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Planalto não descarta medidas mais “radicais” em resposta ao tarifaço unilateral dos EUA

Macroeconomicamente o Brasil permanecerá estável, e os esforços do governo se voltam a proteger os setores mais afetados pelo tarifaço de Trump.

247 – O Palácio do Planalto trabalha com a perspectiva de que a reação brasileira ao tarifaço dos Estados Unidos será um processo de etapas, que pode não se limitar apenas à aplicação da Lei de Reciprocidade. Segundo uma fonte palaciana com conhecimento das negociações dos últimos meses, circulam agora inclusive estudos considerados “radicais” sobre possíveis respostas às medidas unilaterais adotadas por Donald Trump.

A Lei de Reciprocidade não foi concebida especificamente para responder aos Estados Unidos. O instrumento pode ser aplicado a qualquer país que adote medidas restritivas unilaterais contra o comércio brasileiro. O anúncio de sua aplicação ao governo Trump não foi motivado pelo vídeo intervencionista divulgado na última semana pelo Departamento de Estado nem pela acusação de Washington de que o Brasil estaria promovendo uma suposta “triangulação” com a China.

O processo para definir quais setores brasileiros serão alcançados pela legislação também poderá ser longo. A estimativa é de que sejam necessários de dois a três meses apenas para identificar os segmentos sobre os quais a lei poderá ser aplicada.

A avaliação do governo é de que os Estados Unidos não demonstram disposição para negociar. Washington prefere aguardar o resultado das eleições presidenciais brasileiras antes de definir os próximos passos e, por enquanto, permanece em “compasso de espera”, disse uma fonte palaciana.

Dois trilhos para enfrentar o tarifaço

A estratégia brasileira é tratada internamente como um processo de duas velocidades. À luz da conjuntura atual, a preferência é manter o trilho mais completo, com consultas e a adoção de um caminho mais longo, em um período estimado de 60 a 90 dias.

A avaliação é de que nenhuma medida de curto prazo pode prescindir das consultas previstas no processo. Uma reação ao tarifaço, segundo a fonte, não pode criar novos problemas para o Brasil nem ampliar os efeitos negativos sobre a economia brasileira.

Ao mesmo tempo, enfrentar o tarifaço não significa apenas negociar com os Estados Unidos ou aplicar medidas de reciprocidade. O governo trabalha com uma estratégia mais ampla, que envolve também a busca por novos mercados para os produtos brasileiros afetados pelas tarifas norte-americanas.

Nesse contexto, o Planalto avalia que a resposta brasileira poderá incluir medidas que ultrapassem o campo estritamente tarifário.

“Talvez possamos em nossa resposta olhar também para setores regulatórios”, afirmou uma fonte palaciana.

Planalto não descarta escalada

Apesar da preferência atual pelo caminho das consultas e da negociação, a avaliação no governo é de que não se pode descartar uma nova escalada de medidas adotadas pelos Estados Unidos, que rejeitam qualquer negociação, inclusive que extrapolem o âmbito comercial.

Nesse cenário, o Brasil também já levou a disputa para os organismos multilaterais. Segundo a avaliação do Planalto, outros países poderão eventualmente se juntar ao Brasil na Organização Mundial do Comércio (OMC), caso também sejam atingidos por medidas unilaterais de Washington.

A leitura predominante no Planalto é de que determinados setores da economia brasileira serão mais afetados pelo tarifaço, mas que, do ponto de vista macroeconômico, o país deverá permanecer em uma situação relativamente sólida.

É nesse contexto que circulam dentro do governo propostas de enfrentamento mais duras. A fonte afirma que há inclusive ideias consideradas mais radicais sobre como responder às medidas norte-americanas, embora nenhuma delas esteja necessariamente definida como política oficial.

A avaliação é de que o governo Lula precisa manter abertas todas as possibilidades diante da incerteza sobre os próximos movimentos de Washington.

“Dependendo da análise, pode ser que o custo da reciprocidade não seja tão grande”, disse uma fonte palaciana, ao reforçar que a postura do Brasil desde o início foi de promover negociações.

Foto: Ricardo Stuckert

FONTE: https://www.brasil247.com/poder/planalto-nao-descarta-medidas-mais-radicais-em-resposta-ao-tarifaco-unilateral-dos-eua/