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Produção industrial despenca em junho e reforça expectativa de novo corte da Selic

Os números fortalecem a expectativa de continuidade do ciclo de afrouxamento monetário.

A produção industrial brasileira surpreendeu negativamente em junho, segundo dados divulgados pelo IBGE. Na comparação com maio, a indústria recuou 1,8%, resultado muito pior do que a expectativa do mercado, que previa queda de apenas 0,6%. Trata-se da maior retração mensal desde dezembro de 2025 e de um dos piores desempenhos dos últimos anos.

Na comparação com junho do ano passado, a indústria ainda registra crescimento de 1,7%, mas também abaixo das projeções, que apontavam expansão de 3,1%. O resultado confirma uma desaceleração importante do setor. Depois de crescer 1,4% no primeiro trimestre em relação ao trimestre anterior, a indústria praticamente estagnou no segundo trimestre, com alta de apenas 0,3%.

A perda de fôlego fica ainda mais evidente ao observar a sequência mensal. Após avanços entre janeiro e abril, a produção industrial começou a perder força em maio e sofreu uma queda expressiva em junho. Somados, os dois últimos meses representam retração de 2,7%, praticamente anulando os ganhos acumulados no início do ano.

O enfraquecimento foi disseminado entre as principais categorias econômicas. A produção de bens de capital, que inclui máquinas e equipamentos, caiu 1,1% no mês e ficou 1,6% abaixo do nível de junho de 2025. Os bens intermediários recuaram 1,1%, enquanto os bens de consumo duráveis registraram queda de 3,2%. O pior desempenho veio dos bens de consumo semi e não duráveis, com retração de 4,1% no mês.

Apesar de a indústria ainda apresentar crescimento na comparação em 12 meses, os dados mais recentes mostram deterioração clara na margem. O resultado de junho se soma aos indicadores mais fracos divulgados recentemente para o comércio e os serviços, reforçando a percepção de que a economia brasileira entrou em um processo de desaceleração mais intenso.

Nesse contexto, os números fortalecem a expectativa de continuidade do ciclo de afrouxamento monetário. Com a atividade econômica perdendo força e os indicadores de inflação mostrando melhora nas últimas leituras do IPCA-15, aumenta a probabilidade de que o Copom reduza novamente a taxa Selic. O mercado já trabalha com um corte na reunião desta semana e mantém a expectativa de novas reduções nas próximas reuniões, em linha com as projeções mais recentes do Relatório Focus.

FOTO: Reprodução

FONTE: https://www.brasil247.com/blog/producao-industrial-despenca-em-junho-e-reforca-expectativa-de-novo-corte-da-selic/