Com o bloqueio das rotas alternativas para o escoamento do petróleo da Arábia Saudita e paralisação de refinaria russa, o barril Brent atinge o maior valor desde maio.
247 – O preço do petróleo registrou forte alta nesta quinta-feira (10), subindo mais de 4% e ultrapassando a barreira dos US$ 105 pela primeira vez desde maio. A disparada ocorreu após os houthis, grupo armado do Iêmen aliado do Irã, anunciarem que assumiram o controle da cidade de Mocha, uma área portuária estratégica no país que servia como rota alternativa para o escoamento da produção de petróleo vinda da Arábia Saudita.
Por volta das 9h30 (horário de Brasília), o barril do tipo Brent, referência para o mercado mundial, era negociado a US$ 105,84 (R$ 542,38), representando uma elevação de 4,57% em relação ao fechamento do dia anterior. O movimento de alta se intensificou no início da manhã, após a divulgação de que as forças houthis estenderam o seu domínio sobre o estreito de Bab el-Mandeb, passagem marítima vital que liga o Mar Vermelho ao Oceano Índico. A via era utilizada como rota alternativa por navios petroleiros sauditas.
Bloqueio estratégico e impacto nos mercados globais
A intensificação da ofensiva houthi sobre cidades no sul da Arábia Saudita provocou o bloqueio da principal rota substituta ao estreito de Hormuz. O canal de Hormuz, responsável pela passagem de cerca de 20% do petróleo e do gás consumidos globalmente, está com a navegação interrompida desde 28 de fevereiro, em decorrência do início dos conflitos na região.
Até a divulgação das operações houthis por volta das 8h30, os contratos para entrega em novembro estavam cotados perto de US$ 102. Com a forte reação do mercado internacional, o Brent alcançou o patamar mais alto desde 20 de maio, quando fechou em US$ 106,92. Nos Estados Unidos, o petróleo do tipo West Texas Intermediate (WTI) subiu 4,28% e ultrapassou a marca dos três dígitos, negociado a US$ 100,16 (R$ 513,27) por volta das 10h.
As ações do grupo iemenita nesta quinta-feira ocorreram como resposta direta às declarações do presidente dos EUA, Donald Trump. Na quarta-feira (9), o mandatário norte-americano afirmou esperar que o conflito chegasse ao fim logo após as eleições de meio de mandato no país, agendadas para novembro.
Os houthis entraram na guerra em apoio ao Irã ao realizarem um ataque contra Israel em 28 de março. Após um período de baixa intensidade nas operações, declararam um bloqueio naval contra a Arábia Saudita em julho e intensificaram as investidas na região sul do reino saudita ao longo de setembro. Em meio à escalada militar, autoridades da Defesa Civil saudita emitiram alertas de emergência na cidade de Khamis Mushait, localizada no sudoeste do país, pela quarta vez em 24 horas.
Paralelamente aos confrontos, canais diplomáticos tentam conter o avanço das hostilidades. O governo do Paquistão transmitiu a Teerã uma advertência enviada pelas autoridades de Riad pedindo que o Irã contivesse os rebeldes houthis no Iêmen, de modo a evitar o transbordamento da crise regional. Uma fonte de alto escalão do governo iraniano confirmou o recebimento do recado emitido por intermédio dos paquistaneses na última terça-feira, mas reiterou a posição de Teerã de que “o Irã não controla os houthis”.
A relevância de Bab el-Mandeb para o comércio marítimo
Conhecido historicamente como “Portão das Lágrimas” devido às severas e perigosas condições de navegação, o estreito de Bab el-Mandeb está localizado estrategicamente entre o Iêmen, na Península Arábica, e as nações de Djibuti e Eritreia, no continente africano. A posição geográfica representa um ativo militar de grande relevância para os houthis, que exercem controle sobre as regiões mais populosas e a maior parte do norte do Iêmen.
O trecho constitui uma das artérias mais decisivas do comércio internacional para a movimentação de petróleo bruto e derivados de combustível procedentes do Golfo em direção ao Mar Mediterrâneo — trajeto realizado via Canal de Suez ou pelo oleoduto Suez-Mediterrâneo, situado na costa egípcia. A rota é igualmente essencial para o transporte marítimo de mercadorias diversas rumo à Ásia, incluindo cargas do petróleo russo.
Em resposta às ações rebeldes, forças do governo do Iêmen e unidades aliadas movimentam-se no sentido sul ao longo da costa do Mar Vermelho com destino à localidade de Dhubab, situada às margens diretas do estreito e de frente para a ilha de Perim. Fontes do comando militar governamental sinalizam que retomar a jurisdição sobre Dhubab e a ilha de Perim é uma etapa indispensável para restabelecer o domínio sobre o estreito.
Paralisação de refinaria russa pressiona oferta
O mercado petroleiro sofreu ainda a influência da interrupção das operações da refinaria de Ryazan, controlada pela estatal russa Rosneft. A infraestrutura teve as atividades paralisadas em decorrência de um ataque realizado por drones no último domingo (6), conforme relataram fontes do setor de energia.
A investida danificou e parou a unidade principal de processamento (CDU-6) e a unidade secundária (CDU-4). Juntas, as duas estruturas respondem por quase metade de toda a capacidade operacional da refinaria, sendo responsáveis pelo processamento anual de cerca de 12 milhões de toneladas de petróleo, volume equivalente a 240 mil barris por dia.
A ação faz parte da estratégia de Kiev de focar alvos na infraestrutura energética da Rússia como forma de debilitar a economia do país vizinho, em um conflito armado que já se estende por mais de quatro anos e meio. O presidente russo, Vladimir Putin, declarou que as investidas ucranianas têm como objetivo provocar instabilidade e semear a discórdia interna no país. Localizada a cerca de 200 quilômetros a sudeste de Moscou, a refinaria afetada teve o silêncio da Rosneft, que optou por não responder aos pedidos de esclarecimento da imprensa.
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FONTE: https://www.brasil247.com/economia/petroleo-dispara-quase-5-e-supera-us-105-apos-novos-ataques-do-grupo-houthi-no-iemen/