O presidente da Rússia, Vladmir Putin, disse hoje que a morte do líder supremo do Irã é um “assassinato cínico” que viola o direito internacional. Já o presidente argentino, Javier Milei, elogiou o ataque coordenado dos Estados e Israel contra o Irã, que resultou na morte do líder supremo iraniano Ali Khamenei, 86. O Papa Leão 14 demonstrou preocupação com a escalada do conflito e clamou por uma solução diplomática.
O que aconteceu
Putin afirmou que a morte de Khamenei foi um assassinato que violou “todas as normas da moral humana e do direito internacional”. Para o presidente russo, o líder supremo do Irã será lembrado como um “estadista notável”.
“Por favor, aceite minhas profundas condolências em relação ao assassinato do líder supremo da República Islâmica do Irã, Ali Khamenei, e dos membros de sua família, cometido de forma cínica em violação de todas as normas da moralidade humana e do direito internacional”
– Putin
Milei descreveu Khamenei como “uma das pessoas mais malignas, violentas e cruéis que a história da humanidade já viu”. “Suas atrocidades não afetaram apenas o povo iraniano, mas impactaram o mundo inteiro”, disse o presidente argentino em um comunicado.
Ele também lembrou um ataque terrorista a um centro judaico que deixou 85 mortos em Buenos Aires em 1994. Em 2024, um tribunal da Argentina culpou o Irã pelo ataque. “A busca por justiça para as 85 vítimas é uma política de Estado e continuará até que o último responsável pague com sua liberdade ou com sua vida por um crime tão horrível”, disse Milei.
Iraque anunciou luto oficial. O líder xiita Moqtada al-Sadr anunciou três dias de luto oficial e lamentou o “martírio” de Khamenei. Em Bagdá, manifestantes tentaram invadir a área da embaixada dos EUA, mas foram contidos pela polícia.
China condenou morte. O chanceler da China, Wang Yi, disse que “matar abertamente o líder de um Estado soberano e instigar mudança de regime é inaceitável”. Ele chamou a operação dos EUA e de Israel contra o Irã de “grave violação da soberania e da segurança do Irã, um atropelo aos propósitos e princípios da Carta da ONU e às normas básicas das relações internacionais”. O ministro disse ainda que a China está altamente preocupada com a situação e que se opõe ao uso da força nas relações internacionais.
Reza Pahlavi, filho do último xá do Irã, declarou que com a morte de Khamenei “a República Islâmica efetivamente chegou ao fim” e seria “relegada à lata de lixo da história”. Para ele, qualquer tentativa de sustentar o regime atual está condenada ao fracasso.
No Reino Unido, o secretário de Defesa, John Healey, afirmou que “poucas pessoas lamentarão” a morte do aiatolá e classificou o regime iraniano como “uma fonte de maldade”. Ele alertou que teme uma retaliação iraniana “cada vez mais indiscriminada”, possivelmente atingindo alvos civis.
O primeiro-ministro australiano, Anthony Albanese, também afirmou que a morte de Khamenei “não será lamentada”. Ele responsabilizou o aiatolá pelos programas nucleares e de mísseis balísticos do regime, pelo apoio a grupos armados e pela violência cometida contra a população iraniana.
Papa Leão 14 pede diálogo e saída diplomática para o conflito. O pontífice disse que acompanha com profunda preocupação o que está acontecendo no Oriente Médio e no Irã. Ele conclamou às partes envolvidas para que “assumam responsabilidade moral de deter a espiral de violência antes que ela se torne um abismo irreparável”. O papa pediu ainda que a diplomacia recupere seu papel e promova o bem dos povos.
“A estabilidade e a paz não se constroem por meio de ameaças recíprocas, nem com armas, que semeiam destruição, dor e morte, mas somente por meio de um diálogo razoável, autêntico e responsável.”
– Papa Leão 14
Entenda o caso
Os Estados Unidos e Israel lançaram na madrugada de sábado um ataque coordenado contra o Irã, que declarou ter retaliado atacando bases militares americanas no Oriente Médio. Trump disse que o objetivo da ação era defender o povo americano.
Além da capital Teerã, explosões também foram ouvidas em outras quatro cidades (Isfahan, Qom, Karaj, Kermanshah). As autoridades suspenderam o tráfego aéreo no país, enquanto serviços de telefonia e internet apresentam falhas graves, segundo jornalistas locais.
Comando Central norte-americano disse ter usado, pela primeira vez em combate, drones de ataques unidirecionais de baixo custo. “A Operação Epic Fury [Fúria Épica] envolve a maior concentração regional de poder de fogo militar americano em uma geração”, afirmou o comando.
Em resposta ao ataque, forças iranianas lançaram mísseis contra Israel, que imediatamente fechou o espaço aéreo e declarou estado de emergência. Por precaução, escolas e prédios públicos em Jerusalém permanecerão fechados até a tarde de segunda-feira (2).
A Força Aérea de Israel informou que interceptou mísseis do Irã. Israel detectou o ataque após tomar medidas de segurança contra possíveis retaliações. “Neste momento, a Força Aérea está trabalhando para interceptar e atacar as ameaças”, informaram as Forças Armadas israelenses.
Irã retaliou instalações militares dos EUA, afirmou autoridade americana. Até o momento, foram alvejadas ao menos seis instalações localizadas no Qatar, no Kuwait, nos Emirados Árabes Unidos, no Bahrein, na Jordânia e no norte do Iraque.
O ataque dos Estados Unidos e de Israel ao Irã deixou ao menos 201 mortos e 747 feridos no território iraniano. A informação é do Crescente Vermelho do Irã, que ressaltou que, do total de 31 províncias da República Islâmica, 24 foram afetadas pelos ataques.
Comando Central dos EUA disse que não houve relato de baixas norte-americanas ou feridos relacionados ao combate. Em publicação no X, o comando afirmou que os danos do ataque iraniano às instalações americanas “foram mínimos e não afetaram as operações”. Eles alegam que se defenderam “com sucesso contra centenas de ataques de mísseis e drones iranianos”.
FOTO: IRNA
FONTE: https://noticias.uol.com.br/internacional/ultimas-noticias/2026/03/01/morte-ali-khamenei-repercussao.htm