Conflitos internacionais e articulações diplomáticas de Lula devem ganhar espaço na campanha, com foco em comércio, segurança e estabilidade regional.
247 – O Palácio do Planalto avalia que temas de política internacional devem ocupar um espaço crescente no debate eleitoral brasileiro neste ano, em meio a um ambiente global marcado por conflitos, tensões diplomáticas e disputas comerciais. A leitura feita por auxiliares do governo é de que a complexidade do cenário externo tende a repercutir diretamente na agenda doméstica e, por consequência, no discurso político ao longo da campanha. As informações são do G1.
O governo identifica um contexto de instabilidade internacional envolvendo crises na Venezuela, na Faixa de Gaza, na Groenlândia e na Ucrânia. Esses temas têm sido recorrentes em pronunciamentos e declarações públicas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao longo dos últimos anos.
Diante desse quadro, Lula intensificou, no início deste ano, os contatos com lideranças estrangeiras. Somente em janeiro, o presidente realizou 14 telefonemas com chefes de Estado e de governo para tratar de política internacional. Entre os interlocutores estiveram Vladimir Putin, presidente da Rússia; Xi Jinping, presidente da China; Donald Trump, presidente dos Estados Unidos; e Emmanuel Macron, presidente da França. Segundo o Planalto, esse foi o maior número de conversas desse tipo concentradas em um único mês ao longo dos mandatos anteriores.
A agenda externa mantida por Lula, que inclui viagens internacionais e diálogo frequente com líderes mundiais, amplia a interlocução do Brasil no cenário global e contribui para a construção de parcerias estratégicas em áreas com impacto direto sobre o país. A movimentação diplomática também é vista como um elemento capaz de neutralizar narrativas sobre eventuais dificuldades na relação com o governo norte-americano.
No campo bilateral, a diplomacia brasileira trabalha com a expectativa de um novo encontro presencial entre Lula e Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, previsto para março, ainda sem data definida. De acordo com fontes do Itamaraty, o Brasil pretende priorizar três eixos nessa conversa: o combate ao crime organizado, a continuidade das negociações envolvendo produtos brasileiros afetados pelo tarifaço e a situação política na América Latina. Esses pontos, segundo o governo, já foram abordados na mais recente conversa telefônica entre os dois presidentes.
Interlocutores do Planalto consideram que a reunião será importante para organizar e fortalecer a relação bilateral, preservando o diálogo mesmo diante de divergências. Desde o anúncio das medidas tarifárias pelo governo norte-americano, Lula e Trump mantêm canais abertos de comunicação.
Paralelamente, o presidente brasileiro cumpre agenda internacional na América Latina. Nesta quarta-feira, Lula participa no Panamá do Fórum Econômico da América Latina e realiza encontros bilaterais com o presidente da Bolívia, Rodrigo Paz, que assumiu o cargo após a saída de Luis Arce em novembro do ano passado, e com o presidente panamenho, José Raúl Mulino. Também houve um encontro com José Antonio Kast, presidente eleito do Chile, durante um evento econômico no país.
Entre os temas tratados nessas conversas estão o acordo entre Mercosul e União Europeia, a proposta de criação de um Conselho da Paz apresentada por Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, e a situação de tensão política na Venezuela. O governo brasileiro tem reiterado a defesa do multilateralismo e buscado ampliar o protagonismo do Brasil nos debates sobre paz, segurança e comércio internacional.
Segundo o Planalto, líderes europeus já sinalizaram ver o Brasil como um ator relevante para a estabilidade da América Latina. Nesse contexto, Lula tem defendido a soberania dos países e o respeito ao direito internacional diante de ameaças de caráter territorial e tarifário, inclusive aquelas dirigidas à Europa e a outros países, mantendo, contudo, um tom diplomático e sem confronto direto com Washington.
A expectativa é de que o encontro previsto para março, em Washington, consolide esse esforço de diálogo. Na ocasião, o presidente brasileiro deve reforçar a importância da relação bilateral, do comércio entre os dois países e da prevalência do direito internacional como base das relações entre Estados.
Foto: Ricardo Stuckert/PR
FONTE: https://www.brasil247.com/brasil/planalto-avalia-que-cenario-global-influenciara-debate-eleitoral-no-brasil