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‘Reforma agrária e agroecologia são inovações no combate à fome e à crise climática’, diz Maíra do MST

Na Rio Innovation Week, vereadora liga reforma agrária, agroecologia e produção de alimentos saudáveis à justiça climática e à segurança alimentar.

247 – A vereadora do Rio de Janeiro (RJ) Maíra do MST (PT) defendeu a Reforma Agrária Popular como instrumento para ampliar a produção de alimentos saudáveis, enfrentar a fome e responder aos impactos da crise climática durante participação na Rio Innovation Week (RIW), nesta quinta-feira (6). A petista relacionou a democratização do acesso à terra, a agroecologia e a agricultura familiar à construção de um modelo produtivo com mais justiça social e ambiental.

A parlamentar participou do painel “O Direito à Alimentação: Segurança e Soberania Alimentar”. Primeira vereadora ligada ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) eleita no município do Rio de Janeiro, ela levou ao debate sua atuação em defesa da agroecologia, da agricultura familiar e de políticas voltadas à segurança alimentar e nutricional.

A vereadora também preside a primeira Comissão de Segurança Alimentar e Nutricional criada em um Legislativo municipal no Brasil. Durante sua participação na RIW, ela apresentou a reforma agrária como parte de um debate mais amplo sobre desenvolvimento econômico, meio ambiente, acesso à terra e produção de comida.

Maíra contrapõe agronegócio e Reforma Agrária Popular

Ao tratar das diferentes propostas para o campo brasileiro, Maíra afirmou que dois modelos de produção e organização territorial disputam espaço no país. A vereadora associou o agronegócio à concentração fundiária e à monocultura, enquanto apresentou a Reforma Agrária Popular como alternativa baseada na distribuição da terra, na biodiversidade e na produção de alimentos.

“De um lado o agronegócio, que prega a concentração de terra, a monocultura, a destruição do meio ambiente, a violência no campo, a exploração e a exclusão. Do lado oposto está a Reforma Agrária Popular, um projeto de sociedade que aposta na democratização do acesso à terra, na preservação da biodiversidade, na promoção de justiça social, no fortalecimento de sistemas alimentares resilientes, na conservação dos biomas e na produção de comida saudável para toda a população”, pontuou.

A vereadora também relacionou a discussão sobre o uso da terra à necessidade de preservar florestas e reorganizar os sistemas de produção. Na avaliação apresentada durante o evento, políticas públicas voltadas à reforma agrária e à agroecologia podem atuar diretamente no combate à fome e na redução das desigualdades.

“As soluções já existem, mas é necessário vontade política para implementar. A Reforma Agrária Popular é uma resposta ao agro, é uma política pública de combate à fome. Significa um novo projeto de sociedade e não apenas a divisão da terra. Precisamos entender a reforma agrária e a agroecologia como tecnologias sociais que a gente tem que fortalecer para fundar um modelo produtivo menos desigual, com justiça climática e mais direitos para os trabalhadores do campo e da cidade”, defendeu.

Agroecologia entra no debate sobre inovação

A participação de Maíra na Rio Innovation Week também levou ao encontro uma concepção de inovação ligada às experiências desenvolvidas por comunidades, agricultores familiares e movimentos sociais. A parlamentar destacou atividades agrícolas presentes dentro da própria cidade do Rio de Janeiro e em outras regiões do estado.

Segundo a vereadora, parte da população urbana desconhece a dimensão das experiências agrícolas que funcionam em diferentes territórios fluminenses. Ela citou hortas, áreas de produção, quilombos, assentamentos, quintais e iniciativas comunitárias ligadas à alimentação.

“O Rio tem hortas urbanas e produção agrícola no interior, como nos maciços, quilombos, quintais, favelas e assentamentos. As cozinhas de terreiro são iniciativas de segurança alimentar que os povos negros fazem há muito tempo. Temos que olhar para esse conjunto de iniciativas como tecnologias sociais de inovação para guiar nosso futuro”, ressaltou.

A fala colocou a agricultura familiar e a produção comunitária de alimentos no centro do debate sobre soluções inovadoras. Maíra argumentou que essas experiências podem contribuir tanto para a segurança alimentar quanto para modelos de desenvolvimento com menor impacto ambiental.

MST destaca plantio de árvores e cooperação com a China

Na etapa final de sua participação, a vereadora apresentou iniciativas do MST relacionadas à preservação ambiental, à agricultura familiar e à organização coletiva da produção. Entre os projetos mencionados, ela citou a Jornada da Natureza e a meta de plantio de árvores até 2030.

“Temos várias iniciativas em curso, como a Jornada da Natureza assumiu o compromisso de plantar 100 milhões de árvores até 2030; a cooperação do movimento com a China por meio da mecanização da agricultura familiar; e o associativismo e o cooperativismo como modelos coletivos de produção e inovação”, enfatizou a vereadora.

A cooperação com a China apareceu na exposição como uma iniciativa direcionada à mecanização da agricultura familiar. Maíra também incluiu o associativismo e o cooperativismo entre os instrumentos capazes de organizar formas coletivas de produção e estimular processos de inovação no campo.

Ao encerrar sua participação na RIW, a vereadora retomou uma frase difundida entre integrantes da militância ligada à luta pela terra. “Romper as cercas do latifúndio é romper também com a ignorância”, concluiu.

O painel também reuniu a cientista social Generosa de Oliveira Silva, integrante da Articulação Nacional de Agroecologia (ANA). Jiana Tomaz Moro, diretora operacional do FINAPOP, fez a mediação do debate. A entidade atua com crédito e investimento adaptados às características da agricultura familiar.

FONTE: Jeff Augusto

FONTE: https://www.brasil247.com/sudeste/reforma-agraria-e-agroecologia-sao-inovadoras-de-combate-a-fome-e-a-crise-climatica-diz-maira-do-mst/