também uma prova da tecnologia e capacidade produtiva do sistema Petrobras. São plataformas em alto mar, em águas ultraprofundas que têm, cada uma, uma unidade de processamento de gás natural”, afirmou.
A presidente da Petrobras ressaltou o caráter inovador do projeto. “A gente tem pelo mundo plataformas que produzem petróleo, que produzem gás, mas desconheço – e tenho mais de 40 anos nessa indústria – uma plataforma que tenha uma unidade de processamento de gás natural. E nós teremos uma unidade em cada uma dessas duas plataformas”, disse.
Reabertura da Fafen fortalece plano de fertilizantes
A retomada da Fafen em Sergipe foi apresentada por Magda como parte central da estratégia da Petrobras para ampliar a produção de fertilizantes nitrogenados no Brasil. Segundo ela, a unidade será responsável por 7% da demanda nacional desses insumos.
“Estamos celebrando hoje a reabertura da Fafen. Essa Fafen vai produzir 7% da demanda de fertilizantes nitrogenados do Brasil”, afirmou.
Magda disse que a reabertura da unidade foi viabilizada pela ampliação da produção e da disponibilidade de gás natural, fator considerado essencial para reduzir custos e permitir a operação econômica das plantas de fertilizantes.
“Por que ela foi possível, já que foi fechada e aberta e hibernada? Porque fomos capazes de ampliar a produção de gás natural, de fazer uma unidade de processamento de gás natural de grande porte, de aumentar a disponibilidade de gás de 29 milhões para 52 milhões. E foi isso que fez com que o gás natural caísse de preço e permitisse a viabilidade econômica dessas plantas de fertilizantes”, declarou.
A presidente da Petrobras afirmou que a queda no preço do gás natural depende de investimentos estruturantes. “Então não se enganem. O que baixa o preço do gás natural, o que permite fertilizantes, esses insumos, é investimento sério em prol da sociedade brasileira”, disse.
Petrobras mira até 75% da demanda de nitrogenados
Além de Sergipe, Magda citou iniciativas da Petrobras na Bahia, no Mato Grosso do Sul e no Paraná. Segundo ela, a combinação desses empreendimentos permitirá ao Brasil alcançar cerca de 35% da demanda nacional de fertilizantes nitrogenados.
“Nessa Fafen produziremos 7% dos nitrogenados. Mas fizemos a mesma coisa na Bahia, mais 5%. Estamos reeditando e completando a obra da UFN3, no Mato Grosso do Sul, e fizemos a mesma coisa no Paraná. Com esses três empreendimentos vamos ser capazes de gerar mais de 3 mil empregos aqui em Sergipe, além dos outros estados. E vamos ser capazes de entregar para o Brasil cerca de 35% da demanda de fertilizantes nitrogenados”, afirmou.
A presidente da Petrobras disse que a companhia avalia novas plantas e ampliações de unidades já existentes. A estratégia, segundo ela, leva em conta a disponibilidade de gás natural em regiões onde há estrutura para expandir a produção.
“Estávamos pensando em mais cinco plantas e pensar a ser auto suficientes em fertilizantes nitrogenados. Mas onde vai ser isso? Onde chega o gás? Se a gente tem espaço aqui do lado da planta de Sergipe, por que a gente não dobra essa planta? Se a gente tem espaço na Bahia, por que a gente não dobra a planta da Bahia? E se a gente tem espaço em Mato Grosso do Sul, por que a gente não dobra a planta de Mato Grosso do Sul. Estamos estudando isso”, declarou.
Magda afirmou que os estudos indicam a possibilidade de elevar a participação nacional na oferta de fertilizantes nitrogenados para 70% ou 75% ainda no quinquênio. “Com esse estudos, enxergamos que podemos, nesse quinquênio ainda, chegar a 70% ou 75% dos fertilizantes nitrogenados que o Brasil pelo menos. Nossa meta vai ser buscar a autossuficiência de fertilizantes nitrogenados”, afirmou.
Potássio e mineração entram no radar da Petrobras
Durante o discurso, a presidente da Petrobras também mencionou o potencial de Sergipe na produção de potássio, outro insumo utilizado na fabricação de fertilizantes. Ela defendeu que a companhia possa ampliar sua atuação como empresa de energia.
“Aqui em Sergipe a gente tem também potássio. Potássio também é um insumo para fertilizantes. Eu gosto da ideia de explorar potássio, minerais críticos, de fazer urânio, de ser uma empresa de energia cada vez maior”, disse.
Magda afirmou, no entanto, que a Petrobras não tem atualmente objeto social para atuar em mineração, embora tenha lembrado a existência da Petromisa no passado. “Não temos objeto social hoje para fazer mineração. Tínhamos a Petromisa, mas num passado recente esse objeto social deixou de integrar o objeto social da Petrobras. Podemos retomar isso. Vai fazer parte de um ‘esforço Petrobras’, e depende de toda a sociedade brasileira querer isso”, declarou.
Descomissionamento terá R$ 2,5 bilhões em investimentos
A presidente da Petrobras também tratou da desmobilização de plataformas antigas no litoral sergipano. Segundo ela, o mar de Sergipe produz há mais de 50 anos, e algumas estruturas chegaram ao fim de sua vida produtiva.
“O mar do Sergipe produz há mais de 50 anos, e nesses mais de 50 anos temos plataformas que já chegaram ao seu final de produção. Então temos agora desinvestimentos que na verdade não são. São desmobilização de plataformas”, afirmou.
Magda disse que 26 plataformas de pequeno porte em Sergipe precisarão ser descomissionadas, em um processo voltado à recuperação ambiental das áreas ocupadas. “E vamos colocar essas 26 plataformas de pequeno porte aqui em Sergipe que precisam ser descomissionadas para que a gente retorne este espaço às melhores condições ambientais, como era antes. A gente vem aqui e produz, mas com respeito ao meio ambiente”, afirmou.
Segundo a presidente da Petrobras, o esforço de desmobilização das plataformas representará R$ 2,5 bilhões em investimentos e deve gerar emprego e renda no estado, ao mesmo tempo em que a companhia amplia a produção em Sergipe.
“Esse esforço de desmobilização dessas plataformas vai gerar um investimento de R$ 2,5 bilhões. Vai ser feito gerando emprego e renda aqui em Sergipe. E vai ser feito enquanto a gente também investe para aumentar a produção de Sergipe”, concluiu.
Foto: Divulgação / Petrobras
FONTE: https://www.brasil247.com/agro/petrobras-preve-dobrar-producao-nacional-de-fertilizantes-nitrogenados