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Podemos decide pela neutralidade nas eleições presidenciais, em mais um revés para Flávio Bolsonaro

Decisão amplia isolamento do candidato do PL após recusas do Republicanos e da federação União Brasil-PP.

247 – O Podemos decidiu não apoiar formalmente a candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência da República e deve adotar neutralidade na eleição deste ano. A posição representa mais um revés para a tentativa do candidato do PL de ampliar sua base de alianças no centro político. As informações são da Folha de São Paulo.

O PL tentou atrair o Podemos e chegou a sondar a possibilidade de a presidente da legenda, a deputada Renata Abreu, ocupar a vaga de vice na chapa presidencial. A decisão, no entanto, frustrou a ofensiva de Flávio e reforçou a dificuldade do senador em montar uma coligação mais ampla.

De acordo com interlocutores ouvidos pela Folha, Renata Abreu consultou diretórios do Podemos na segunda-feira (3) e ouviu da maioria a preferência pela neutralidade. Com isso, os filiados devem ficar livres para apoiar o candidato à Presidência com quem tiverem maior afinidade. A decisão deve ser oficializada até quarta-feira (5).

A movimentação ocorre em meio a uma sequência de negativas ao PL. O Republicanos oficializou nesta terça-feira (4) a neutralidade na disputa presidencial, após consulta aos diretórios estaduais. A federação União Brasil-PP também já havia comunicado ao PL que não faria uma aliança formal.

A recusa do Podemos praticamente encerra a tentativa de Flávio Bolsonaro de atrair partidos do centrão para uma coligação nacional. Sem novas legendas em torno da candidatura, o senador tende a ter menos tempo de rádio e televisão e menos facilidade para compartilhar recursos do fundo eleitoral com aliados.

Segundo a Folha, a presença de Renata Abreu na chapa presidencial nunca esteve nos planos do Podemos. Aliados da deputada afirmam que a ideia teria partido do prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), que intermediou um encontro entre ela e Flávio Bolsonaro na sexta-feira (31).

O Podemos também foi alvo de uma ofensiva do PT do presidente Lula, que buscava garantir a neutralidade da legenda. De acordo com a reportagem, tanto o campo de Lula quanto o de Flávio discutiram com o partido a possibilidade de participação em um eventual governo, em caso de vitória.

No caso do PL, pessoas a par das conversas relataram que também foi levantada a possibilidade de ajuda com o fundo eleitoral. A sigla de Flávio Bolsonaro detém a maior fatia dessa verba, de R$ 881,6 milhões, e suas regras internas não impedem a transferência de recursos para partidos aliados.

Internamente, o Podemos avalia que um reforço no fundo eleitoral poderia contribuir para o objetivo da legenda de eleger mais de 30 deputados federais neste ano. Ao mesmo tempo, dirigentes consideram que o alinhamento nacional a um candidato presidencial poderia prejudicar o desempenho do partido nos estados.

A estratégia de neutralidade tem peso especial em São Paulo. Atualmente, 11 dos 27 congressistas do Podemos são do estado, onde a legenda avalia que a combinação entre neutralidade nacional e aproximação com o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) pode favorecer a busca por votos.

Outra ala do Podemos ainda deve se alinhar ao governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), na disputa presidencial. Segundo pessoas próximas, Zema também tentou atrair o partido para sua chapa e chegou a oferecer a vaga de vice a um nome da sigla, mas não obteve sucesso.

As dificuldades de Flávio Bolsonaro não se limitam à formação da chapa presidencial. No Rio de Janeiro, o União Brasil deixou seu palanque. Em Minas Gerais, o senador também perdeu um potencial cabo eleitoral com a decisão do Republicanos de não lançar Cleitinho Azevedo ao governo estadual, embora ele aparecesse como favorito nas pesquisas.

Uma coligação nacional é considerada estratégica porque amplia o tempo de televisão e rádio de uma candidatura e facilita o compartilhamento de recursos eleitorais. Caso permaneça isolado, Flávio Bolsonaro deve ter cerca de 20% menos tempo de televisão do que Lula, seu principal adversário na eleição presidencial.

FOTO: Andressa Anholete/Agência Senado

FONTE: https://www.brasil247.com/brasil/podemos-decide-pela-neutralidade-nas-eleicoes-presidenciais-em-mais-um-reves-para-flavio-bolsonaro/