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Petróleo dispara mais de 7% e volta a superar US$ 90 após novos ataques no Oriente Médio

Escalada de conflito entre EUA e Irã renova temores sobre a oferta global de energia e o transporte marítimo em rotas estratégicas.

247 – O mercado internacional de energia registra uma forte alta nesta quarta-feira (29), impulsionado pelo recrudescimento das tensões e novos confrontos militares no Oriente Médio. O barril do petróleo tipo Brent, referência global de preços, voltou a ultrapassar o patamar dos US$ 90 após um salto superior a 7%, refletindo o aumento direto dos riscos para a produção, a oferta e o transporte da commodity no cenário global.

Por volta das 11h58, o contrato do Brent avançava 7,7%, sendo cotado a US$ 90,50 por barril. No mesmo período, o West Texas Intermediate (WTI), principal referência do mercado norte-americano, registrava alta de 7,5%, negociado a US$ 85,19 por barril.

A escalada do preço ocorre na esteira da retomada dos ataques entre as forças dos Estados Unidos e do Irã. O presidente norte-americano, Donald Trump, declarou em entrevista à emissora Fox News que o Irã seria atingido com severidade, em resposta a uma ação militar contra instalações americanas localizadas na Jordânia. De acordo com comunicado divulgado pela emissora estatal iraniana IRIB News, o Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã lançou mísseis balísticos contra uma base aérea e um centro de comando dos EUA na Jordânia. Em contrapartida, veículos da imprensa iraniana noticiaram que o território do país foi alvo de retaliações americanas.

O novo pico nos preços do combustível ocorre após um período de intensa instabilidade no mercado petrolífero global. Ao longo do mês de julho, as cotações oscilaram dentro de uma margem de quase US$ 32 por barril, impulsionadas pela intensificação dos choques entre Washington e Teerã, além da abertura de uma nova frente de hostilidades no Mar Vermelho promovida pelo grupo houthi, apoiado pelo governo iraniano. Embora os preços tenham arrefecido pontualmente com tréguas momentâneas, a nova rodada de agressões reacendeu o alerta dos investidores.

Os agentes econômicos mantêm o foco voltado tanto às tentativas de mediação diplomática para a contenção da guerra quanto aos impactos práticos do conflito sobre as rotas de navegação comercial. Em relatório divulgado ao mercado, analistas do banco RBC Capital Markets, chefiados por Helima Croft, manifestaram profundo ceticismo quanto ao avanço de uma solução pacífica de curto prazo.

— Continuamos extremamente céticos quanto à possibilidade de estarmos próximos de um grande avanço diplomático capaz de resolver o impasse nuclear que deu início à guerra — destacaram os analistas da RBC Capital Markets. — A ameaça persistente de mísseis, minas, drones e cobranças impostas por Teerã manterá uma parcela significativa do mercado de transporte marítimo afastada da região.

Pressão sobre rotas globais de navegação

A complexidade da crise logística aumentou com a informação veiculada pela agência Reuters, segundo a qual o grupo houthi, baseado no Iêmen, avalia passar a cobrar taxas dos navios que navegam pelo Mar Vermelho. Paralelamente, o Irã busca aplicar medidas semelhantes de cobrança no Estreito de Ormuz, passagem estratégica por onde transitava cerca de um quinto de todo o fluxo mundial de petróleo e gás antes da eclosão das hostilidades.

Ao mesmo tempo em que a tensão marítima se desdobra, operações militares em terra se expandem para outros pontos da região. Forças armadas dos Estados Unidos e da Arábia Saudita realizaram ataques coordenados no Iraque contra alvos descritos pelo Comando Central americano como “terroristas alinhados ao Irã”. Conforme o comando dos EUA, esses grupos agiam sob orientação da Guarda Revolucionária para atingir contingentes militares americanos e a infraestrutura de energia saudita.

A participação na ação militar conjunta foi confirmada pelo governo de Riad por meio da agência estatal SPA, que justificou os bombardeios como um exercício legítimo do direito de defesa das instalações energéticas e da soberania do reino saudita.

FOTO: Freepik

FONTE: https://www.brasil247.com/economia/petroleo-dispara-mais-de-7-e-volta-a-superar-us-90-apos-novos-ataques-no-oriente-medio/