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PF indica que Mendonça acoberta Flávio e persegue “Lulinha”

Mendonça violou todas as regras regimentais internas do Supremo concernentes a investigação de autoridades com prerrogativa de foro especial.

Leitura das 50 páginas do relatório de inteligência da Polícia Federal mostra que a Corporação imputa vários crimes a André Mendonça. Crimes que simplesmente confirmam o que já se diz à boca pequena nos becos da opinião pública.

Com efeito, o Terrivelmente Evangélico, no dizer da Corporação vilipendiada pelos 10% mais desastrosos de Jair Bolsonaro no Supremo, é considerado suspeito de direcionar investigações, usurpar a competência policial e, pasmem, ADULTERAR PROVAS.

Aponta o documento:

“A elaboração deste relatório decorre de dois vetores convergentes, identificados no curso das Operações Sem Desconto e Compliance Zero. O primeiro é o avanço progressivo do Ministro relator sobre atribuições próprias da Polícia Federal.

(…)

O segundo vetor são indícios crescentes de enviesamento da condução da supervisão judicial, manifestados em direcionamento temático de intensidade progressiva quanto a linha investigativa determinada, em assimetria de tratamento entre investigados de situação processual equivalente e em variação relevante nos prazos de apreciação conforme o perfil do alvo”.

Se você acha muito, tem muito mais. Mendonça mandou investigar CINCO colegas de Tribunal, sendo dois deles da sua própria “Ala”. Se não, vejamos:

“em virtude de notícias da existência de relatórios de inteligência, devidamente registrados no sistema da Polícia Federal, envolvendo eventuais atos criminosos tendentes a direcionar a produção de provas para falsa imputação de crime em relação a Ministros do SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL, com citação expressa dos nomes dos Ministros GILMAR MENDES, DIAS TOFFOLI, LUIZ FUX, ALEXANDRE DE MORAES e NUNES MARQUES, além do Procurador Geral da República e do Diretor Geral da Polícia Federal”

Mais grave: inicialmente, a investigação de Moraes e outros ministros, do PGR e do chefe da PF foi uma ordem informal, sem assinatura. Diz o relatório de inteligência:

“Em 24 de agosto de 2026, (…) O relator convocou os investigadores para reunião presencial em seu gabinete e entregou-lhes exemplar físico da decisão, sem assinatura. A prática é atípica: a intimação de ato judicial faz-se por meio próprio e a entrega de via não assinada, em ato presencial, não constitui forma de comunicação processual, além de impedir a aferição imediata de autenticidade e de conteúdo definitivo.
Posteriormente, foi feita conferência entre a via física e a peça 534 dos autos do STF. Embora elas fossem iguais, na peça 534 ainda não constava a assinatura do Ministro.

Apenas no dia da entrega do resultado da determinação feita à PF, após condicionamento desta última entrega do resultado apenas mediante visualização da decisão assinada nos autos da PET 15556 é que foi efetivamente dado acesso a via assinada e disponibilizada nos autos eletrônicos”.

A PF ainda denuncia perseguição ao filho de Lula:

“Em reunião presencial de 13/8/2026, o relator manifestou percepção de que ACM Neto, candidato ao Governo da Bahia, aparentaria estar exercendo atividade de representação de interesses dentro dos limites do permitido. A situação fática apurada quanto a ele guarda similaridade relevante com a de Fábio Luís Lula da Silva, o que sugere a adoção de standards probatórios distintos conforme o espectro político da pessoa envolvida nos fatos.

O relator sugeriu que fossem separados, em petições distintas, os casos relativos a Antonio Rueda e ACM Neto, não obstante a conexão aparente entre as condutas. Registre-se a assimetria de tratamento: a separação é sugerida onde a unidade identifica conexão, ao passo que, no episódio de julho de 2026, a contrariedade do relator recaiu sobre desmembramento pela unidade justamente onde a conexão inexistia.

(…)”

Nem vamos falar de Davi Alcolumbre, Paulo Gonet e Andrei Passos Rodrigues. Tudo isso foi muito noticiado.

A conclusão possível e imperiosa é uma só: André Mendonça é o típico bolsonarista. Todos eles fazem apostas exorbitantes em ações de alto risco e jogadas “espetaculares” ignorando riscos legais e um mínimo de reflexão.

Mendonça violou todas as regras regimentais internas do Supremo concernentes a investigação de autoridades com prerrogativa de foro especial. Agora, terá alto preço a pagar. Pode perder o cargo e a primariedade. Simultaneamente.

FOTO: Victor Piemonte/STF

FONTE: https://www.brasil247.com/blog/pf-indica-que-mendonca-acoberta-flavio-e-persegue-lulinha/