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Produção de petróleo do Brasil alcança 4,3 milhões de barris por dia

Dados da ANP mostram alta de 16,9% em maio na comparação anual, com o pré-sal respondendo por mais de 80% da produção nacional de petróleo.

247 – A produção média de petróleo do Brasil atingiu 4,3 milhões de barris por dia (bpd) em maio, registrando crescimento de 16,9% em relação ao mesmo mês de 2025. O volume representa o segundo maior patamar mensal da história do país, ficando atrás apenas do recorde alcançado em abril, quando a produção chegou a 4,33 milhões de barris diários.

Os números foram divulgados nesta quarta-feira (1º) pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), conforme noticiado originalmente pela Folha de S.Paulo. O levantamento confirma a continuidade da expansão da produção brasileira, impulsionada principalmente pelo desempenho dos campos do pré-sal.

O resultado reforça a trajetória de crescimento da indústria petrolífera nacional após o Brasil encerrar 2025 com produção média recorde de 3,77 milhões de barris por dia. O avanço consolida o país entre os maiores produtores globais de petróleo e evidencia a importância das reservas marítimas para a expansão da oferta nacional.

Pré-sal concentra mais de 80% da produção

O pré-sal permaneceu como principal motor da produção brasileira. Em maio, os campos localizados nessa província produziram 3,47 milhões de barris de petróleo por dia, o equivalente a mais de 80% de todo o petróleo extraído no país durante o período.

Esse desempenho mantém a tendência observada nos últimos anos, em que os projetos do pré-sal assumiram protagonismo na produção nacional graças à elevada produtividade dos poços e à entrada em operação de novas plataformas.

A expansão da produção também fortalece o papel estratégico do setor de óleo e gás na economia brasileira, contribuindo para exportações, arrecadação de royalties e investimentos em exploração e desenvolvimento de novos campos.

Petrobras lidera produção nacional

Entre as empresas operadoras, a Petrobras manteve ampla liderança na produção de petróleo. Segundo a ANP, a estatal respondeu por 2,55 milhões de barris por dia em maio, permanecendo como a maior produtora do país.

A Shell ocupou a segunda posição, com produção de 415,3 mil barris diários. Principal parceira da Petrobras em diversos projetos do pré-sal, a companhia continua entre as maiores produtoras em operação no Brasil.

Já a TotalEnergies registrou produção de 209,9 mil barris por dia no período, completando o grupo das empresas com maior participação na produção nacional de petróleo.

Produção de gás natural cresce na comparação anual

A produção brasileira de gás natural alcançou média de 206,06 milhões de metros cúbicos por dia em maio. O volume representa uma pequena queda de 0,3% em relação a abril, mas mostra crescimento expressivo de 19,6% na comparação com maio do ano passado.

Nem todo o gás produzido, entretanto, chega ao mercado consumidor. Segundo os dados da ANP, 60,83 milhões de metros cúbicos por dia foram efetivamente disponibilizados para comercialização.

Ao mesmo tempo, 120,13 milhões de metros cúbicos diários foram reinjetados nos reservatórios. Outros 19,23 milhões de metros cúbicos foram consumidos nas próprias plataformas de produção, enquanto 5,87 milhões de metros cúbicos por dia foram destinados à queima operacional.

Produção total supera 5,5 milhões de barris equivalentes

Considerando conjuntamente petróleo e gás natural, a produção nacional atingiu 5,597 milhões de barris de óleo equivalente por dia em maio, mantendo o ritmo de crescimento da indústria energética brasileira.

Enquanto o Brasil amplia sua produção, instituições financeiras acompanham as perspectivas para o mercado internacional de petróleo. Em entrevista à Bloomberg Television, Samantha Dart, co-chefe de pesquisa global de commodities do Goldman Sachs, afirmou que a expectativa é de retorno de um cenário de excesso de oferta mundial à medida que diminuem os efeitos da guerra envolvendo o Irã e ocorre a normalização da navegação pelo estreito de Hormuz.

Segundo Dart, “Assim que houver uma normalização dos fluxos pelo estreito, a expectativa é que entremos em um cenário de excesso de oferta”. Ela acrescentou que o excedente deverá ficar, em média, pouco acima de 3 milhões de barris por dia no próximo ano.

Goldman Sachs prevê excedente global de petróleo

A especialista explicou que a recomposição das reservas estratégicas de petróleo ajudará a absorver parte desse excesso, mas não será suficiente para equilibrar completamente o mercado.

Nas palavras de Samantha Dart, “Esperamos pouco mais de 1 milhão de barris por dia apenas para a recomposição das reservas estratégicas de petróleo em nível global, mas, ainda assim, isso nos deixaria com um excedente próximo de 2 milhões de barris por dia”, em referência à Strategic Petroleum Reserve (SPR), reserva estratégica de petróleo dos Estados Unidos.

Sobre o transporte marítimo na região do Golfo, Dart afirmou que “Realmente esperamos que, até o fim de julho, isso esteja resolvido”, ao comentar a expectativa de normalização das exportações pelo estreito de Hormuz. Ela também destacou que a principal preocupação das empresas de navegação não está necessariamente nos custos adicionais, mas na previsibilidade regulatória. “Quando converso com empresas de navegação, a principal coisa que elas dizem é: ‘Não me importo em pagar um pedágio, desde que haja clareza sobre as regras’”, declarou. Segundo a analista, uma eventual taxa equivalente a cerca de US$ 1 por barril teria impacto limitado sobre os custos de energia. “Isso realmente vai aumentar de forma significativa os custos de energia? Isso não está claro”, concluiu.

FOTO: Agência Petrobras

FONTE: https://www.brasil247.com/economia/producao-de-petroleo-do-brasil-alcanca-43-milhoes-de-barris-por-dia/