Engajamento popular e mobilização nas ruas garantiram comparecimento histórico e ampliação da votação do presidente no segundo turno.
247 – A marcante diminuição no índice de eleitores faltosos, combinada à expressiva queda nos votos brancos e nulos, estabeleceu novos recordes históricos e desempenhou um papel decisivo na virada do presidente Lula (PT) na disputa de 2026.
O índice de abstenção registrado na segunda etapa do pleito atingiu 19,2%, o que representa o menor número de ausentes registrado nos últimos 20 anos, ficando atrás apenas da marca obtida em 2006, quando o percentual foi de 18,9%. Ao mesmo tempo, a soma de votos brancos e nulos recuou para 3,2%, alcançando o patamar mais baixo registrado neste século.
No total, 30,5 milhões de pessoas deixaram de votar no segundo turno, frente aos 33,4 milhões observados na primeira fase, oportunidade em que a abstenção chegou a 21% — a maior desde 1998. Além disso, a contagem de brancos e nulos diminuiu de 5,9 milhões para 4,1 milhões de eleitores entre os dois turnos, viabilizando a adição de 4,7 milhões de votos válidos nas urnas.
A reversão do desinteresse eleitoral esteve no centro do planejamento tático da campanha petista a partir do encerramento da primeira etapa. Conectada à perspectiva de que mobilizar cidadãos ausentes seria indispensável para expandir a vantagem em um pleito acirrado, a estratégia resultou em um acréscimo superior a 10 milhões de votos para o presidente reeleito. Lula avançou de 53.879.538 para 64.170.618 eleitores. Esse ritmo de expansão superou em três vezes o desempenho do candidato adversário, o senador Flávio Bolsonaro (PL), que somou 3,6 milhões de novos votos, passando de 56.104.503 para 59.790.152.
A virada foi sustentada por uma expressiva atuação nos ambientes digitais, liderada pelo deputado federal André Janones (Rede-MG), somada a passeatas e atos públicos expressivos que lotaram vias nas principais cidades do país.
Geograficamente, a região Nordeste, único reduto em que Lula obteve a maioria, ostentou o menor índice de não comparecimento nacional, registrando queda de 18,3% para 16,5%. As maiores reduções do absenteísmo na região ocorreram na Bahia, que passou de 19,9% para 16,7%, e em Pernambuco, de 18,1% para 15,1%. O Ceará, que já havia contabilizado índice reduzido no primeiro turno (15,5%), retraiu ainda mais, alcançando 13,8%.
Movimentos semelhantes de presença eleitoral foram observados no Sul e no Sudeste, com reduções de 2,2% e 2,4%, respectivamente. A taxa de ausências caiu de 20,4% para 18,1% entre os eleitores sulistas e de 22,7% para 20,2% entre os sudestinos.
Foco primordial de preocupação das equipes de campanha, o estado de São Paulo reduziu seu contingente de ausentes de 7,69 milhões (22,54%) no primeiro turno para 6,7 milhões (19,8%) no segundo. Na capital paulista, a desistência recuou de 2,1 milhões de eleitores (23,4%) para 1,8 milhão (20,3%).
Em contrapartida, a região Norte figurou como a única parte do território nacional com elevação no total de faltantes, subindo de 19,4% para 21,2%. O movimento foi impulsionado pelo comportamento do eleitorado no Amapá, onde Lula venceu, e nos estados de Roraima e Acre, onde a vitória ficou com Flávio Bolsonaro.
Foto: Ricardo Stuckert
FONTE: https://www.brasil247.com/brasil/reeleicao-de-lula-passou-pelo-menor-patamar-de-abstencao-e-de-votos-brancos-e-nulos-neste-seculo/