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Portos brasileiros ampliam capacidade para exportar petróleo do pré-sal após recordes de produção

Investimentos em terminais no Rio de Janeiro e Espírito Santo buscam atender ao crescimento da produção, que deve alcançar 5 milhões de barris por dia até o fim da década.

247 – O crescimento da produção de petróleo do pré-sal está impulsionando uma nova onda de investimentos na infraestrutura portuária brasileira para ampliar a capacidade de exportação da commodity, atualmente o principal produto da balança comercial do país. Terminais privados e a Petrobras preparam projetos de expansão para atender ao aumento esperado da produção nos próximos anos. As informações foram publicadas pela Folha de São Paulo.

Entre os principais projetos está o do Porto Sudeste, em Itaguaí (RJ), que destinará R$ 180 milhões à construção de uma estrutura voltada para operações de transbordo de petróleo entre navios, conhecidas como ship-to-ship. A iniciativa foi aprovada em 2023 diante das projeções de crescimento do pré-sal e substituirá o plano original de construção de um segundo píer para minério de ferro.

Segundo o CEO do Porto Sudeste, Jayme Nicolato, a expectativa é de forte expansão da produção nacional nos próximos anos. “Até o fim da década, a produção brasileira de petróleo vai chegar a 5 milhões de barris por dia”, afirmou. O executivo destacou ainda as vantagens operacionais da instalação: “Estamos em área abrigada, com um centro de emergência do lado, e podemos oferecer com muita segurança a transferência do óleo [entre navios]”.

As operações ship-to-ship tornaram-se estratégicas para a logística do petróleo brasileiro. Os navios que retiram óleo das plataformas do pré-sal utilizam tecnologia de posicionamento dinâmico, permitindo permanecer estáveis junto às plataformas mesmo em condições climáticas adversas. Como essas embarcações têm elevado custo operacional, elas transferem a carga para petroleiros convencionais em terminais portuários ou em alto-mar, que seguem viagem até mercados consumidores na Europa e na Ásia.

O aumento da produção já se reflete nos números do setor. Em 2025, a Transpetro movimentou cerca de 700 mil barris por dia em operações de transbordo, volume 18% superior ao registrado no ano anterior. A Vast, operadora do Porto do Açu, alcançou média de 600 mil barris diários, crescimento de 19%.

A tendência de expansão também aparece nos primeiros meses de 2026, quando a produção do pré-sal vem registrando sucessivos recordes, elevando igualmente os embarques destinados ao mercado internacional.

No Porto Sudeste, a mudança de estratégia altera o perfil do empreendimento concebido originalmente para movimentar minério de ferro. O cais já construído continuará operando granéis sólidos, com capacidade para 50 milhões de toneladas por ano. O segundo terminal previsto inicialmente não será construído para esse fim.

Segundo Nicolato, o objetivo agora é equilibrar as operações entre cargas sólidas e líquidas. “O porto foi desenhado para 100 milhões de toneladas. Vai atingir o objetivo, mas com 50 milhões de toneladas de granéis sólidos e 50 milhões de granéis líquidos”, afirmou.

O terminal já realiza operações de transbordo utilizando janelas disponíveis em sua estrutura atual. Em 2024 foram realizadas 19 operações e, até o momento, em 2026 já ocorreram outras 12. Com a conclusão da nova estrutura de atracação, conhecida como dolphin, a capacidade poderá chegar a 144 operações anuais.

No Porto do Açu, em São João da Barra (RJ), a Vast também investe na ampliação da infraestrutura. A empresa iniciou obras para elevar sua capacidade de movimentação de 1,2 milhão para 1,8 milhão de barris por dia. O projeto prevê adaptar um terceiro berço para receber navios do tipo VLCC, superpetroleiros com capacidade para transportar até 2 milhões de barris de petróleo, além da construção de novas áreas de armazenamento.

Embora o Porto Sudeste também receba embarcações desse porte, elas ainda não podem deixar a Baía de Sepetiba totalmente carregadas devido à profundidade do canal, o que exigiria obras de dragagem.

Outro empreendimento que aposta no crescimento das exportações é o Porto Logística, da Imetame, em Aracruz (ES). O projeto, estimado em R$ 2,5 bilhões, fechou recentemente parceria com a Hanseatic Global Terminals, empresa do grupo alemão Hapag-Lloyd, e prevê um terminal específico para operações de transbordo de petróleo entre navios.

A Petrobras também busca ampliar sua capacidade logística por meio da expansão do Terminal da Baía da Ilha Grande (Tebig), em Angra dos Reis (RJ). O projeto, que havia sido barrado em 2012 após resistência de ambientalistas e comunidades tradicionais, voltou à pauta com a realização de reuniões públicas antes da apresentação do pedido de licenciamento ambiental ao Ibama.

De acordo com o diretor de Dutos e Terminais da Transpetro, Márcio Guimarães, o formato definitivo da expansão dependerá do diálogo com a sociedade. A proposta prevê, ao menos, a construção de um novo dolphin para aumentar a capacidade de atracação.

Guimarães ressaltou que o terminal desempenha papel importante não apenas nas exportações, mas também no abastecimento das refinarias de Duque de Caxias (RJ) e Betim (MG), além do recebimento da água produzida junto com o petróleo para tratamento. “A infraestrutura tem que seguir o aumento da produção, não podemos ficar parados”, afirmou. O executivo acrescentou: “E investimento em infraestrutura demora a ser feito, não dá para a gente pensar só quando a produção chegar.”

Foto: Xinhua

FONTE: https://www.brasil247.com/economia/portos-brasileiros-ampliam-capacidade-para-exportar-petroleo-do-pre-sal-apos-recordes-de-producao/