Com ataques dos EUA e de Israel e risco de bloqueio do Estreito de Ormuz, commodity deve disparar.
247 – O petróleo registrou uma forte alta neste domingo (1º de março de 2026), com o Brent saltando cerca de 10% e sendo negociado por volta de US$ 80 o barril no mercado de balcão, segundo relatos de traders, em meio à intensificação do conflito envolvendo o Irã e ao temor de interrupções no fluxo global de energia.
As informações foram publicadas pela agência Reuters, que destacou que analistas veem espaço para os preços avançarem até a faixa de US$ 100 o barril após ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irã, que colocaram o Oriente Médio “em uma nova guerra”, elevando o prêmio de risco sobre o petróleo em um momento em que o mercado futuro está fechado no fim de semana.
Salto no Brent e risco de escalada quando o mercado reabrir
A Reuters relata que o Brent, referência global, já vinha acumulando alta em 2026 e havia fechado a sexta-feira a US$ 73 o barril, a maior cotação desde julho, impulsionado pela crescente preocupação com a possibilidade de ataques que se concretizaram no dia seguinte. Com as negociações de futuros interrompidas no fim de semana, a reação imediata apareceu no mercado de balcão, onde traders apontaram a disparada para a região de US$ 80.
A percepção de que o choque pode ser maior quando as bolsas reabrirem é reforçada por projeções citadas pela reportagem. Ajay Parmar, diretor de energia e refino da ICIS, afirmou que o elemento decisivo é a possibilidade de fechamento do principal gargalo logístico do petróleo no mundo. “Embora os ataques militares em si deem suporte aos preços do petróleo, o fator-chave aqui é o fechamento do Estreito de Ormuz”, disse Parmar.
Ainda segundo o executivo, o mercado pode reagir com um reajuste expressivo logo na abertura. “Esperamos que os preços abram (após o fim de semana) muito mais perto de US$ 100 o barril e talvez excedam esse nível se virmos uma interrupção prolongada do Estreito”, afirmou Parmar à Reuters.
Estreito de Ormuz no centro do choque de oferta
O Estreito de Ormuz é apontado como o epicentro do risco porque concentra uma parcela gigantesca do comércio marítimo de energia. A Reuters afirma que mais de 20% do petróleo global passa pelo corredor, e que, após Teerã alertar navios a não transitarem pela área, “a maioria dos proprietários de petroleiros, grandes companhias de petróleo e casas de trading” suspendeu embarques de petróleo bruto, combustíveis e gás natural liquefeito pelo estreito, conforme fontes do comércio.
Esse tipo de restrição, mesmo que parcial ou temporária, tende a produzir uma elevação rápida do preço, já que o mercado passa a precificar um déficit potencial de oferta e atrasos logísticos. O problema, segundo a reportagem, não é apenas o volume que pode deixar de circular, mas também o efeito dominó sobre seguros, fretes, rotas alternativas e disponibilidade de navios, em um ambiente de incerteza geopolítica.
A Reuters também registrou que líderes do Oriente Médio advertiram Washington de que uma guerra com o Irã poderia levar o petróleo a ultrapassar US$ 100. A analista Helima Croft, da RBC, foi citada nessa avaliação. Já o Rabobank, segundo a reportagem, adotou um tom um pouco menos agressivo, projetando preços acima de US$ 90 no curto prazo.
Opep+ eleva produção, mas aumento é modesto diante do risco
No mesmo domingo, o grupo Opep+ concordou em aumentar a produção em 206 mil barris por dia a partir de abril, conforme destacou a Reuters. O avanço é descrito como modesto, por representar menos de 0,2% da demanda global. Na prática, trata-se de um incremento insuficiente para neutralizar um choque relevante no Golfo, caso o Estreito de Ormuz sofra uma interrupção mais duradoura.
A agência também menciona movimentos de exportação na região. Segundo fontes ouvidas, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos elevaram seus embarques. Ainda assim, o ponto central permanece: o gargalo não é apenas a disponibilidade de petróleo, mas a capacidade de escoamento em um corredor marítimo que, em condições normais, é um dos principais “pulmões” do comércio global de energia.
Rotas alternativas e estimativas de perda de até 10 milhões de bpd
A Reuters aponta que existe infraestrutura alternativa capaz de contornar parcialmente Ormuz, mas ela não resolve o problema em grande escala. O economista de energia Jorge Leon, da Rystad, disse que, mesmo com desvio de parte do fluxo por meio do oleoduto East-West, na Arábia Saudita, e do oleoduto de Abu Dhabi, o impacto líquido do fechamento poderia significar a perda de 8 milhões a 10 milhões de barris por dia de oferta de petróleo bruto.
Com base nessa leitura, a Rystad espera que os preços subam cerca de US$ 20 quando o mercado voltar a operar, levando o Brent para perto de US$ 92 o barril. A projeção traduz a lógica do choque: se o mundo perde rapidamente alguns milhões de barris por dia de oferta efetiva, o ajuste tende a ser imediato no preço, especialmente em um mercado que, segundo a reportagem, já vinha se valorizando ao longo do ano.
Ásia revisa estoques e mira Rússia como alternativa, diz consultoria
A crise também provocou reação do lado da demanda e do planejamento de abastecimento, sobretudo na Ásia, região altamente dependente do petróleo do Oriente Médio. De acordo com a Reuters, governos e refinarias asiáticas passaram a avaliar estoques e rotas alternativas de navegação e suprimento diante do risco de interrupção.
Em um webinar realizado no domingo, analistas da Kpler afirmaram que a Índia poderia recorrer ao petróleo russo para compensar uma eventual perda de fornecimento do Oriente Médio. A observação reforça que a crise não é apenas de preço, mas de rearranjo de fluxos globais, com potenciais impactos sobre prazos de entrega, custos de transporte e escolhas geopolíticas dos importadores.
O que o mercado observa a partir de agora
Com os futuros fechados no fim de semana, a leitura predominante apresentada pela Reuters é a de que o mercado pode “precificar de uma vez” o risco geopolítico quando as negociações reabrirem, especialmente se persistirem sinais de suspensão de embarques pelo Estreito de Ormuz. A amplitude das projeções citadas — de um patamar acima de US$ 90 até a possibilidade de superar US$ 100 — espelha o grau de incerteza sobre a duração e a intensidade das restrições.
O desdobramento-chave, segundo as falas destacadas na reportagem, está na fluidez do estreito e na capacidade de os produtores e operadores logísticos manterem o escoamento. Em um cenário de interrupção prolongada, o prêmio de risco pode se tornar o componente dominante do preço, sobrepondo-se ao aumento modesto de produção aprovado pela Opep+ e às tentativas regionais de elevar exportações.
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FONTE: https://www.brasil247.com/economia/petroleo-dispara-10-apos-atrocidades-de-trump-e-netanyahu-que-podem-causar-crise-economica-global