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PGR mantém negociações sobre delação de Daniel Vorcaro após rejeição da PF

Procuradoria-Geral da República avalia novos elementos antes de decidir sobre eventual acordo com dono do Banco Master.

247 – Apesar de a Polícia Federal ter rejeitado a proposta inicial de delação premiada de Daniel Vorcaro, as negociações conduzidas pela Procuradoria-Geral da República (PGR) devem continuar. A informação foi publicada pela Folha de São Paulo, que revelou os bastidores das tratativas envolvendo o empresário apontado como líder do esquema investigado na Operação Compliance Zero.

Segundo integrantes da PGR, acordos de colaboração de grande complexidade, como o pretendido por Vorcaro, não costumam ser definidos rapidamente nem se encerram após uma primeira negativa. O entendimento interno é de que o processo exige tempo para análise de documentos, cruzamento de provas e detalhamento dos fatos apresentados pelo colaborador.

Na noite de quarta-feira (20), a Polícia Federal recusou a proposta apresentada pelo ex-banqueiro. De acordo com investigadores, as informações fornecidas por Vorcaro foram consideradas insuficientes e não trouxeram elementos novos capazes de justificar um acordo de colaboração. A avaliação da corporação é que os relatos não ultrapassaram o que já havia sido descoberto pelas investigações em andamento.

Mesmo após a rejeição, a defesa do empresário ainda poderá apresentar novos dados tanto à PF quanto à PGR. No entanto, autoridades envolvidas no caso consideram remota a possibilidade de a Polícia Federal rever sua posição.

Os primeiros anexos da proposta de delação foram entregues pela defesa no último dia 6. Investigadores da PF e procuradores da República classificaram o material como fraco. Reservadamente, uma fonte ligada ao caso afirmou que Vorcaro deixou de admitir fatos que aparecem em conteúdos encontrados em seus próprios celulares, apreendidos durante fases da Operação Compliance Zero.

Outro ponto que gerou forte resistência entre investigadores e procuradores foi a proposta financeira apresentada pelo empresário. Vorcaro teria sugerido devolver cerca de R$ 40 bilhões ao longo de dez anos. A PF e a PGR, entretanto, defendem um ressarcimento de aproximadamente R$ 60 bilhões em um prazo significativamente menor.

As autoridades consideram que, por ser apontado como principal articulador do esquema investigado, Vorcaro deve enfrentar condições mais rígidas em uma eventual negociação. Dados divulgados até agora indicam que os prejuízos relacionados à quebra do Banco Master já ultrapassam R$ 57 bilhões.

Para viabilizar qualquer acordo, os investigadores exigem que o empresário detalhe onde estariam os recursos desviados e de que maneira pretende devolver os valores. Entre as possibilidades discutidas estão a indicação de contas bancárias e a entrega de bens, como imóveis e aeronaves, para compensar os danos causados.

Mesmo que haja avanço nas negociações entre a defesa e os órgãos de investigação, uma eventual delação premiada ainda precisará ser homologada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), relator das investigações da Operação Compliance Zero.

FOTO: Reprodução

FONTE: https://www.brasil247.com/brasil/pgr-mantem-negociacoes-sobre-delacao-de-daniel-vorcaro-apos-rejeicao-da-pf