Adivinha quem está pagando essa conta.
A Petrobras está vendendo gasolina 68% abaixo do preço internacional. O dado é da Abicom, fechado em 28 de abril. Em Paulínia, a defasagem chega a 71%. Em Araucária, 72%. A janela de importação está fechada há 62 dias. Para alinhar com o internacional, seria preciso reajustar R$ 1,70 por litro nas refinarias.
O contexto: a guerra do Irã levou o Brent a US$ 113 hoje, o maior valor desde 2022. Hormuz está efetivamente fechado, e o IEA chamou de a maior crise de oferta da história do petróleo. Lá fora, gasolina nos EUA subiu 27% em dois meses. Aqui, a Petrobras não reajusta o preço nas refinarias desde 27 de janeiro. 92 dias congelado.
A presidente Magda Chambriard foi clara ontem: a estatal não se sente pressionada pela paridade. Em ano pré-eleitoral, gasolina cara no posto vira problema político imediato. Resultado: a Petrobras absorve internamente o gap. O subsídio existe, só não aparece na bomba.
E a conta? Tem três pagadores escondidos. O acionista da Petrobras perde dividendo potencial. A União aprovou em 24 de março um subsídio do diesel de R$ 1,20 por litro, com metade saindo do Tesouro. E o setor aéreo, que não teve subsídio: o querosene subiu 54,8% em 1º de abril, a maior alta da história, e as passagens dispararam 23,6% em 12 meses, seis vezes a inflação oficial do IBGE.
Pra investidor brasileiro com carteira em PETR4, isso significa duas equações opostas. Lá fora, a Petrobras vende petróleo a US$ 113 para a China com margem cheia. Aqui dentro, vende combustível represado. Em 2025, a estatal lucrou R$ 110 bilhões e distribuiu R$ 45,2 bilhões em dividendos. A pergunta de 2026 é quanto disso sobrevive ao freio interno.
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