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PF pediu há seis meses que Mendonça autorizasse Coaf a revelar autoridade que teria recebido dinheiro de Vorcaro

Relatório citava pagamentos do ecossistema do Banco Master a uma autoridade com foro privilegiado; ministro do STF ainda não despachou o pedido.

247 – A Polícia Federal aguarda há seis meses uma decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), sobre um pedido para que o Conselho de Atividades Financeiras (Coaf) revele integralmente dados de um relatório que apontaria pagamentos do ecossistema de Daniel Vorcaro a uma autoridade com foro privilegiado.

O relatório de inteligência financeira enviado pelo Coaf ocultava, com tarjas, o nome da autoridade mencionada. A PF pediu a Mendonça, em 10 de março de 2026, autorização para ter acesso ao documento completo. Até agora, porém, o ministro não despachou no processo.

O caso ganhou novo peso nesta segunda-feira (14), quando o presidente do STF, Edson Fachin, retirou o sigilo do processo. A decisão ocorreu em meio a uma disputa interna na Corte, marcada por uma sequência de ofícios envolvendo ministros do tribunal e o avanço de discussões sobre possíveis investigações relacionadas ao caso Master.

De acordo com O Globo, o levantamento do sigilo foi cobrado pelo grupo do ministro Alexandre de Moraes em ofício enviado a Fachin na noite de domingo. A movimentação ocorre no contexto da reação de aliados de Moraes a iniciativas que podem levar à abertura de investigação contra o ministro.

No pedido enviado a Mendonça, a PF argumentou que, como a investigação já tramitava no Supremo, caberia ao ministro relator autorizar o acesso integral aos dados sigilosos. “Com efeito, a cautela do Coaf em não compartilhar automaticamente dados que envolvam autoridades com foro por prerrogativa de função alinha-se ao respeito às regras de competência jurisdicional. Todavia, considerando que a presente investigação criminal já tramita regularmente perante este Supremo Tribunal Federal, o juízo competente para supervisionar a higidez das provas e autorizar o acesso a dados sigilosos é, indubitavelmente, Vossa Excelência”, escreveu a corporação.

Segundo fontes ligadas à investigação ouvidas por O Globo, a autoridade mencionada no relatório seria um ministro de Corte Superior. A coluna afirma que, no grupo de Moraes, há a aposta de que se trate de Dias Toffoli.

Toffoli já havia sido citado em outro relatório da PF, de cerca de 200 páginas, que listava supostas ligações com Daniel Vorcaro. Entre os pontos mencionados estava a compra de uma participação avaliada em R$ 35 milhões na empresa que controlava o resort Tayaya, ligado à família do ministro. Esse relatório, no entanto, foi arquivado por Fachin em uma sessão secreta realizada em fevereiro deste ano.

Na ocasião, os ministros não declararam a suspeição de Toffoli, mas definiram os termos de sua saída da relatoria do caso Master. A revelação de que havia um pedido da PF parado há meses no gabinete de Mendonça tende a ser explorada politicamente dentro do Supremo por aliados de Moraes.

A estratégia do grupo de Moraes, segundo a reportagem, é sustentar que Mendonça teria adotado tratamento desigual em casos envolvendo colegas da Corte. A tese é que o ministro avançaria contra Moraes, ao mesmo tempo em que manteria sem decisão um pedido relacionado a uma autoridade com foro privilegiado citada em relatório do Coaf.

FOTO: Victor Piemonte/STF / Banco Master/Divulgação

FONTE: https://www.brasil247.com/brasil/pf-pediu-ha-seis-meses-que-mendonca-autorizasse-coaf-a-revelar-autoridade-que-teria-recebido-dinheiro-de-vorcaro/