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Petróleo dispara mais de 6% e ultrapassa US$ 100 com escalada no Oriente Médio e ataques no Mar Vermelho

Conflito entre EUA e Irã se intensifica com participação dos houthis no Iêmen e estrangulamento de rotas marítimas estratégicas.

247 – O preço do petróleo voltou a disparar mais de 6% nesta quinta-feira (23), ultrapassando a marca de US$ 100 por barril após um hiato de quase dois meses. A forte valorização reflete o acirramento do conflito militar entre os Estados Unidos e o Irã, somado à entrada direta dos houthis — grupo militante do Iêmen aliado a Teerã — nas hostilidades, o que elevou drasticamente o nível de estrangulamento no escoamento da produção de petróleo no Oriente Médio.

Por volta das 10h12 (horário de Brasília), o barril do petróleo Brent, que serve como referência para o mercado mundial, atingiu a cotação de US$ 100,07 (aproximadamente R$ 507,59), registrando uma alta de 6,42%. Trata-se do valor mais elevado alcançado pela commodity desde 26 de maio, ocasião em que atingiu US$ 100,73 e marcou a última vez em que o insumo foi negociado na casa dos três dígitos.

Ataques no Mar Vermelho e bloqueio de rotas estratégicas

A arrancada nas cotações ocorre na esteira de uma sequência de ataques perpetrados pelos houthis contra embarcações comerciais que tentavam alcançar a Arábia Saudita navegando pelo Mar Vermelho. Nesta quinta-feira, ao menos dois navios foram alvo de investidas na trajetória marítima que vinha sendo utilizada pelas petroleiras como rota alternativa ao estreito de Hormuz — passagem responsável pelo trânsito de cerca de 20% da produção global de petróleo e gás, mas que permanece totalmente bloqueada para o tráfego marítimo.

Autoridades de transporte da Arábia Saudita confirmaram a ocorrência do ataque a uma das embarcações. O segundo bombardeio foi assumido publicamente pelos houthis por meio de um comunicado transmitido pela rede de televisão Al-Masirah, embora a investida ainda não tenha sido confirmada de forma oficial pelo governo saudita.

As embarcações atacadas buscavam cruzar o Mar Vermelho para acessar o estreito de Bab al-Mandab, gargalo estratégico que conecta a região ao golfo de Aden e ao Oceano Índico. A via vinha operando como alternativa logística crucial para o envio de produtos petrolíferos sauditas com destino aos mercados consumidores da Ásia. O grupo iemenita já havia emitido ameaças no início da semana, sinalizando que atacaria qualquer embarcação que tentasse navegar pelo Mar Vermelho.

Para contornar o bloqueio em Hormuz, a Arábia Saudita vinha utilizando um oleoduto no sentido leste-oeste conectado ao porto de Yanbu, no Mar Vermelho, de onde escoa diariamente cerca de 4,9 milhões de barris de petróleo bruto e combustíveis refinados, segundo dados levantados pela consultoria de energia Kpler.

Diante do agravamento dos riscos e das ameaças explícitas dos rebeldes iemenitas, múltiplos navios-tanque que transportavam petróleo bruto saudita pela região deram meia-volta ao longo da semana. A desorganização logística intensifica o gargalo na oferta global da commodity, fragilizada desde a interrupção das atividades no estreito de Hormuz, fechado pelo Irã há duas semanas em resposta à retomada dos confrontos diretos com as forças armadas norte-americanas.

Escalada militar entre Washington e Teerã

No front militar, os bombardeios mútuos entre Estados Unidos e Irã mantiveram ritmo intenso nesta quinta-feira. Tropas norte-americanas executaram uma nova ofensiva aérea de grande porte contra alvos localizados dentro do território iraniano. Por outro lado, o regime de Teerã declarou ter realizado investidas militares contra instalações e bases mantidas pelos EUA na Jordânia e no Kuwait.

Em agenda diplomática no Sudeste Asiático, o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, adotou tom duro contra o governo iraniano, alertando que o custo econômico e militar para Teerã continuará escalando até que o país aceite um acordo de paz duradouro.

“O Irã está implorando (por um acordo) todos os dias. O problema com o Irã é que, toda vez que eles fazem um acordo… ou o quebram ou querem alterá-lo”, afirmou o diplomata norte-americano. “Então, agora eles estão pagando o preço por isso. E talvez mudem de ideia nos próximos dias, à medida que continuam sofrendo grandes perdas”.

Em contrapartida, o porta-voz militar iraniano, brigadeiro-general Mohammad Akraminia, reiterou em transmissão pela TV estatal que Teerã não recuará enquanto for alvo de investidas ocidentais, assegurando que o Irã manterá as retaliações militares enquanto os Estados Unidos insistirem em atingir a infraestrutura e as áreas costeiras do país.

FOTO: Freepik

FONTE: https://www.brasil247.com/economia/petroleo-dispara-mais-de-6-e-ultrapassa-us-100-com-escalada-no-oriente-medio-e-ataques-no-mar-vermelho/