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Preço do petróleo dispara; Irã diz que Estreito de Ormuz ‘não será mais o mesmo’

Tensões no Oriente Médio elevam risco global e pressionam combustíveis com ataques a infraestrutura energética e alerta sobre segurança marítima.

247 – O preço do petróleo registrou forte alta nesta terça-feira (17), impulsionado pela intensificação das retaliações do Irã contra infraestruturas energéticas no Oriente Médio e por declarações de autoridades iranianas indicando que o Estreito de Ormuz não deve voltar a operar em condições normais tão cedo. A escalada das tensões também elevou os preços da gasolina nos Estados Unidos, refletindo a preocupação global com o abastecimento de energia, relata a CNN Business.

O barril do Brent — referência internacional — avançou 2,7%, sendo negociado em torno de US$ 103, após ter subido mais de 4% durante o pregão. Já o WTI, referência nos Estados Unidos, registrou alta de 3%, alcançando cerca de US$ 96 por barril. No mercado americano, o preço médio da gasolina subiu 7 centavos, chegando a US$ 3,79 por galão, o maior nível desde outubro de 2023, conforme dados da Associação Automobilística Americana (AAA).

Ataques ampliam risco ao fornecimento global

A nova escalada militar agravou as preocupações com o fornecimento de petróleo e gás natural. Nos Emirados Árabes Unidos, a produção no campo de gás Shah, próximo a Abu Dhabi, foi suspensa após um ataque com drones. Outro ataque atingiu o porto petrolífero de Fujairah, provocando incêndio. Um campo de petróleo no Iraque também foi alvo de ofensivas.

Além disso, um navio petroleiro foi atingido por um “projétil desconhecido” nas proximidades de Fujairah, segundo o Centro de Operações de Comércio Marítimo do Reino Unido. Desde o início dos ataques conjuntos dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, em 28 de fevereiro, mais de uma dúzia de incidentes envolvendo embarcações foram registrados na região do Golfo Pérsico e nas proximidades do Estreito de Ormuz.

Estreito de Ormuz sob ameaça

Em entrevista televisionada, o presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Baqer Qalibaf, afirmou que a presença militar dos Estados Unidos e de Israel mantém o Estreito de Ormuz sob risco permanente. “O Estreito de Ormuz não pode ser o mesmo de antes e retornar às condições anteriores”, declarou. Ele acrescentou que “não há mais segurança” na região e afirmou que bombardeios e aeronaves americanas não seriam capazes de destruir as instalações militares iranianas.

O estreito é uma rota estratégica por onde normalmente transita cerca de um quinto do petróleo e do gás natural liquefeito consumidos globalmente. Desde o início das hostilidades, os preços do petróleo acumulam alta de aproximadamente 40%.

Impacto direto nos preços e mercados

A alta desta terça-feira ocorre após uma queda registrada no dia anterior. Na segunda-feira, o Brent havia recuado 2,8%, em meio à expectativa de retomada do fluxo de petróleo pelo estreito, o que também impulsionou o desempenho do índice S&P 500.

Especialistas, no entanto, avaliam que a situação permanece altamente volátil. A continuidade dos ataques e a insegurança na principal rota marítima de energia do mundo seguem pressionando os mercados.

Reação internacional e cautela europeia

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pediu apoio de aliados para reabrir o Estreito de Ormuz, alertando que a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) enfrentaria um “futuro muito ruim” caso não houvesse cooperação internacional.

Apesar disso, líderes europeus demonstram cautela diante do conflito. A União Europeia decidiu não ampliar suas operações navais no Oriente Médio após reunião de ministros das Relações Exteriores. A chefe da diplomacia europeia, Kaja Kallas, afirmou: “a Europa não tem interesse em uma guerra sem fim”. Ela ressaltou ainda: “esta não é a guerra da Europa”, embora tenha reconhecido que os interesses do bloco estão diretamente envolvidos.

O primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, afirmou que o país trabalha com aliados para restaurar a liberdade de navegação na região “o mais rápido possível” e reduzir os impactos econômicos, destacando que o Reino Unido não pretende se envolver em um conflito mais amplo.

Estoques emergenciais e incerteza prolongada

A Agência Internacional de Energia (AIE) informou que seus países-membros estão preparados para liberar mais reservas emergenciais de petróleo, além dos 400 milhões de barris que começarão a ser disponibilizados ao mercado global nesta semana.

O diretor-executivo da AIE, Fatih Birol, afirmou: “ainda temos muitos estoques, apesar dessa grande liberação”. No entanto, alertou que a medida não resolve o problema estrutural: “embora a liberação de estoques possa fornecer um alívio temporário, não é uma solução duradoura… o fator mais importante para a estabilidade é a retomada do trânsito pelo Estreito de Ormuz”.

O cenário permanece marcado por incertezas, com os mercados globais atentos à evolução das tensões e seus impactos sobre o abastecimento energético mundial.

FOTO: U.S. Navy photo by Mass Communication Specialists 3rd Class Jonathan Clay/Released

FONTE: https://www.brasil247.com/economia/preco-do-petroleo-dispara-ira-diz-que-estreito-de-ormuz-nao-sera-mais-o-mesmo